Denotação e Conotação
''Eles vivem
fazendo arte". Lendo esta manchete, poderá vir-nos à mente a ideia de que
"fazer arte" é igual a fazer estripulias, molecagens, bagunça. No
entanto, ao lermos o trecho do artigo, constatamos que o significado é outro,
ou seja, que todos os visitantes do museu podem desenvolver sua capacidade de
criar.
Estamos
diante da palavra arte.
Tradicionalmente, no sentido do dicionário, arte é um dos principais meios de
comunicação usados pelo homem para expressão de suas ideias, valores, emoções,
crenças, sentimentos e revoltas. Assim, o significante arte tem um significado atribuído pelo dicionário que nos permite
uma só interpretação. É o significado denotativo.
Denotação é o uso do signo linguístico com
seu significado próprio, que não permite mais de uma interpretação.
Mas o
significante arte pode receber um
outro significado, não contido no dicionário: arte é o mesmo que fazer
"bagunça". É um significado criado pelo contexto, pelas
circunstâncias ou mesmo pelo momento, e ao qual chamamos de significado
conotativo.
Conotação é o uso do signo linguístico com novos
significados e com novas interpretações oferecidas pelo contexto.
A palavra,
ou o significante, com o seu sentido denotativo, com seu sentido próprio, é
muito comum no texto informativo. O significado conotativo não deve permitir
ambiguidades na interpretação ou leitura do texto.
A palavra,
ou o significante, com seu sentido conotativo, com seu sentido renovado, é
muito comum no texto literário. O significado conotativo permite ambiguidades
na interpretação ou leitura do texto.
A literatura
é uma das manifestações artísticas, como são também a música, a pintura, o
desenho, a dança, o teatro e o cinema. As artes, que servem à comunicação,
portanto, foram criadas pelo homem. São fatos culturais e veículos de cultura.
A obra
literária utiliza-se dos signos linguísticos com significados denotativos e
conotativos. Quando o escritor produz sua obra, ele está criando um pequeno
mundo onde as palavras ganham um sentido especial: é o sentido necessário para
transmitir a mensagem desejada. Logo, a conotação é um recurso bastante
utilizado pelo autor, porque, recriando, em seu texto literário, novos
significados para a palavra, ele é capaz de recriar o mundo, recriar valores. É
isso que caracteriza uma verdadeira obra de arte: a recriação do mundo sob
novas formas, sob nova linguagem.
Recriar o
mundo já não é possível na notícia, pois a ela cabe o papel de informar. Se na
informação houver novos significados, múltiplas conotações, a notícia será, no
mínimo, deturpada.
Podemos
dizer que o discurso literário é altamente conotativo, enquanto no discurso não
literário o que predomina é a denotação. Isso não quer dizer que ele esteja
isento de significado conotativo. Por exemplo, há excelentes jornalistas que
informam, sem desvirtuar a informação, e que conseguem trabalhar jogando com a
denotação e conotação, em um perfeito jogo de criatividade linguística.
Logo, existe
conotação no texto não literário mas de maneira tal que a informação objetiva
do fato não saia prejudicada.
É muito
comum encontrarmos histórias em quadrinhos que exploram a oposição existente
entre o significado denotativo e o significado conotativo de uma palavra.
Assim, a história é montada a partir dessa oposição denotação/conotação.
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Fonte:
Literatura, Gramática & Redação, por: Maria Aparecida Paschoalin & Neuza Terezinha Spadoto. Editora FTD. São Paulo, 1986, pág. 15.
Fonte:
Literatura, Gramática & Redação, por: Maria Aparecida Paschoalin & Neuza Terezinha Spadoto. Editora FTD. São Paulo, 1986, pág. 15.
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