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domingo, 19 de junho de 2016

Língua Portuguesa: História

Língua Portuguesa: História

O Português é derivado do latim, língua que era falada em uma região da Península Itálica — o Lácio (onde hoje se localiza Roma). Mais tarde, passou a ser a língua dominante de toda a península. Com as sucessivas invasões romanas, o latim foi levado para os países conquistados. A Península Ibérica (que corresponde, hoje, à Espanha e Portugal) foi uma das províncias dominadas pelos romanos. Os povos que nela habitavam acabaram assimilando a língua falada pelos dominadores. Além do aspecto linguístico, os romanos foram pouco a pouco influenciando os costumes e as crenças dos povos conquistados. Estes, por sua vez, também contribuíram para a transformação do latim, com seus hábitos linguísticos.
Várias causas contribuíram para a modificação do latim:
• A língua falada pelos soldados romanos não era o latim culto, erudito; era o latim popular, uma língua por isso mesmo em constante evolução;      
• As conquistas romanas ocorreram em épocas diferentes e numa e vasta extensão geográfica (conforme vimos no mapa).
Foram esses alguns dos fatores que deram origem à formação das chamadas línguas neolatinas ou românicas: o romeno, o francês, o espanhol, o italiano, o português.

Formação da língua portuguesa
Foi decisiva a transformação do latim vulgar para a formação da língua portuguesa; outros fatores, porém, tiveram também especial importância no processo de seu desenvolvimento.
Com a invasão dos bárbaros na Península Ibérica (século V), a dominação romana enfraqueceu-se. Embora alterado, o latim não desapareceu. Dos povos bárbaros, foram os vândalos, os suevos e os visigodos que mais influência exerceram na cultura da Península Ibérica; trouxeram, principalmente, inovações no vocabulário, na pronúncia.
Mais tarde, no século VIII, foi a vez dos árabes invadirem o solo peninsular. Eles possuíam uma civilização superior à existente na península. Adotou-se o árabe como língua oficial; entretanto, o povo subjugado continuou a falar o latim vulgar modificado. A influência árabe junto a esses povos se fez sentir apenas quanto ao vocabulário.
Com a invasão dos bárbaros e dos árabes e com a queda do Império Romano no ocidente, houve o aparecimento de vários dialetos, entre eles, o galego-português, do qual surgiu o português.
A partir de meados do século XIV, começa a haver uma diferenciação cada vez maior entre o galego — dialeto espanhol falado em Galiza — e o português. O falar da nacionalidade portuguesa distinguiu-se dos falares de outras regiões graças:
a) à dialetação do latim vulgar;
b) à influência dos bárbaros e dos árabes que deram feições típicas ao falar da faixa ocidental da Península Ibérica. Com a independência política de Portugal resultou a separação dos dois idiomas: o galego e o português. Já no século XII começaram a aparecer textos escritos com características da língua portuguesa.

Épocas e fases
Leite de Vasconcelos divide a história da língua portuguesa em três grandes épocas:
a) A pré-histórica: desde as origens da língua até o século IX. Neste período surgem os primeiros documentos latino-portugueses.
b) A proto-histórica: do século IX ao XII. Os textos que então aparecem comprovam a existência do dialeto galaico-português.
c) A histórica: do século XII até nossos dias. Os textos aparecem redigidos em português. A época histórica subdivide-se em duas fases:
Arcaica (do século XII ao XVI);
Moderna (do século XVI para cá).

Expansão
A língua portuguesa espalhou-se rapidamente por todas as partes do mundo, a partir das grandes descobertas marítimas empreendidas pelos lusitanos.
Hoje, a língua portuguesa é falada nas seguintes regiões:
• Europa: Portugal, Ilha da Madeira, Açores;
• América: Brasil;
• África: Cabo Verde, Guiné, Angola, Moçambique, Zanzibar, Mombaça;    
• Ásia: Goa, Ceilão, Macau, Java, Singapura.


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Fonte:
Língua & Literatura, por: Maria da Conceição Castro. Editora Saraiva, 1ª Edição. São Paulo, 1993, págs.  136-139.

Jorge Amado (Biografia)

Jorge Amado
(Itabuna-BA, 1912-2001)
Aos dois anos de idade transferiu-se com a família para Ilhéus, em virtude de uma inundação que destruiu completamente a propriedade de seu pai. Em Salvador, Jorge Amado iniciou sua carreira jornalística, ao colaborar em diversos jornais baianos. Transferiu-se mais tarde para o Rio de Janeiro e estudou Direito.
Com 19 anos, lançou o romance País do Carnaval, livro muito bem aceito pela crítica. Dos 20 aos 30 anos viajou por todo o Brasil, principalmente pelo Nordeste, o que lhe deu larga experiência para seus romances.
Em 1933, publicou Cacau, cuja edição acabou sendo apreendida pela polícia. Durante o Estado Novo esteve várias vezes preso. Viveu exilado na Argentina e no Uruguai.
Começou, por volta de 1940, a publicar o ABC de Castro Alves, em capítulos, mas a polícia proibiu a continuação. Em 1945 foi eleito deputado estadual por São Paulo (PCB), mas foi cassado. Viajou, então, para a Europa e Ásia; viveu em Paris e em Praga.
Em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.
Jorge Amado nunca deixou de escrever. A temática de seus livros gira em torno da crítica social da realidade nordestina, das fazendas de cacau, do coronelismo.
Destacam-se, entre suas obras: Jubiabá (1934); Mar Morto (1937); Capitães de Areia (1937); Terras do Sem-Fim (1943); São Jorge dos Ilhéus (1944); Seara Vermelha (1946); Gabriela, Cravo e Canela (1958); Os Velhos Marinheiros (1961); Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966); Tenda dos Milagres (1969); Teresa Batista Cansada de Guerra (1972); Tieta do Agreste (1977), e muitas outras.
Alguns de seus romances transformaram-se em filmes, novelas e seriados de televisão. Em 1992, publica Navegação de Cabotagem, obra composta pelas reminiscências de seus 80 anos de vida.
A obra de Jorge Amado reflete seu comportamento perante a cultura do povo, da qual ele se fez conhecedor e arauto. Através da linguagem rica em expressões populares, da exposição clara e bem-humorada de costumes e tradições, da ambientação regional, traça um quadro completo do povo brasileiro, em especial da Bahia. Seus livros podem ser agrupados de acordo com a temática:
a) Ciclo social: ambientado em Salvador, caracteriza-se pela defesa das classes oprimidas e denúncia das desigualdades sociais. Pertencem a este ciclo Capitães de Areia, O País do Carnaval, Suor e outros.
b) Ciclo político: nessas obras o autor, fortemente ligado aos ideais socialistas, faz o elogio de líderes como Luís Carlos Prestes (O Cavaleiro da Esperança) e denuncia o período do Estado Novo (Os Subterrâneos da Liberdade).
c) Ciclo do cacau: as obras deste ciclo enfocam a exploração agrícola da região de Itabuna e Ilhéus, pondo a nu o coronelismo, a violência pela posse da terra, o latifúndio. Pertencem a este ciclo: Terras do Sem-Fim, Cacau e São Jorge dos Ilhéus.
d) Ciclo das mulheres (ou crônicas de costumes): sobressaem nas obras deste grupo memoráveis figuras femininas. Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tieta do Agreste, Teresa Batista Cansada de Guerra compõem este ciclo.

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Fonte:
Língua & Literatura, por: Maria da Conceição Castro. Editora Saraiva, 1ª Edição. São Paulo, 1993, págs. 205-206.

sábado, 18 de junho de 2016

José Martiniano de Alencar

José Martiniano de Alencar
(Mecejana/CE, 1829 — Rio de Janeiro/RJ, 1877)
Transfere-se com a família pa­ra o Rio de Janeiro, onde faz os primeiros estudos. Apaixona-se mui­to cedo pela literatura. Em 1843, le­va para São Paulo esboços de romance. É nessa cidade que faz o curso de Direito. Fica conhecido sob o pseudônimo de Ig; critica o poema de Gonçalves de Magalhães, escrevendo, em 1856, Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, o que motiva um séria polemica. Esse fa­to desgosta o imperador D. Pedro II. Sofre terrível campanha da par­te de José Feliciano de Castilho e de Franklin Távora, apoiados por D. Pedro II. Defendeu a autonomia do falar português no Brasil, e, por isso, foi acusado de fazer incorreções de linguagem.
José de Alencar é o mais importante dos romancistas românticos, devido à diversidade e extensão de sua obra, à sua linguagem rica e poéti­ca, e aos temas de caráter nacional que utilizou. Segundo Raquel de Quei­rós, "Alencar é o verdadeiro pai do nosso romance".
O estilo alencariano é uma das grandes contribuições à literatura bra­sileira incipiente. Alencar preocupa-se com o problema da língua e do esti­lo. A sua obra traduz particularidades sintáticas e vocabulares do falar brasileiro. Enriquece a língua literária de inúmeros tupinismos e brasileirismos. Além disso, seu estilo é sonoro e brilhante, um tanto declamatório, ao gosto da época.
Sua obra compreende romances urbanos, indianistas, regionalistas e históricos. Em seus romances urbanos, Alencar retrata a vida no Rio de Janeiro, à época do Segundo Império, mostrando os costumes burgueses brasileiros. Seus romances revelam dramas sociais e morais como a hipo­crisia, a corrupção da sociedade, o casamento por conveniência, o patriarcalismo. Defende os direitos da mulher ao amor e à liberdade, estudando perfis femininos complicados e profundos. São livros desta fase: A Viuvi­nha e Cinco Minutos, Diva, Senhora, A Pata da Gazela, Sonhos D'ouro, Lucíola, Encarnação.
Os romances regionalistas de Alencar representam quadros de várias regiões brasileiras: o sul (O Gaúcho), a área rural fluminense (O Tronco do Ipê) e o nordeste (O Sertanejo). Através da exploração dessas caracte­rísticas regionais do país, Alencar busca criar uma literatura verdadeira­mente nacional, marcada pela exaltação dos diversos tipos e das diferen­tes paisagens brasileiras.
Como criador de romances indianistas, Alencar tenta representar um selvagem que simbolize a autonomia americana e a afirmação nacio­nal. Cria personagens indígenas marcados pelas qualidades morais, pela honra e pela pureza, influenciado pela teoria do "bom selvagem" de Rousseau. São índios, na verdade, que representam os valores da cristandade e da nobreza, idealizados ao extremo, muitas vezes perdendo, na obra de Alencar, as características próprias de sua cultura. Além disso, na tentati­va de ressaltar valores nacionais, Alencar resvala no conflito simplista en­tre bem e mal, colonizador e colonizado, selvagem e civilizado. Suas prin­cipais obras indianistas são: O Guarani, Iracema e Ubirajara.
Finalmente, os romances históricos de Alencar exploram as lutas pe­la posse da terra e pelas riquezas brasileiras, mostrando as aventuras dos bandeirantes, o povoamento dos sertões e os conflitos entre brasileiros e portugueses. Suas principais obras são: As Minas de Prata, O Garatuja e A Guerra dos Mascates.
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Fonte:
Língua & Literatura: Volume 2, por: Maria da Conceição Castro. Editora Saraiva, 1ª Edição. São Paulo, 1993, pág. 135-136.