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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Noite do terror

Noite do terror
Evangélicos causam escândalo ao tentar ressuscitar criança morta
Paulínia, cidade da região de Campinas, no interior paulista, presenciou no domingo, 12 de maio, uma autêntica história de terror. E os protagonistas não foram ladrões ou sequestradores que andam apavorando a região, e sim, um grupo de evangélicos. Após o culto noturno da Assembleia de Deus, no bairro de Vila Nunes, cerca de 30 crentes, comandados pelo pastor Claudinei Batista de Paiva, 33 anos, deixaram o templo e se dirigiram para o Cemitério Municipal. Lá, eles arrombaram os portões, violaram o túmulo e desenterraram a menina Nicole Camilo Ramos, morta havia quatro dias. O corpo, já em decomposição, foi colocado sobre uma laje e o grupo começou a orar pedindo a ressurreição da menina. Acionada através de denúncia de uma das testemunhas, a polícia chegou ao local e acabou com o ritual. Do grupo, dez pessoas foram detidas, incluindo o pastor e os pais da criança.
Nicole, de apenas um ano, morreu atropelada acidentalmente pelo próprio pai, o comerciante Marcos Donizete Ramos. Ele manobrava seu carro, na garagem de casa, e não viu a garota. Inconformada com a tragédia, a família buscou o socorro espiritual da igreja. Em depoimento à polícia e aparentando tranquilidade, o pastor Claudinei contou que recebera uma revelação de Deus, mandando que ele ressuscitasse a filha do comerciante. "Temos que ter calma. Todos estavam tomados por sorte emoção por causa da maneira como a menina morreu", comentou Jair Pedro, um dos quatro advogados contratados pela Assembleia de Deus para acompanhar o caso.
Reação popular - O coveiro Adriano Trindade, que há 30 anos trabalha no cemitério, disse que nunca viu caso semelhante. O grupo foi autuado em flagrante por violação de sepultura, vilipêndio de cadáver e danos a patrimônio público. As penas somadas podem chegar a três anos de prisão para cada um dos envolvidos. Eles responderão ao processo em liberdade, pois apesar do Código Penal considerara violação de túmulo um crime inafiançável, os advogados da igreja conseguiram um habeas-corpus alegando que os réus são primários.
Em entrevista concedida à imprensa, o dirigente regional da Assembleia de Deus, pastor Samuel Ferreira, prometeu rigor na apuração do caso. Apesar da denominação pentecostal acreditar em milagres como a ressurreição de mortos, Samuel entende que Claudinei foi movido por uma fé cega. A Bíblia relata vários casos de mortos que voltaram à vida milagrosamente. Contudo, os inúmeros relatos de milagres semelhantes ocorridos hoje em dia carecem de comprovação médica, ficando restritos ao campo da fé.
Além de responder à Justiça como mentor do crime, Claudinei será submetido a uma sindicância interna da igreja para apurar os excessos do ato. Enquanto aguarda o desfecho, o pastor já resolveu que vai se mudar de cidade com a família. Ele sente-se ameaçado devido à reação popular que o episódio suscitou.


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Fonte:
Revista Eclésia. Ano VII - Nº 78 - Junho de 2002. Editora Eclesia. São Paulo, pág. 26.

O grande Cisma e o nascimento da Igreja Ortodoxa

O grande Cisma e o nascimento da Igreja Ortodoxa
Elemento central da identidade nacional russa, o cristianismo ortodoxo nasceu do chamado "Grande Cisma", de 1054. Nesse ano, o papa Leão IX excomungou o patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, que por sua vez excomungou o pontífice romano.
Desde então, surgiram dois cristianismos: o ortodoxo, que é mais "oriental", mais "primordial", mais próximo das origens da religião; e o catolicismo, que é mais "imperial" e europeu. Esses aspectos podem ser facilmente observados na arquitetura, na arte religiosa e nas vestes dos sacerdotes e religiosos de cada vertente. Os padres russos, por exemplo, usam compridas batinas pretas, chapéus especiais e longas barbas. Além disso, a Igreja Católica se deixou influenciar pela abordagem racionalista e individualista da Renascença (séculos XV e XVI) e da "filosofia das Luzes" (século XVIII), algo que não se verificou no cristianismo oriental. Em seu livro Remembering in a world of forgetting (Lembrando em um mundo de esquecimento), o escritor britânico William Stoddart traça um interessante paralelo entre as vertentes do cristianismo e do is-lamismo: segundo ele, enquanto o catolicismo, mais "sóbrio" e racional, pode ser comparado ao Islã sunita, a ortodoxia, mais mística, se aproxima do xiismo.
A causa teológica fundamental da separação entre católicos ocidentais e ortodoxos orientais foi a questão do filioque: enquanto os russos e gregos permaneceram fiéis ao estipulado pelo Concílio de Nicéia (589), segundo o qual o Espírito Santo procede somente da primeira pessoa da Trindade, os católicos introduziram, a partir do século VI, na Espanha, a cláusula inovadora de que o Espírito procede do Pai e do Filho (filioque, em latim).
Outra discordância diz respeito à autoridade religiosa. Os ortodoxos não aceitam a superioridade do papa de Roma sobre os cinco outros patriarcas da Igreja Ortodoxa (de Moscou, Constantinopla, Jerusalém, Antioquia e Alexandria). Para eles, o papa é primus inter pares ("primeiro entre iguais"), mas não concordam que tenha a palavra final em questões teológicas, morais ou disciplinares. Ele não poderia, por exemplo, ter imposto o filioque ou o celibato sacerdotal a toda a Igreja. Ao contrário dos sacerdotes católicos, os ortodoxos podem se casar e ter filhos, e o celibato é restrito aos bispos e monges. No cristianismo oriental, o divórcio é permitido por motivos graves, e rejeitado pela doutrina católica.
Os ortodoxos tampouco aceitam dogmas católicos como o da infalibilidade papal ou o da existência do purgatório. No campo litúrgico, os cristãos ortodoxos seguem o rito de são João Crisóstomo, e os católicos, o rito romano. O sinal-da-cruz também é feito de forma diferente segundo a confissão: na ortodoxia, ele vai da direita para a esquerda, simbolizando o fato de que o cristianismo nasceu no Oriente e foi levado para o Ocidente - e também que Jesus surgiu entre os judeus, mas sua mensagem foi absorvida pelos gentios. No sinal ortodoxo, três dedos se juntam para representar a Trindade. No sinal católico o sentido é o inverso e a mão está aberta, perdendo o simbolismo trinitário dos dedos.

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Fonte:
Revista História Viva. Ano 5 - Nº 53 - Março de 2002. Duetto Editorial. São Paulo, págs. 34-35.

Algumas facções judaicas

Algumas facções judaicas
Essênios: Esperavam para breve o Juízo Final. Embora houvesse uma facção celibatária, alguns essênios casavam-se apenas para procriar. Contrários à forma como era praticada a religião no Templo de Jerusalém, recusavam o sacrifício de animais e rejeitavam a prática de juramentos para reforçar suas afirmações. Praticavam banhos e banquetes rituais e defendiam a vida em comunidade, a partilha dos bens e a dedicação ao estudo e à oração.
Fariseus: Flexíveis na interpretação das escrituras, valorizavam a erudição, questionavam a tradição e adaptavam as leis às circunstâncias. Pacifistas, reformaram a tradição judaica que sobreviveu ao massacre por Roma. Acreditavam na alma imortal e na ressurreição, mas não eram messiânicos ou apocalípticos: para eles, o Reino de Deus deveria ser realizado no presente, sem aguardar por uma vida futura.
Zelotas: De origem sacerdotal, eles pregavam a expulsão dos romanos e a morte dos judeus que colaboravam com o invasor, chegando a matar os que se casavam com mulheres pagãs. Desencadearam a revolta contra os romanos que levou à Guerra Judaica (66-70 d.C.). Entre os seguidores de Jesus, Pedro, Judas e seu irmão Tiago teriam sido zelotas.
Sicários: "Homens com punhal", partilhavam das mesmas crenças dos fariseus, mas viam a guerrilha contra Roma como um preparo de ações maiores a serem realizadas na chegada do Reino de Deus.
Saduceus: Aristocráticos, estavam sempre ao lado de quem detinha o poder. Dominavam os serviços religiosos no Templo em Jerusalém, e interpretavam literalmente as leis. Reconheciam como válidas apenas as escrituras sagradas, negavam a imortalidade da alma e a ressurreição no Juízo Final.


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Fonte:
Revista Galileu. Ano 11 - Nº 128 - Março de 2002. Editora Globo. Rio de Janeiro, pág. 33.

O que é o Purgatório

Purgatório
Por: Lívia Lombardo
Só havia duas opções: ou ser quase santo e ir para o céu ou queimar no fogo do inferno
Céu e inferno. Para os cristãos de até meados do século 12, esses eram os únicos destinos das almas após a morte. Os bons, que haviam levado uma vida casta e santa, iriam para o céu. Os maus e pecadores estariam condenados ao inferno e a todas as penas ali presentes, descritas no Apocalipse da Bíblia como sendo a fome, a sede, o frio, o calor, os vermes, o mau cheiro e o fumo. Temendo esse fim, as pessoas iam mais à Igreja, se esforçavam para seguir à risca o que os padres pregavam, faziam penitências.
Mas e aqueles que não eram nem totalmente bons nem completamente maus? A ideia de salvação começou a ser desenhada algum tempo antes, no século 4, pelo teólogo Aurélio Agostinho - mais tarde, Santo Agostinho.
Para ele, os que estavam mais inclinados para a maldade tinham como destino o inferno, mas teriam a chance, por meio das orações dos vivos, de amenizar seu sofrimento. Já aqueles que não haviam sido inteiramente bons passariam por uma purgação para, talvez, alcançar o paraíso. Na época, o purgatório não era um lugar, mas uma ideia de salvação. A imagem dele como um "além" intermediário só se instalou na cristandade entre 1150 e 1250.
Bem antes de os cristãos inventarem o purgatório, outras religiões já possuíam a crença em um lugar intermediário, onde os que cometeram pecados leves poderiam se redimir de seus erros. Na índia do século 6 a.C., por exemplo, os mortos tinham três destinos distintos.
Os justos seriam conduzidos a um mundo de luz. Os maus sofreriam renascimentos de punição, sob a forma de vermes ou insetos, até caírem no inferno. Já os que levaram uma vida intermediária passariam por um período de trevas, seriam comidos pelos deuses e iniciariam um ciclo de renascimentos de perfeição até atingirem o paraíso. Já para os judeus antigos, existia uma categoria composta por homens nem bons nem maus. Eles sofreriam um castigo temporário após a morte, para alcançarem o éden.


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Fonte:
Revista Aventuras na História. Edição 43 - Março de 2007. Editora Abril. São Paulo, pág. 18.

Como foi a vida de Chico

Como foi a vida de Chico
Francisco Cândido Xavier nasceu em 2 de abril de 1910, na cidade mineira de Pedro Leopoldo. Em mais de setenta anos de atividade mediúnica, psicografou 400 livros, que venderam mais de 30 milhões de exemplares.
1927 - Sua irmã fica muito doente, Chico faz uma prece e ela se cura.
1931 - Entra em contato com Emannuel, seu guia espiritual.
1932 - Publica o primeiro livro, Parnaso do Além-túmulo, com poemas psicografados de poetas falecidos, como Olavo Bilac,
1944 - Lança Nosso Lar, sua obra de maior sucesso, uma espécie de bíblia dos espíritas. O livro, que conta como seria a vida depois da morte, vendeu 1,2 milhão de exemplares.
1959- Muda-se para Uberaba e transforma a cidade num polo de peregrinação.
1979 - O juiz de uma pequena cidade goiana aceita a psicografia de Chico como prova no julgamento de um assassinato,
1981 - É indicado para o Prêmio Nobel da Paz.
1998 - Com a saúde debilitada, o médium deixa de atender pela primeira vez aos peregrinos na Casa da Prece.
1999 - Publica sua última obra, Escada de Luz, totalizando 412 livros.
2001 - O Ministério Público apresenta denúncia contra o filho adotivo, Eurípedes Higino dos Reis, e sua ex-mulher, Christine Schulz. Eles foram acusados de desviar verbas da Casa da Prece. A denúncia está na Justiça.


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Fonte:
Revista Tudo que eu quero. Edição 76 - Nº 12 - Julho de 2002. Editora Abril. São Paulo, pág.27. 1.

sábado, 30 de julho de 2016

Entrevista com R. R. Soares

Entrevista com R. R. Soares
Evangelho de resultados
ECLÉSIA - Por que as curas e milagres são tão enfatizados pela Igreja da Graça?
R. R. SOARES - Se milagres como curas, libertações de espíritos maus e outras manifestações do poder de Deus não acompanharem a mensagem do Evangelho, este Evangelho, então, não é genuíno. É preciso observar que, segundo a Bíblia, dois terços do ministério do Senhor Jesus refere-se a milagres. Então, se nós temos que fazer as mesmas obras que ele fazia, nosso ministério também precisa ser dedicado a milagres. Eu creio que qualquer pessoa ou grupo que prestar atenção ao Evangelho e imitá-lo, vai ter o mesmo sucesso que nossa igreja.
Então este é o motivo do crescimento de sua igreja, presente hoje em quase todos os estados e até no exterior?
O nosso crescimento é devido à pregação da Palavra revelada, com profundidade. E não com filosofia, com erudição de homens. A linha de pregação que nós adotamos é aquela que Jesus falou em Mateus 24.14: "E este Evangelho será pregado em todo o mundo." Só considero a pregação do Evangelho genuína e verdadeira quando ela é a repetição daquilo que Jesus Cristo disse.
Se alguém ora e não recebe a cura, o que aconteceu? Não teve fé suficiente?
As pessoas não recebem a bênção por duas coisas: ou porque não pedem ou porque pedem mal. Quando a pessoa é bem ensinada e usa o ensinamento que aprendeu, ela recebe a bênção. Recebia no tempo de Jesus; recebe hoje também.
O senhor é adepto da teologia da prosperidade?
Eu não conheço teologia da prosperidade. Eu conheço o verdadeiro Evangelho. Agora, eu prego a prosperidade. Prefiro mil vezes pregar teologia chamada da prosperidade do que teologia do pecado, da mentira, da derrota, do sofrimento. O cidadão fala que é de Deus e fica com o aluguel atrasado, com a barriga vazia, mexendo com a mulher dos outros, sem santificação. Quando chega no fundo, aponta o dedo e fala que os que pregam prosperidade são do diabo. A teologia da prosperidade, pelo que se fala por aí, eu bato palmas. Não creio na miséria. Essa história é conversa de derrotados. São tudo um bando de fracassados, cujas igrejas são um verdadeiro fracasso. Chega lá tem meia dúzia de pessoas para ouvir. Não tem um deles com vida santificada, ao pé do altar, que seja cheio do Espírito.
Não é complicado falar de prosperidade quando se sabe que 70% dos evangélicos brasileiros sobrevive com até cinco salários mínimos?
Oséias 4.6 diz que o povo é destruído porque lhe falta conhecimento. Enquanto não tiver conhecimento bíblico, e sim doutrina de igreja e pensamento de homem, vai continuar desse jeito. Enquanto eu não aprendi a tomar posse da bênção, tivemos aqui sérios problemas financeiros. Eu mesmo sofri com um resfriado que não me largava havia dois anos. Até que exigi que o diabo tirasse a mão. Todo mundo que está na derrota tem que aprender correndo a tomar posse da bênção, senão vai continuar na derrota e dando péssimo testemunho. Esse negócio de falar que Deus é bom mas não cura, não liberta, não prospera, que bondade é essa?
Qual é o perfil do membro da Igreja da Graça?
É o nascido de novo. Nós cremos que uma pessoa, para ser membro de uma igreja, tem que cumprir o que está escrito na Palavra — ser nascido da água e do Espírito. Há aqueles que, recém-convertidos, ainda não podem produzir os frutos que se espera que um crente maduro produza.
De onde vêm os membros da sua igreja? São novos convertidos ou pessoas oriundas de outras denominações?
A maioria dos nossos membros não era evangélica. É gente que veio da idolatria e da feitiçaria. Muitos desviados, que abandonaram suas igrejas de origem devido a pecados ou por ficarem desestimulados por falta de unção e de poder, quando viram a Palavra sendo pregada da maneira como fazemos, vieram para cá. Se bem que, neste caso, a gente aconselha a que fiquem em suas igrejas. Não estamos interessados em divisão; queremos ajudar é na expansão do Reino de Deus.
Mas a rotatividade de pessoas não é muito grande também?
Não tenho explicação se isso acontece, a gente não pensa nisso. Mas em todo movimento existe esta rotatividade grande. Jesus disse que o Reino de Deus é como uma rede. Depois que se chega na praia separa-se os bons e deita-se os maus fora. Ele é que faz esta separação.
Todas as semanas, o senhor prega em três estados diferentes, fora viagens ao exterior e outros eventos. Como concilia seu tempo?
Ah, é fácil. O dia tem 24 horas; você dorme oito, e ainda sobram 16 para fazer as outras atividades (risos). É só não desperdiçar. Eu sigo um roteiro e marco tudo com antecedência, as igrejas que vou visitar, os compromissos, os eventos de que participo. Aproveito o tempo nos aviões para ler.
Mas o senhor prega várias vezes num mesmo dia. Não é difícil ter argumentos e inspiração para tantas mensagens?
A pregação é um renovo. A boa pregação não é quando você fala o que sabe, e sim quando fala o que lhe é revelado. Você se realiza na hora e o povo também. O Senhor que dá uma mensagem por semana dá 20 mensagens por semana. Você abre a boca e Deus vai dando. Quando Deus dá, é igual a um programa de computador - você enfia o disquete e em questão de segundos está lá. Eu preguei uma vez uma série de pregações, foram mais de 30, sobre o primeiro capítulo de Filipenses, que eu recebi em dez segundos. Eu estava conversando com a minha mulher num quarto de hotel e disse a ela: "Olha que série de mensagens Deus me deu aqui agora." Foi uma das melhores séries que nós já pregamos.
Missionário, como é o seu relacionamento com outros líderes evangélicos?
Até hoje tem sido dos melhores. Tenho pregado em quase todas as denominações e sempre me encontro com outros líderes. Tenho tido boa amizade com todos. Não tenho tido problemas com isso. Infelizmente, não posso atender a todos os convites que recebo, porque o tempo não dá. Hoje eu enfrento um problema - não posso ir a igrejas pequenas, porque há superlotação. Se anunciar que eu vou, dá dez vezes mais povo lá. Nem nas nossas igrejas menores eu tenho podido ir.
Como foi sua trajetória na fé?
Eu me converti com seis anos de idade. Minha mãe era católica e meu pai era desviado da Igreja Presbiteriana. Eu fui o primeiro, depois todos eles vieram. Eu sou presbiteriano de nascimento, batista de doutrina e pentecostal por convicção. E agraciado por estar na Graça. Em 1975, fui ordenado pastor na Casa da Bênção, pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes {falecido no último mês de abril]. Em seguida, iniciei a Cruzada do Caminho Eterno, a Igreja Universal do Reino de Deus {em companhia do bispo Edir Macedo, seu cunhado} e, finalmente, a Igreja da Graça.
E como foi o processo de sua ordenação ao ministério e o surgimento da Igreja da Graça?
Foi um processo muito longo para contar.
Mas não dá para resumir?
É um pouco difícil... Bem, o Cecílio sentiu no coração que Deus havia lhe falado que nós estávamos sendo chamados para uma grande obra. Nesse tempo, eu estava na Casa da Bênção. Ali, eu aprendi muito. Então, Cecílio me chamou ao seu escritório e disse: "Olha, você sabe que todo líder quer que seu ministério cresça, e eu não sou diferente. Mas vocês são jovens de valor. O Espírito Santo me falou que vocês estão sendo chamados para outra obra e eu devo consagrá-los." Aí, ele nos deu o estatuto da igreja e orientou-nos para que fizéssemos outro parecido e levássemos para ele. Se ele aprovasse, marcaria nossa consagração. Pois bem, ele aprovou e nos consagrou.
Então Cecílio já o ordenou sabendo que o senhor não ficaria com ele?
Exatamente. Ele disse mesmo: "Estou consagrando e liberando vocês. Vocês não pertencem mais ao meu ministério, só em amor." E nos abençoou. Foi um início meio tumultuado, mas Deus dirigiu as coisas. Eu pensei que seria apenas um missionário itinerante, ajudando as igrejas - um passarinho, como chamavam — mas Deus dirigiu diferente.
E por que o senhor escolheu o nome "Igreja da Graça"?
Por que é um nome lindo, não é verdade? Não há um nome mais bonito para se colocar numa igreja do que chamá-la de Igreja da Graça de Deus. E a graça divina que nos faz ser o que somos.
Já que o senhor foi ordenado pastor, por que prefere ser chamado de missionário?
Porque eu me sinto numa missão. Mas fico muito honrado quando me chamam também de pastor. Já bispo, não — dá uma conotação católica de que não gosto.
Por que a Igreja da Graça dá tanta ênfase ao televangelismo?
Ah, porque Deus nos abriu esta porta. Mas eu tive uma experiência interessante. Eu conheci a televisão quando tinha onze anos de idade, lá em Cachoeiro de Itapemirim [ES]. Fiquei olhando e, de repente, virei as costas para a tela e vi muitas pessoas também olhando para a televisão. Eu orei assim: "Jesus, não tem ninguém falando do Senhor na TV Mas eu lhe prometo que, se o Senhor me der condições, um dia eu vou falar de ti." Considero aquele como meu chamado para a TV Mas não lutei por isso, não. Deixei as coisas acontecerem.
E o senhor foi um dos pioneiros evangélicos na TV. Houve discriminação?
Antes de mim, só havia pastores americanos e o Fanini, que é batista [Nilson do Amaral Fanini, dirigente da Primeira Igreja Batista de Niterói e do projeto social Reencontro]. Do Evangelho completo, eu fui o primeiro. Eu fui à TV Tupi [hoje extinta], mas aconselharem-me a não entrar, porque era muito caro e aquilo tanto poderia ser o céu como o inferno. Mas eu senti que Deus estava dirigindo.
Qual é o investimento mensal da Igreja da Graça em televisão?
Isso eu não posso dizer por força de estatuto. Estou proibido de falar nisso. Te falo com temor de Deus. Uma das emissoras exige isso claramente no contrato. Mas é muita coisa. Só Deus mesmo para sustentar.
Boa parte dos programas é ocupada com pedidos de dinheiro. O senhor não teme que isso prejudique sua imagem?
Como nós somos pobres, e nosso povo é pobre, não temos condições de manter tantos programas sem pedir auxílio. Então, ternos que falar a verdade. Se eu tivesse uma empresa ou um grupo empresarial por trás, financiando, eu não pediria recursos. Mas a gente não tem condições. Estou usando o termo bíblico. A Bíblia diz: "Não tendes por que não pedis." Eu estou pedindo. Agora, jamais condicionei o recebimento de bênçãos ao ato de dar ofertas. Digo o contrário — ensino que fazer isso é ofender a Deus. Quem pode e quer dá.
Não seria mais vantajoso, ao invés de alugar tantos espaços, montar sua própria emissora?
Se o Roberto Marinho um dia quiser vender barato e eu puder, compro a Globo (Risos). Se ele quisesse deixar eu entrar lá também... Até hoje não deixou, não sei por que. Já esse negócio de emissora, vamos ver, Deus pode orientar alguma coisa neste sentido. Mas eu ouvi uma história de que um sujeito tinha uma página num jornal e fazia muito sucesso. Um dia, resolveu comprar o jornal e não deu certo, porque ele resolveu fazer todo o jornal do mesmo jeito.
As emissoras que veiculam seus programas estão satisfeitas com a audiência?
Eles dizem que estão satisfeitos. Até o ibope aumentou. Em uma emissora, a audiência só dava traço. Depois que a gente começou lá, passou para dois, três e até quatro pontos. E a Bandeirantes, que tinha o Paulo Henrique Amorim, nunca passava de dois. A gente chegou até três e quatro. E olha que ele é um dos melhores repórteres que tem por aí.
Na sua opinião, qual é o maior resultado dos seus programas?
Eu não sei, porque a gente lida com milhões de pessoas por dia. Mas nós temos consciência de que ajudamos todo o segmento evangélico. Se você prestar atenção, e é fácil aferir, quando nós começamos na televisão, em novembro de 1977, o Evangelho não chegava a 2% do Brasil. E por que?
Porque colocaram nos evangélicos aquela pecha de que nós éramos idiotas, inúteis e sem cultura. Depois que nós começamos, o pessoal viu na televisão que nós não falávamos errado, sabíamos expor as ideias. Além disso, colocávamos o poder de Deus em ação. Pessoas eram curadas. O Evangelho deu uma explosão e todas as igrejas se beneficiaram. Nós não fomos os únicos responsáveis, mais sim, co-autores dessa melhora.
Então os programas da Igreja da Graça ajudam no crescimento do Evangelho no Brasil?
Vou dizer mais. No fim de 1998, nós entramos na televisão à noite. E podem escrever: dentro de cinco anos, o Evangelho dobra. As igrejas estão recebendo pessoas que assistem nossos programas e tornam-se simpáticas ao Evangelho. Aí, quando alguém convida para ir na Igreja Presbiteriana, na Igreja Batista, elas vão. Um pastor da Assembleia de Deus me procurou e disse: "Missionário, vim lhe pedir um favor. Continue na televisão. Em todas as nossas igrejas, tem pessoas que começaram assistindo seus programas na televisão. O senhor está fazendo um bem muito grande para o Evangelho." Então, além desse trabalho beneficiar diretamente a Igreja da Graça, está beneficiando todas as igrejas. Isso me dá uma alegria muito grande.
O senhor acredita que o Brasil, no futuro, será um país evangélico?
Isso é inevitável. Mas eu acho que nós, líderes, temos que prestar atenção a que tipo de maioria nós seremos. Se formos maioria como são os católicos, hoje, vamos dar um péssimo testemunho. Temos que crescer com responsabilidade. Hoje nós colhemos os benefícios que a geração passada nos deu. Eles foram poucos, mas foram santos. Todo mundo sabe que crente é uma pessoa direita. Nós temos obrigação de continuar direitos para que a geração vindoura se beneficie disso.
A crise brasileira, em todos os setores - política, ética, econômica e social -, tem afetado a Igreja?
Afetado para melhor. A única instituição que merece crédito hoje é a verdadeira Igreja do Senhor Jesus. Você não encontra em nenhuma outra classe ou instituição um respeito tão grande pela verdade como o que praticam aqueles que pertencem ao Corpo de Cristo. Nós somos verdadeiramente o sal da terra. Fora, claro, aquela meia dúzia de estraga-raça que anda por aí.
O que é melhor na formação do pastor - a unção do Espírito Santo ou o estudo teológico?
Os melhores pastores não saem dos seminários. E muito bom haver seminários, faculdades etc., mas pastor é que nem jogador de futebol. Eles não saem das escolinhas; eles surgem, aparecem. Depois, só precisam ser lapidados. Aqui na Igreja da Graça, estamos promovendo treinamento intensivo para todos os pastores e seus respectivos cônjuges. São doutrinas básicas, e depois vamos seguir. Com o passar dos anos, eles vão ficar muito mais bem preparados do que jamais ficariam num seminário normal. Os grandes homens de Deus surgiram do nada, sem preparação.
Por que a Igreja da Graça não adota a Escola Bíblica Dominical?
A Escola Dominical foi inventada por alguém. Não está nem na Bíblia. A nossa igreja funciona de segunda a segunda, com cinco cursos por dia, como o Curso Fé e o Crescimento Espiritual [ministrados nos cultos, na forma de pregações, alguns em séries que duram semanas], para todas as pessoas que queiram.
O crente deve ser sempre submisso à liderança ou pode questionar o que diz o pastor?
Eu digo o seguinte: você nunca obedeça, nem siga orientação de homem nenhum, e diga: "Isso aqui é de Deus." O que Deus falar no seu coração, você pratique. É preciso saber dividir o que o homem fala e o que Deus está falando. Eu posso pregar uma hora e não lhe dizer nada. Mas em duas palavrinhas ali no meio Deus pode falar ao seu coração. O que importa é o que o Espírito de Deus está revelando. Eu não vejo porque o pastor deva ser questionado. As pessoas começam a tirar os olhos do Senhor Jesus. O pastor foi colocado na Igreja - junto com o apóstolo, o evangelista, o profeta e o mestre — para a edificação do Corpo de Cristo. Não temos que questionar. Nós temos que ouvir tudo e avaliar se aquilo é bíblico. Se Deus falou ali, louvado seja Deus. Não temos que servir nem questionar homens.
No seu ministério, o senhor é muito assediado pelas pessoas, tratado como uma celebridade?
Vamos parar de endeusar o líder, falar que o Soares é importante, é um grande homem de Deus. Se estou fazendo alguma coisa, é porque Deus está permitindo. Sou um mero servo de Deus. Hoje estou no púlpito; amanhã posso estar na porta da igreja, ajudando a colocar as pessoas para dentro. A Bíblia diz que, se andarmos no Espírito, jamais satisfaremos às concupiscências da carne. Eu nunca tive o problema, de que alguns falam, de receber uma cantada. Sempre andei no Espírito, e as mulheres sempre me respeitaram bem. Você sabe quando a mulher olha para você com interesse atravessado, e ela também percebe. Eu não tive este problema até hoje e tenho certeza de que não vou ter. Você tem que ser espiritual em todos os sentidos, meu irmão. Você vai atender uma mulher bonita, mulher feia, nova, velha, é a mesma coisa, tem que respeitar a pessoa.
Quando tentamos marcar esta entrevista pela primeira vez, sua assessoria informou que o senhor estava no período de 24 horas a sós com Deus e não poderia nos atender. Pode falar sobre isso?
Todo último dia de cada mês eu me retiro para ficar só diante de Deus. De meia-noite à meia-noite seguinte. Eu peço para não incomodarem com nada, nem mesmo se for a morte de uma pessoa que eu amo muito. Já faço isso há uns quatro anos.
E como o senhor faz?
É uma oração de intercessão. Na primeira hora, é só pela santificação. Depois, faço mais quatro períodos de meia hora, ao longo do dia. Oração de poder. Fora os outros períodos em que leio a Bíblia e oro.
Qual é o principal alvo destas orações?
Eu oro mais pelo pessoal que me ajuda como colaborador, doando 30 reais por mês, para que possamos estar na TV e no rádio, que nós chamamos de associados. É gente que não tem entendimento da Palavra, mas está sendo usada por Deus para me ajudar. Eu suplico por eles, para eles sejam abençoados. Acho que é mais que uma obrigação minha interceder por estas pessoas. Não dá para apresentar o nome de todos diante de Deus, mas o Senhor sabe.
O senhor tem aspirações políticas?
Eu tenho até medo disso. Infelizmente, alguém tem que administrar, mas é terrível esse negócio. A maioria dos que foram para lá se corromperam. Até hoje não estimulei nenhum de meus membros a ingressar na política. Aconselho a que permaneçam na obra de Deus. A vida é tão curta, meu irmão. O que um cidadão vai ganhar sendo aí presidente, senador? Vai ganhar uns aplausos, durante dez ou vinte anos. Eu prefiro ficar do lado de cá, no ministério.

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Fonte:
Revista Eclésia. Ano 6 - Nº 67. Junho de 2001. Editora Eclesia. São Paulo, págs. 26-31.

A Bíblia e os suas traduções

A Bíblia e os suas traduções
Como já visto, o Antigo Testamento foi quase too escrito em hebraico. Em sua trajetória até s dias de hoje, traduzir o texto foi uma das questões centrais da propagação de seus ideais. A primeira tradução do hebraico foi feita para o grego no decorrer do século 3°. Os judeus que viviam fora da Palestina, essência essencialmente no Egito e na Babilônia, não compreendiam a língua hebraica, e uma tradução fez-se necessária. Diz a lenda que 70 sábios se reuniram, cada um num cômodo, e só saíram após todos eles traduzirem o texto sagrado. Por incrível que pareça, as traduções foram todas iguais e tal trabalho denominou-se Septuaginta ("a tradução dos setenta"). Dentro dela, estavam os sete livros que não constam no cânone hebraico. Essa tradução para o grego foi muito utilizada em todo o Mediterrâneo para a propagação do Cristianismo primitivo das primeiras décadas após a morte de Cristo.
Dessa tradução nasceram diversas outras em línguas e idiomas da época até chegar ao latim, difundido pelo Império Romano e que dominava todo o Ocidente. Algumas traduções foram feitas, mas todas insatisfatórias até que, em 382, o bispo de Roma designou o exegeta Jerônimo para realizar a tradução oficial da Bíblia para o latim. Jerônimo viajou para a Palestina, onde ficou por cerca de 20 anos, estudou o hebraico e buscou todos os manuscritos possíveis. Sua tradução adveio direto do hebraico e ficou conhecida como Vulgata, o texto oficial do Cristianismo ocidental.
Até a invenção da gráfica em meados do século 15, a Bíblia era um livro raro e caro, pois era todo feito manualmente (cada cópia exigia a redação manuscrita de um copista) e poucos eram aqueles que tinham acesso às Escrituras. Com a tecnologia da prensa, ou seja, da capacidade de imprimir em pape através de tipos metálicos, a Bíblia pôde se difundir com mais facilidade. O primeiro livro de grande porte impresso foi a Bíblia em latim. Até 1500, já estava traduzida em alemão, italiano, francês, tcheco, holandês e catalão. No século 16, recebeu sua versão em espanhol, dinamarquês, inglês, sueco, húngaro, islandês, polonês e finlandês. A língua portuguesa só viu a Bíblia ser impressa em 1748, feita de uma tradução a partir da Vulgata de S. Jerônimo.
Traduções, a rigor, não são o verdadeiro texto. Estes se encontram só na íngua escrita originariamente. Elas são o resultado de uma determinada compreensão por parte de seu tradutor. É por isso que este precisa saber o verdadeiro sentido que o autor deu ao texto. Daí a importância da tradução para a boa profissão da fé,


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Fonte:
Revista Conhecer Fantástico: Bíblia -  O Antigo e o Novo Testamento. Ano 1 - Nº 18. Arte Antiga Editora. São Paulo, pág. 9.

Supremacia estratégica de Israel impede guerra

Supremacia estratégica de Israel impede guerra
"A grande supremacia estratégica de Israel em relação aos outros países da região representa um eficiente obstáculo impedindo que o conflito com os palestinos se transforme em guerra". Essa é a avaliação de um conhecido instituto de pesquisas em Tel Aviv.
Os países árabes nada teriam a ganhar, mas muito a perder, em uma guerra contra Israel. Por ocasião da apresentação do relatório semestral sobre o equilíbrio militar no Oriente Médio, o cientista Shai Feldman, chefe do Centro para Estudos Estratégicos (Jaffee Center for Strategic Studies), declarou que o potencial de intimidação israelense continua sendo considerável. A maioria dos países árabes teria interesse em manter a estabilidade na região e não no envolvimento numa guerra com Israel, afirmou Feldman. "Mas, é possível que o conflito com a Síria possa experimentar uma escalada. Pode-se imaginar que (o presidente sírio) Bashar el-Assad, baseado em avaliações equivocadas, sinalize luz verde para ações do Hezbollah (Partido de Alá)... criando uma reação em cadeia. Mas essa possibilidade é muito pequena".
Conforme os dados apresentados no relatório, a força de combate do Exército israelense está sendo cons-tantemente ampliada, enquanto, com exceção do exército egípcio, todos os exércitos árabes parecem encontrar-se atualmente em um estado de paralisação. Mesmo que Feldman não veja a atual situação como muito negra, ele deu a entender que o tempo não trabalha necessariamente a favor de Israel, pois um dia o Ira e o Iraque terão armas de aniquilação em massa e os mísseis de longo alcance necessários para seu transporte até Israel. No momento, porém, Israel teria uma grande dianteira nas áreas da tecnologia militar, de sistemas de armamentos altamente desenvolvidos, bem como nos serviços de comunicação e inteligência. O relatório também apresentou, pela primeira vez, o número de tanques Merkava em poder do Exército israelense, que conta com 1.280 unidades. "Políticos árabes reconhecem que em terra perderiam a guerra e que não estão em condições de competir com os avanços de Israel", explicou Feldman.
Segundo a avaliação do ex-general-de-brigada Shlomo Brom, os palestinos erraram seus cálculos quando acharam que poderiam imitar o Hesbolah no Líbano. Feldman confirmou que Yasser Arafat, o líder da Autoridade Palestina, chegou a um "momento crítico": "Arafat reconhece que, no balanço geral de forças, tanto internas como externas, é preciso que haja uma mudança de direção". Mas é difícil avaliar a dimensão da insatisfação da população palestina com a liderança política. Também não está claro se o governo israelense suportaria a pressão da opinião pública no próprio país no caso de mais um grande ataque terrorista. "Quanto a população ainda irá suportar antes que exija passos mais extremos da liderança política, que por sua vez serão usados pelos palestinos, de maneira muito eficaz, para trabalhar contra Israel nos meios de comunicação? No momento a população israelense está decidida a evitar qualquer escalada do conflito. Somente podemos esperar que isso continue assim, mas é muito difícil prever os acontecimentos... A assimetria no equilíbrio estratégico, porém, não fornece ao Exército de Israel uma liberdade de decisão em seu problema com os palestinos." Completando, Brom observou: "Aqui o lado mais fraco tem uma vantagem, pois não podemos usar todos os meios que temos à nossa disposição".


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 10 - Outubro de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite. Porto Alegre, págs. 17-18.

Ameaça islâmica (Religião)

Ameaça islâmica
Especialistas israelenses em terrorismo disseram que centenas de árabes muçulmanos, inclusive palestinos, estão aprendendo técnicas terroristas nos campos organizados por Osama Bin Laden, o suspeito de terrorismo mais procurado pelos Estados Unidos. Para os repórteres, esses pesquisadores afirmaram temer que o atual levante palestino possa ir além de uma luta por um Estado para se tornar uma "guerra santa". Yoram Schweitzer, do Instituto de Política Internacional para Contraterrorismo, sugeriu que os que estão voltando de campos no Afeganistão e na Chechênia estariam planejando uma campanha de terror. "Eles veem na disputa nacional uma boa chance de transformar esta numa confrontação religiosa", afirmou.
Os palestinos chamam o atual levante de "Intifada de Al Aqsa", referindo-se à mesquita no Monte do Templo, em Jerusalém, reivindicados tanto pelos árabes como pelos judeus. O nome, afirma Schweitzer, dá abertura para os fundamentalistas. O cientista político palestino Ghassan Khatib concorda que elementos religiosos estão tentando dar um outro sentido ao conflito. "O colapso dos esforços de paz e a contínua ocupação israelense da Cisjordânia e Faixa de Gaza fortalecem os fundamentalistas", ressaltou. Outro destacado especialista do instituto em Herzliya, Ely Karmon, disse que a meta estratégica do Hamas (um dos braços armados dos fundamentalistas) é destruir Israel pela luta armada e transformar o novo Estado em um Estado islâmico (Correio do Povo, 20/6/2001).
Na verdade, essas afirmações não deveriam ser novidade para ninguém, mas parece que grande parte do mundo ocidental não compreende o que há por trás do conflito em Israel. Até mesmo muitos evangélicos, que deveriam discernimento através do conhecimento das profecias bíblicas, não conseguem avaliar corretamente o que está em jogo. Por isso, é útil ler o que Dave Hunt diz no livro "Jerusalém - Um Cálice de Tontear":
O Islã está envolvido numa guerra santa para obter o controle do mundo! Essa guerra foi iniciada pelo próprio Maomé no século VII, e continua a ser executada hoje por seus seguidores fiéis por meio do terrorismo. Esses terroristas não são radicais ou extremistas, como os meios de comunicação instantemente os rotulam. São, antes, fundamentalistas islâmicos fiéis à sua religião e aos ensinos do Corão, seguindo fielmente as pegadas de seu grande profeta, Maomé. Como um ex-muçulmano e erudito islâmico afirmou:
"Nunca devemos imaginar que tais muçulmanos estejam sendo desnecessariamente perversos. Eles estão simplesmente sendo fiéis à sua religião. A atitude que um bom muçulmano deveria ter para com um judeu ou um cristão não é segredo para ninguém. Na verdade, muito do incitamento à violência e à guerra em todo o Corão é dirigido contra os judeus e os cristãos que rejeitaram o que pensavam ser o estranho deus que Maomé tentava pregar."
Numa tentativa esquizofrênica de negar a verdade, muitos muçulmanos, especialmente os que exercem liderança civil, insistem que o Islã é uma religião pacífica. No entanto, o terrorismo dirigido contra nações árabes com o fim de pressioná-las a adotar a lei islâmica está em perfeito acordo com as táticas que o próprio Maomé empregou para forçar a obediência ao Corão... a violência e o terrorismo têm sido os meios de expandir o Islã desde o princípio, com Maomé e seus sucessores. Esse é o ensino do Corão. Os ensinos do Islã, na verdade, inspiram o terrorismo árabe ao redor do mundo... Os atentados à bomba e os assassinatos vêm de uma motivação religiosa genuína: a destruição de Israel e a sujeição final de todo o mundo à lei islâmica...
Eis aí uma fraternidade de assassinos! Que "deus" abençoaria o terrorismo e a matança de inocentes? Os terroristas islâmicos acreditam estar seguindo as instruções, e ter as bênçãos de Alá. É essa fé que dá aos terroristas islâmicos tamanho zeIo e os faz dispostos a sacrificar as próprias vidas pela causa da conquista do mundo pelo Islã. Na verdade, o massacre de inocentes é uma prática honrada no Islã. Em sua guerra contra o Iraque, a República Islâmica do Ira, sob a orientação dos líderes religiosos, limpou campos minados utilizando milhares de garotos de escolas primárias para andar à frente das tropas e dos tanques... Tal sacrifício fanático de vidas é considerado a mais alta façanha no Islã. Como explicou o aiatolá Khomeini: "A mais pura alegria do Islamismo é matar ou morrer por Alá." Ambas as opções trazem consigo a promessa do paraíso... Para a mente ocidental é impensável que "Deus" pudesse encorajar tal massacre. Para o muçulmano, todo derramamento de sangue são a expressão máxima da religião e o caminho seguro para a recompensa eterna...
Não é por acaso que grande parte do terrorismo internacional seja praticado por muçulmanos, nem é estranho que eles não sintam quaisquer remorsos pelo assassinato de mulheres e crianças inocentes. Afinal, todas as vítimas são vistas como infiéis. Também não pode ser negado que é o Corão que dá a um jovem muçulmano a coragem de amarrar uma bomba a seu próprio corpo e detoná-la para matar judeus em Israel. Tal ato, infame por qualquer outro padrão, conquista para o muçulmano a mais alta recompensa no céu...
O fundamentalismo islâmico está em alta em todo o Oriente Médio. Alcança até mesmo o Ocidente, onde o islamismo é a religião que cresce mais depressa. Suas mesquitas estão sendo construídas em número crescente por toda a Europa, Estados Unidos [e outros continentes]...


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 23 - Julho de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite. Porto Alegre, págs. 15-16.

Por que os anjos são tão populares? (Religião)

Por que os anjos são tão populares?
Por: Ciro Sanches Zibordi
Nunca os anjos foram tão populares como nos dias de hoje. Nos Estados Unidos da América, três em cada quatro pessoas creem em anjos, e cinco em cada dez livros entre os best-sellers são obras voltadas à angelologia. No Brasil, a simpatia pelo esoterismo transformou o mundo angélico em um grande negócio. Segundo José Tadeu Arantes, os anjos "...estão nas páginas dos livros mais vendidos, nos palcos de teatro e nas telas de cinema, nas capas de revistas... e nas convicções mais íntimas de milhões de pessoas" (Globo Ciência, fevereiro/96, pág. 23).
Há alguns anos, Mônica Buonfiglio, mãe-de-santo e apresentadora de um programa de televisão, vem se notabilizando no mercado editorial. Sua notoriedade começou com o confuso livro Anjos Cabalísticos, que superou a marca das 135 edições. Suas obras mais recentes já ocupam as primeiras posições nas listas de best-sellers dos principais jornais e revistas. Quanto à inspiração para escrever, ela declara: "Comecei trabalhando com a potência dos Orixás" (Anjos Cabalísticos, pág. 11).
Não é preciso ler muitos parágrafos das obras da senhora Buonfiglio para descobrir quão antibíblicas são as suas ideias. Segundo ela, "Deus não precisa perdoar (...) É inútil e desnecessário pedir perdão a Ele" (Anjos Cabalísticos, pág. 13). É claro que o Deus citado por ela não é o mesmo da Bíblia, amoroso e perdoador: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça", 1 Jo 1.9.
Biblicamente, os anjos (do grego angelos) são mensageiros espirituais. Mas nem todos são portadores de mensagens de Deus. Para quem não sabe, satanás e seus agentes são anjos do mal (Ap 12.7).
Conhecendo a existência de anjos caídos, Paulo alertou: "...ainda que (...) um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado seja anátema", Gl 1.8. O apóstolo falou de "anjo do céu" porque os anjos caídos habitam as regiões celestiais (Ef 6.12), tendo como líder o príncipe das potestades do ar, o diabo (Ef 2.2).
E impressionante a variedade de nomes de anjos constantes da literatura encontrada nas principais livrarias do País. Na verdade, desde a Idade Média, diversas tentativas de acrescentar nomes à lista de anjos têm sido feitas. No século XV, Amadeu, um monge português, disse que Deus lhe revelara o nome de mais quatro anjos: Uriel, Baraquiel, Jeudiel e Seatiel. A igreja católica romana reconhece o "arcanjo" Rafael, mas este só aparece no livro apócrifo de Tobias, inserido na Bíblia católica por ocasião do Concilio de Trento, em 1546.
Tomando emprestados alguns ensinamentos do romanismo, os escritores modernos apresentam nove classes angelicais, nessa ordem: serafins, querubins, tronos, dominações, potências, virtudes, principados, arcanjos e anjos. Segundo a senhora Buonfiglio, essas nove categorias possuem príncipes (ou arcanjos): Metatron, Raziel, Tsaphkiel, Tsadkiel, Camael, Rafael, Haniel, Mikael e Gabriel.
De onde foram tirados esses nomes? Da teosofia, da magia egípcia, do espiritismo etc., menos da Palavra de Deus. Nas Escrituras, os únicos anjos de Deus identificados por nomes próprios são: Miguel, o arcanjo, príncipe dos anjos de Deus (Dn 12.1; Jd 9), e Gabriel (Dn 8.16; Lc 1.19), os quais assistem diante do Senhor. Além disso, as páginas sagradas apresentam claramente apenas duas categorias específicas, além dos anjos propriamente ditos: os serafins (Is 6.1-8) e os querubins (Gn 3.24).
Outro conceito muito difundido pela angelologia moderna é o de que para cada pessoa existe um anjo da guarda. Paulo Coelho, principal propagador da Nova Era no Brasil, narra, em seu As Valkírias, uma curiosa experiência que teve nos EUA. Depois de conversar com um mago sobre anjos, ele e sua mulher encontraram oito motoqueiras com roupas pretas (as "valkírias"), que lhes ensinaram a maneira de encontrar o anjo da guarda.
A categoria "anjo da guarda", entretanto, não consta das páginas sagradas, embora os crentes fiéis e tementes a Deus, além das crianças, sejam protegidos por anjos (SI 34.7; Mt 18.10). Isso não significa que o amoroso Deus se recuse a proteger, eventualmente, as demais pessoas, a fim de lhes conceder oportunidades de salvação (Hb 1.14).
Afinal, por que os anjos são tão populares? Porque os homens estão cada vez mais longe de Deus. Embora os seres angelicais sejam apenas criaturas do único Deus verdadeiro (Jo 17.3), eles são invocados e adorados como deuses. Essa ideia não é recente, pois os pensadores dos séculos II a.C. a IV d.C. já afirmavam que os anjos são parte integrante da "divindade única".
Embora "magníficos em poder", os anjos limitam-se a executar a ordem do Senhor (SI 103.20). Por isso, não devem ser adorados pelo ser humano (Ap 22.8,9). Como seres criados por Jesus (Cl 1.16), eles adoram ao seu Criador (Hb 1.6). Nesse ponto, vale lembrar a enfática declaração de Paulo sobre os homens dos últimos dias:"... mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram a serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém", Rm 1.25.


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Fonte:
Revista  A Seara. Ano 40 - Nº 2 0 Janeiro de 1997. CPAD. Rio de Janeiro, pág. 15.

Quem são os Judeus messiânicos?

Quem são os Judeus messiânicos?
Por: Adriana Reis
Surgido há cerca de vinte anos nos Estados Unidos, o movimento judaico-messiânico congrega os judeus que acreditam que Cristo é o Messias anunciado nos textos sagrados. Ancorado em grupos como o Jews for Jesus (Judeus para Jesus), os messiânicos propõem o que, segundo eles, seria uma volta às origens do Judaísmo e do Cristianismo primitivo: a união de símbolos, rituais e costumes judaicos com a veneração de Jesus como o Messias. O problema é que justamente na base dessa proposta doutrinária repousa um paradoxo de difícil solução: a união do Cristo Messias com o Judaísmo. Explica-se.
Um dos pilares da fé judaica é a crença na vinda do Messias, ao contrário dos cristãos, que professam que Ele já se manifestou, na figura de Jesus. Ou seja, ao afirmarem-se como judeus, mas ao mesmo tempo defenderem que o Salvador já veio, expõem uma indefinição inerente ao movimento. Segundo os estudiosos, o grupo seria, em si mesmo, contraditório, pois as duas ideias são inconciliáveis. "O Judaísmo e a ideia de Cristo como o Messias são excludentes entre si", afirma o teólogo Sandro Bussinger, da Igreja Reformada de Belo Horizonte. "A cosmovisão, a exegese, a teologia e a ecleseologia são diferentes entre os judeus autênticos e os messiânicos."
Alheios à polêmica, enquanto pregam o caráter messiânico de Jesus, os seguidores do movimento pautam sua vida segundo os princípios dos judeus tradicionais: seguem os preceitos estabelecidos pela Torá — o livro sagrado do Judaísmo —, guardam o sábado, não comem carne de porco e fazem a circuncisão de seus filhos. Segundo afirmam, ao aceitar Cristo como Messias eles não estariam se convertendo ao Cristianismo, mas, antes, tornando-se judeus legítimos. "Buscamos seguir o princípio da lei judaica para nos realizarmos como judeus verdadeiros", diz o rabino messiânico Marcelo Guimarães, de Belo Horizonte.
O movimento, contudo, não é reconhecido pelos judeus tradicionais. "Não os consideramos como parte da comunidade judaica", afirma o rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira. "Como judeus, não cremos que o Messias já tenha surgido, pois, quando isso acontecer, a Terra voltará à sua condição paradisíaca, sem guerras, pobreza ou injustiça social, com a natureza no mais perfeito equilíbrio. E todos podemos ver que isso ainda não aconteceu." Os judeus messiânicos, por sua vez, discordam dessa avaliação. "Nosso movimento é autenticamente um Judaísmo bíblico, pois considera o pai Abraão, Moisés, David, os profetas, assim como os judeus", afirma Marcelo Guimarães.
Seja como for, o movimento conta hoje com cerca de 1,5 milhão de seguidores no mundo, concentrados principalmente nos Estados Unidos, onde fica a sede da Union of Messianic Jewish Congregations, que reúne todas as congregações judaicas messiânicas no mundo. No Brasil, onde chegou há cerca de dez anos, são em torno de l 300 integrantes, segundo o último levantamento realizado pelo movimento.


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Fonte:
Revista das Religiões. Edição 12 - Agosto de 2004. Editora Abril. São Paulo, pág. 10.

Einstein acreditava em Deus?

Einstein acreditava em Deus?
Nem mesmo as mentes mais brilhantes conseguiram ignorar os mistérios da fé. Grandes cientistas como o italiano Galileu Galilei (1564-1642), o inglês Isaac Newton (1642-1727) e o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) fizeram referências a Deus em seus trabalhos.
Por outro lado, entre as citações interpretadas mais erroneamente estão as do físico alemão Albert Einstein (1879-1955), um dos mais conhecidos e reverenciados cientistas do século 20 devido à verdadeira revolução que provocou na física. Costuma-se atribuir a ele uma profunda religiosidade. Sua famosa frase "Deus não joga dados", em objeção ao caráter probabilístico da mecânica quântica, levou muitas pessoas a crer que ele acreditava num ser superior semelhante ao homem.
No entanto, Einstein deixou muito claro em diversas outras afirmações que seu conceito de divindade não tem relação nenhuma com o Deus pessoal das religiões ocidentais — mais ou menos a imagem de um ser onisciente,todo-poderoso, que pune —, mas com a harmonia do Universo. "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos", disse ele em um telegrama para a imprensa em 1929.
No livro "Einstein e a Religião", o físico alemão Max Jammer diz que a ideia de religião de Einstein exclui a de revelação, segundo a qual Ele se mostra por atos, como a aparição a Moisés, no Antigo Testamento, ou pelo nascimento, vida e morte de Jesus, ou de palavras proferidas por um anjo, como diz o Corão. Seu conceito de Deus não admite imagem mental. Einstein diz que Ele só pode ser concebido pela "racionalidade ou inteligibilidade do mundo que está por trás de qualquer trabalho científico de ordem superior".


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Fonte:
Revista Galileu. Ano 11 - Nº 132 - Julho de 2002. Editora Globo, pág. 24.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva (1998)

Entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva
"Os evangélicos vão colaborar com meu governo"
O candidato do PT à presidência defende os temas sócias, a soberania nacional e a liberdade religiosa
Por: Carlos Fernandes
Nos últimos 20 anos, nenhum político brasileiro conseguiu se identificar mais com a classe trabalhadora do que Luiz Inácio Lula da Silva. Casado com Marisa Letícia, cinco filhos, 52 anos de idade, metalúrgico de profissão e líder por vocação, a vida de Lula daria muito mais do que um livro. Desde que migrou, com a mãe e sete irmãos, da pequena Garanhuns (PE), em direção a São Paulo, numa viagem de 13 dias a bordo de um pau-de-arara, sua vida não parou de dar voltas. Típico retirante nordestino, o menino vendeu comida na rua, foi engraxate e office-boy. Por acaso, conseguiu emprego numa fábrica de parafusos, o que lhe abriu as portas para a profissão de metalúrgico, na qual haveria de tornar-se um dos maiores líderes políticos da história do Brasil.
Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o mais poderoso do país, Lula liderou as históricas greves no ABC Paulista, que desafiaram o regime militar, no fim dos anos 70. Preso como subversivo, o líder emergente percebeu que aquele movimento só poderia ser levado adiante através de uma ampla mobilização dos trabalhadores. Em 1980, Lula e um grupo de sindicalistas, religiosos, intelectuais e representantes de movimentos sociais fundaram o Partido dos Trabalhadores (PT), sigla que, poucos anos depois, teria influência decisiva na política brasileira. Nas eleições de 1986, Lula tornou-se o deputado federal mais votado do país e teve atuação marcante na elaboração da Constituição de 1988, sempre defendendo os interesses dos trabalhadores. Estava preparado, então, o caminho para o mais alto voo jamais tentado por um operário brasileiro: a disputa da presidência da República, em 1989. Se contava com o apoio de inúmeros segmentos, Lula tinha contra si a antipatia de muitos grupos evangélicos, que chegaram a dizer que, se eleito, o candidato do PT acabaria com a liberdade religiosa e até fecharia igrejas. Numa campanha memorável, Lula chegou ao segundo turno, onde obteve cerca de 31 milhões de votos, mas perdeu para Fernando Collor de Mello. O fim do sonho embalado pela canção Sem medo de ser feliz foi o pontapé inicial de uma série de viagens por todo o país, que ficaram conhecidas como as Caravanas da Cidadania. Ao longo de quatro anos, Lula despontou como candidato imbatível - a faixa presidencial parecia, apenas, uma questão de tempo.
Nas eleições seguintes, em 1994, nova derrota, desta vez para o atua! presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Uma perda amarga, ainda mais porque, apenas cinco meses antes daquele pleito, Lula já era considerado presidente eleito, com uma aceitação popular que beirava os 50%. A partir dali, a oposição se enfraqueceu, atropelada pela aliança de partidos de centro e direita que compõem a base de sustentação política do Governo Federal.
Quando muita gente não acreditava numa nova candidatura. Lula anunciou, no início deste ano, sua intenção de concorrer, pela terceira vez consecutiva, ao Planalto.
VINDE resolveu entrevistar os dois candidatos mais bem posicionados na corrida presidencial deste ano. Nesta edição, Lula fala de suas ideias, seus planos para o governo, sua relação com os evangélicos e faz, a seu modo, um retrato da situação do país. Em setembro, a vez é do presidente Fernando Henrique - que concorre à reeleição -, cuja entrevista já está agendada. Sem ter a pretensão de influenciar a opção eleitoral do leitor, VINDE abre espaço para o debate político, que deve ser tão democrático quanto a fé.
Se o senhor for eleito, quais serão as primeiras atitudes do governo Lula?
Vemos nos concentrar na adoção de políticas capazes de gerar empregos. Essa é a prioridade mais urgente. Junto com isso, cuidaremos desde o primeiro dia dos graves problemas na área da saúde, da educação, da previdência social e da agricultura. Também vamos atuar no combate à seca.
Que alterações o senhor pretende fazer na política econômica?
A atual política econômica defende os interesses dos grandes e dos gigantes. Mesmo quando esses gigantes têm pés de barro, como foi o caso dos banqueiros socorridos com os 20 bilhões de reais do Proer [programa criado pelo Governo Federal para sanear instituições financeiras], dinheiro esse que faz falta no prato do brasileiro. Mudaremos isso. Nossa preocupação maior será estimular economicamente o pequeno e o médio, para que o país retome o crescimento, com justiça social.
Quais os maiores defeitos, na sua opinião, do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso?
O desprezo pelo ser humano e o desinteresse pelas questões sociais.
O candidato a vice-presidente na sua chapa, Leonel Brizola, declarou que pretende rever as privatizações, um dos carros-chefes do atual governo. O que será feito, de fato, neste campo?
Meu governo estará voltado para o futuro, e não para o passado. Mas algumas privatizações tiveram aspectos muito suspeitos. Faremos apuração rigorosa e auditorias. Se descobrirmos que houve delitos e irregularidades, cumpriremos com nosso dever e vamos exigir punições judiciais.
No passado, criticou-se o PT por sua política de isolacionismo. O senhor pretende fazer um governo de coalizão?
Na atual campanha, nosso arco de alianças está mais amplo e mais forte. Os problemas do Brasil são graves demais para serem enfrentados por um só partido. Nosso governo contará com a força dos que já estão conosco e de muitas lideranças independentes, que aceitarão o chamado dessa missão de justiça.
E o senhor aceitaria o apoio de forças como o PMDB e o PFL?
Em alguns estados, o PMDB tem figuras corajosas, que têm denunciado os erros e as injustiças praticadas pelo atual governo. No Congresso Nacional, em particular, buscaremos boas relações com esses setores. O PFL é o grande pilar de sustentação do atual governo. Não tem sentido pensar em apoio de um partido identificado com as elites, com a indústria da seca, com negociatas de todo tipo.
O que será feito para reduzir o desemprego, que o senhor tanto vem criticando em sua campanha?
Adotaremos políticas emergenciais capazes de gerar empregos imediatamente, através de incentivos à pequena agricultura, construção de moradias, obras de combate à seca e redes de saneamento básico. Junto com a retomada do crescimento, isso produzirá queda segura no desemprego.
As reformas constitucionais, consideradas fundamentais pelo presidente FHC, alteraram profundamente as relações sociais e trabalhistas no Brasil. O senhor pretende dar continuidade a este programa reformista?
O que Fernando Henrique tentou foi um conjunto de contrarreformas, sempre orientadas para anular conquistas sociais e enfraquecer a soberania nacional. Vamos buscar verdadeiras reformas, como a reforma agrária, que ampliem os direitos de cidadania, garantam maior produção de alimentos e menos conflitos no campo.
O que fazer para frear o crescimento do déficit público e da dívida externa?
A retomada do crescimento econômico, e não a elevação de impostos, trará aumento na arrecadação, reduzindo esse déficit. Mas, sobretudo, será preciso corrigir a elevada taxa de juros fixada pelo Banco Central. Ela é a maior responsável pelos déficits crescentes. O enfrentamento da dívida externa envolve várias medidas. Uma delas é interromper a farra das importações. Outra é iniciar uma política industrial séria, que faça as exportações crescerem. Também será preciso fazer renegociação com os credores, com a voz firme de um país que não pode ser tratado como republiqueta.
Saúde, educação e segurança são temas recorrentes em campanhas eleitorais. Objetivamente, quais são seus planos nestas áreas?
Na saúde, vamos dar prioridade para a medicina preventiva e para o médico da família. É mais eficiente e mais barato tratar as doenças antes de elas se tornarem graves. Na educação, vamos promover a defesa do ensino público e a elevação de sua qualidade, com o incentivo à qualificação dos professores e à pesquisa. Um carro-chefe será a Campanha Nacional de Alfabetização que, finalmente, marcará a data para completa erradicação do analfabetismo. Na segurança, o combate rigoroso ao crime será feito em paralelo à valorização e reeducação das forças policiais, eliminando a corrupção e o desrespeito aos direitos humanos.
Como será sua relação com as Forças Armadas? O senhor pretende aumentar as verbas destinadas à defesa nacional?
Vamos criar o Ministério da Defesa e manter com as Forças Armadas relações absolutamente normais e regulares, conforme previsto na Constituição. Quanto à fatia do orçamento, não existe mais Guerra fria, nem corrida armamentista. Os gastos não podem ser os mesmos daquele tempo. Mas as Forças Armadas não podem perder condições operacionais. Por isso, devem ser mantidos os níveis sensatos de renovação de equipamentos.
O senhor se sente vítima do temor da sociedade por um governo esquerdista ou acha que existe uma campanha permanente contra o senhor?
Sinto claramente que esses temores, onde existem, são fruto da desinformação e de calúnias. Onde converso com as pessoas, expresso minhas ideias e adianto nossa linha de governo, tudo isso cai por terra. Meu governo terá um perfil democrático e popular.
O senhor disputou a presidência duas vezes consecutivas e chegou em segundo lugar em ambas. Na sua opinião, quais foram os motivos das derrotas eleitorais em 1989 e 1994?
Para o Collor, em 1989, acho que perdi em dois momentos. O primeiro foi quando não tivemos humildade de conversar com o PMDB, para ver se conquistávamos os 5% de votos que o doutor Ulysses Guimarães teve. O outro foi aquele último debate [levado ao ar pela Rede Globo de televisão, a poucos dias do segundo turno]. Eu cometi um crime contra mim e contra as pessoas que acreditavam em mim. Eu não poderia ter feito o comício do Rio de Janeiro - que terminou à meia-noite -, para depois chegar em São Bernardo à uma da manhã, onde fui a um jantar para angariar fundos até as 3h. Logo depois, viajei para Brasília, pensando que ia voltar às 10h, mas só voltei às cinco da tarde. Aí, fui para o debate. Nas 48 horas que antecederam o debate, eu dormi apenas três horas. Acho que aquilo foi uma total irresponsabilidade com o projeto que poderia ter feito com que eu ganhasse. A terceira coisa foi a montagem do debate que a Globo fez no Jornal Nacional. Já com o Fernando Henrique, eu acho que perdi porque ganhei as eleições antes do tempo. Eu já era considerado presidente da República em maio [a cinco meses das eleições]. Por isso, foi possível, então, fazer a aliança que eles fizeram, além do plano de estabilização econômica. E, também, nós passamos a campanha inteira sem ter a crítica correta ao projeto econômico, ao Plano Real. Eu acho que isso foi fatal.
No momento desta entrevista, pesquisas de opinião apontam 41% de preferência do eleitorado pelo candidato - e atual presidente -Fernando Henrique, enquanto o senhor está com 25%. Há alguma estratégia em andamento para reverter o quadro nesta reta final?
Nossa campanha está apenas começando. A do FHC já dura dois anos e tem todo o apoio dos grandes veículos de comunicação. A estratégia é percorrer os estados e mostrar, no nosso horário de rádio e TV, que a seca do Nordeste está se agravando, que o desemprego cresce, e as elites tiraram esses temas do noticiário. A seca continua no Nordeste com a mesma gravidade. Só que, do ponto de vista político, não interessa à classe dominante continuar falando de seca, porque pode prejudicar. Mas acontecerá o que diz aquela passagem bíblica que os evangélicos conhecem bem: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".
E por falar em pesquisas eleitorais, o senhor acredita nelas?
As pesquisas refletem apenas um momento, ou seja, a intenção de voto na ocasião da pesquisa. Todos sabem que ocorrem mudanças e reviravoltas, até mesmo na véspera das eleições. Nos últimos anos, aconteceram também casos de manipulação e de apurações mostrando resultados opostos aos das pesquisas.
Então, o FHC de 1998 pode ser o Lula de 1994 e perder uma eleição tida como ganha?
Pode. E em minhas viagens pelo Brasil, em meus contatos com o povo, com os pequenos, sinto isso com muita força.
No seu governo, o que será feito em face do processo de globalização que domina o mundo? Além do Mercosul, o senhor pretende apoiar a aproximação do Brasil com outras alianças de nações, como a União Europeia e o Nafta, que inclui os países da América do Norte?
A globalização pode trazer aspectos muito positivos. Mas desde que o Brasil participe nela como uma nação soberana, portadora da décima economia mundial, de reservas estratégicas incalculáveis, uma população de 160 milhões e um dos mais ricos territórios do planeta. Não como uma pequena peça, secundária e subordinada. Vamos participar da globalização de cabeça erguida, com projetos de desenvolvimento nossos, sem vergonha de sermos brasileiros, querendo gerar empregos aqui, querendo melhorar a agricultura. Este ano, o Brasil vai importar US$ 2 bilhões em arroz, milho e feijão. Para que importar feijão, que na lavoura dá em setenta dias? É por isso que o superávit argentino em relação ao brasileiro foi de US$ 1,4 bilhão. Vamos fazer abertura de fronteiras de acordo com os nossos interesses. Os Estados Unidos fazem assim, e por isso mandam no mundo. O Mercosul é um passo muito importante, e as relações com a União Europeia interessam muito ao Brasil. Quanto ao Nafta, e principalmente à Alça [aliança de países da América Latina], proposta pelo presidente americano Bill Clinton, há necessidade de cautela, porque existem indícios de imposição de força. E o Brasil não pode aceitar isso. Nós queremos uma nação forte, soberana, e uma nação forte tem de ter ingerência nas grandes decisões econômicas, no país e na Organização Mundial do Comércio, que é onde as coisas se decidem. Portanto, nós temos divergência com muitos pensadores americanos, que querem tornar o Estado brasileiro uma zona franca. Nós queremos uma nação livre e soberana, em que o povo tenha orgulho de andar de cabeça erguida.
Qual será a receita do seu governo para evitar que o país sofra um ataque especulativo e enfrente uma crise semelhante à da Indonésia e outras nações asiáticas?
A retomada do crescimento econômico e a estabilidade social que vamos garantir atrairá investimentos produtivos, que são muito mais necessários que os especulativos. Medidas econômicas consistentes, interligando taxa de juros, câmbio, equilíbrio fiscal e correção na balança comercial, afastarão todos os riscos de ataque,
O senhor acredita em Deus? Professa alguma religião?
Acredito em Deus e sou católico.
O que o senhor acha do crescimento do segmento evangélico no Brasil?
Acho importante, porque isso significa uma liberdade de opção e de credo religioso, o que é fundamental numa democracia.
Na sua opinião, de que forma a rede de igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil poderia ajudar a resolver problemas como a fome, o analfabetismo e o desemprego?
A rede de igrejas evangélicas pode desempenhar um papel fundamental em meu governo, através de parcerias e, mais que isso, através da apresentação de propostas concretas de políticas públicas. A Campanha Nacional de Alfabetização é um exemplo de área onde essa rede pode ter um desempenho fabuloso. Outro exemplo é o conjunto de atividades que dedicaremos a setores como a infância desassistida, acompanhamento de pessoas da terceira idade, mobilizações de saúde preventiva, campanhas de combate à fome etc.
O senhor conta com algum assessor de campanha que o aconselha em relação aos evangélicos?
Não tenho um assessor formalmente designado para tanto. Mas, em meus frequentes encontros com pastores e com lideranças ligadas a esse segmento, recebo boas doses de assessoria, conselhos e explicações.
E pretende contar com algum evangélico na sua equipe de governo?
Pretendo contar com pessoas de todas as religiões.
O senhor acha que o Lula não assusta mais os crentes? A que atribui isso?
Quando as pessoas decidem conversar comigo, me ouvir, trocar opiniões, nenhum medo sobrevive. A verdade liberta.
Na sua atual campanha, o senhor chegou a pedir o apoio de algum líder evangélico? Qual foi a receptividade?
Tenho pedido apoio de inúmeros líderes evangélicos e a resposta tem sido bastante positiva. Até a grande imprensa tem noticiado isso, embora parecendo estar sentindo algum incômodo.
Alguns grupos cristãos, como o Movimento Evangélico Progressista (MEP), com sede em Belo Horizonte (MG), apoiam sua candidatura publicamente. Sua campanha tem tido apoio de outras entidades evangélicas?
Tenho a impressão de que citar o nome de algum movimento poderia ocasionar uma injustiça, pelo possível esquecimento de outro. Estão brotando iniciativas neste sentido em todo o país. Um comitê evangélico de Belém do Pará está solicitando agenda. Como vocês falaram, existe o MEP de Belo Horizonte. A senadora Benedita da Silva está articulando apoios no Rio, e acontece o mesmo em praticamente todos os estados. Eu sinto uma força incomparavelmente maior do que nas campanhas anteriores.
O senhor tem algum projeto voltado diretamente para o segmento evangélico?
Tenho aquele conjunto de projetos de que já falamos, envolvendo a parceria entre governo e igrejas. Em resumo, trata-se do próprio coração do meu projeto de governo, que é a ampliação dos projetos sociais, da valorização do ser humano, da solidariedade exercida com fé e compromisso. E não frases vazias e mera propaganda clientelista, como aconteceu com o governo FHC.
Qual a sua maior preocupação nesta campanha?
O que mais me preocupa é a manipulação do poder econômico e dos meios de comunicação. Eu estou disputando com um cidadão que é presidente da República, então o que vai acontecer? A partir da convenção oficial, eu não posso entrar no ar, em rede de rádio ou televisão, porque sou candidato. Ele pode entrar como presidente da República. Eu quero saber qual vai ser o momento em que se vai separar o presidente do candidato. Nós não estamos fazendo uma campanha em igualdade de condições. Nós estamos disputando contra o poder do Estado e o poder da comunicação. E qual é a nossa vantagem? É que nós temos o poder da razão. Milhões de brasileiros estão indignados com a quantidade de mentiras, e a nossa campanha vai ser um movimento em que vamos envolver artistas, intelectuais, empresários, pastores, padres, freiras, desempregados, empregados, pequenos e médios produtores, quem quiser. E nós vamos ganhar (1998)


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Fonte:
Revista Vinde. Ano III - Nº 33 - Agosto de 1998. Editora Vinde. Rio de Janeiro, págs. 12-15.