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sábado, 30 de julho de 2016

Einstein acreditava em Deus?

Einstein acreditava em Deus?
Nem mesmo as mentes mais brilhantes conseguiram ignorar os mistérios da fé. Grandes cientistas como o italiano Galileu Galilei (1564-1642), o inglês Isaac Newton (1642-1727) e o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) fizeram referências a Deus em seus trabalhos.
Por outro lado, entre as citações interpretadas mais erroneamente estão as do físico alemão Albert Einstein (1879-1955), um dos mais conhecidos e reverenciados cientistas do século 20 devido à verdadeira revolução que provocou na física. Costuma-se atribuir a ele uma profunda religiosidade. Sua famosa frase "Deus não joga dados", em objeção ao caráter probabilístico da mecânica quântica, levou muitas pessoas a crer que ele acreditava num ser superior semelhante ao homem.
No entanto, Einstein deixou muito claro em diversas outras afirmações que seu conceito de divindade não tem relação nenhuma com o Deus pessoal das religiões ocidentais — mais ou menos a imagem de um ser onisciente,todo-poderoso, que pune —, mas com a harmonia do Universo. "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos", disse ele em um telegrama para a imprensa em 1929.
No livro "Einstein e a Religião", o físico alemão Max Jammer diz que a ideia de religião de Einstein exclui a de revelação, segundo a qual Ele se mostra por atos, como a aparição a Moisés, no Antigo Testamento, ou pelo nascimento, vida e morte de Jesus, ou de palavras proferidas por um anjo, como diz o Corão. Seu conceito de Deus não admite imagem mental. Einstein diz que Ele só pode ser concebido pela "racionalidade ou inteligibilidade do mundo que está por trás de qualquer trabalho científico de ordem superior".


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Fonte:
Revista Galileu. Ano 11 - Nº 132 - Julho de 2002. Editora Globo, pág. 24.

domingo, 17 de julho de 2016

Existência de Deus: Argumento Moral

Argumento Moral
Esse argumento apela para a natureza e a consciência do homem. Parte do pressuposto que o homem, seja ele o ser mais carrasco ou o ser mais gentil, é um ser moral e é também um ser que traz, dentro de si, um juiz. O homem tem uma natureza moral que não foi adquirida por processo evolucionista de educação nem por um desconhecido ato de implantação pelo acaso. A consciência de qualquer homem testifica a realidade de uma lei. A lei leva a um legislador. E o conteúdo desta lei revela-nos o caráter do legislador. O homem carrega, como parte intrínseca e entranhavelmente interiorizada, o senso de responsabilidade. Ele é obrigado a responder pelos seus atos. Há uma "pressão" (e é inútil negar) que impulsiona o homem a cumprir a lei do dever, e não do querer. Sua consciência o esmaga e o acusa quando ele age ao contrário da lei moral. Esse argumento fascinava Kant, que chegou a dizer que é o argumento superior aos demais e que leva a inferirmos a existência de um Deus-Legislador-Pessoal. Por causa deste argumento, muitos afirmam que o que Kant destruiu em sua crítica da razão pura, ele restaurou em sua crítica da razão prática. Kant acreditava veemente que haveria um acerto de contas retributivo em função do aparato das desigualdades reinantes, no dia de hoje. Se existem homens, cuja prosperidade e gozo não correspondem com a verdade moral, tais homens devem ser julgados no final. A transgressão e o pecado geram uma consciência culpada e exacerbadamente convicta do mérito do castigo. Da mesma forma, uma consciência limpa e inteiramente aprovada pela lei, traz refrigério e a paz para o homem. De onde veio esta lei? Será que o semáforo foi construído pelos postes que, para o bem do trânsito, decidiram construí-lo? Claro que não! Deus está aí... Está claro que há um Deus Santo que aprova e reprova a conduta do homem pelo juiz interno (consciência) no mundo do presente e que vai aprovar e reprovar a conduta do homem, como o Supremo Juiz no mundo por vir. Toda moralidade ética não se explica com expurgamento de Deus do cosmo. A consciência do homem é um mero reflexo para atestar essa verdade. Isto levou Lord Davin a afirmar: "Nenhuma sociedade tem sido capaz de ensinar moralidade sem religião". Ao lado desses tradicionais argumentos, quero acrescentar outros três irredutíveis: O argumento das duas leis da termodinâmica, o argumento das respostas às orações e o argumento da existência do povo judeu. O primeiro argumento diz que a primeira lei da termodinâmica assevera a conservação da matéria e da energia. De acordo com ela, nada, absolutamente nada, está sendo criado agora. Nada está sendo criado e nada está sendo destruído. Disto se conclui: ou todo o universo foi criado no passado, não importa os "milhões" de anos que os cientistas batiza-ram o natalício do universo, ou todo o universo sempre existiu, como se crê no presente. Pela segunda lei da termodinâmica fica descartada a ideia de que sempre existiu, como no presente. Esta segunda lei assevera que o universo está se movendo irreversivelmente em direção a degradação entrópica (energia tornando-se inapropriada). Esta segunda lei não diz sobre a destruição da matéria, mas afirma que o universo esta sendo, aos poucos, desfeito ou ficando velho, desgastado e "enrugado" e que sua energia não está mais sendo útil. Portanto, este argumento põe um basta nas teorias contrárias à Bíblia e a verdadeira ciência. Tal é a veracidade dos fatos, que os próprios cientistas concluíram que o universo vai acabar-se por si só .O segundo argumento é simples, todavia muito poderoso; diz respeito às respostas das orações. Herbert W. Armstrong, em seu livro, "Does God Exist?", cita pelo menos sete provas sobre a existência de Deus. E na sua "Proof Number Seven", ele fala sobre a "resposta da oração". Armstrong cita o exemplo de George Muller na fundação e manutenção dos cinco orfanatos e das demais instituições filantrópicas fundadas por ele, todas em nome da oração-fé. Armstrong enfatiza que não é questão de "pensamento positivo" ou "ajustamento psicológico", mas intervenção miraculosa e sobrenatural de Deus. E de fato é verdade! Eu oro e Deus me responde! Quem é que responde às orações específicas e pessoais? Será que é o diabo? As circunstâncias? As coincidências? Que os ateus respondam: quem é que responde às orações??? O último argumento ousa provar a existência de Deus pela existência do povo judaico. Só alguém desprovido de conhecimento histórico considera os judeus como outra nação qualquer. De fato, o próprio ateu Sartre reconheceu os Judeus como povo desigual: "Não posso julgar o povo Judeu segundo os critérios aceitos da história da humanidade. O povo Judeu é algo além do tempo" . Antes do advento de Jesus, os judeus foram enjaulados e enclausurados por nações com cultura e costumes esquisitos. Uma vez, eles ficaram 400 anos servindo aos egípcios, outra vez, ficaram 70 anos servindo aos babilônios. Entretanto, algo de milagroso aconteceu: a preservação da própria identidade nacional. Eles continuaram os mesmos e não foram absolvidos nestas culturas alheias. Depois de Cristo, mais uma vez, eles foram banidos de sua casa. Em 70 D.C., o General Tito arruinou com os judeus. Acabou a nação. Todos os refugiados buscaram asilos nos países estrangeiros. Quase dois milênios viveram sem pátria, sem cultura cósmica-nacional, sendo perseguidos e sendo mortos aos milhões. Só em 1948, dá-se um novo milagre: eles voltam e formam novamente sua nação: com seus costumes e com sua própria cultura. De lá para cá, o milagre persiste. Em meio à guerras e conflitos políticos, diplomáticos e religiosos, os judeus continuam sendo judeus. E assim sendo, contrariam a história provando que eles são a única nação que não sucumbiu (como muitas sucumbiram) ao esquecimento. Será que não há uma associação ou milagre de Deus com este povo? É coincidência Deus ter-se revelado por meio deles ao mundo? É coincidência afirmar que muitos deles reconhecerão a Jesus como o Senhor? O que o ateu tem a dizer?

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Fonte:
A Existência de Deus e dos Ateus, por: Laércio Pereira. Abba Press Editora. São Paulo, 1995, págs. 74-78.

domingo, 10 de julho de 2016

Existe Deus?

Existe Deus?
Não há na existência humana uma pergunta mais profunda exigindo uma resposta. "Existe um deus?" é a pergunta que deve ser respondida por todos os seres humanos individualmente, e a resposta tem um longo alcance em suas implicações.
Mortimer Adler, em seu ensaio sobre Deus, na monumental obra Great Ideas Synopticon ("Sinóticos das Grandes Ideias") declara: "Exceção feita a certos matemáticos e físicos, todos autores dos "Grandes Livros" estão representados neste capítulo. Só na enorme soma de referências, tanto quanto na variedade, é o capítulo mais longo. A razão é óbvia. Para o pensamento, bem como para a ação, há mais consequências resultantes da afirmação ou da negação de Deus do que da resposta a qualquer outra pergunta fundamental." E ele prossegue, descrevendo as implicações práticas: "Todo o teor da vida humana é atingido pelo fato de os homens, ou se considerarem os seres supremos do universo, ou reconhecerem um ser sobre-humano que eles concebem como objeto de medo ou de amor, uma força a ser desafiada ou um Senhor a ser obedecido. Entre aqueles que reconhecem uma divindade, importa muito se ela é representada meramente pelo conceito de Deus — objeto de especulação filosófica — ou pelo Deus vivente que os homens adoram em todos os atos de piedade que compõem os rituais da religião."
Devemos dizer claramente desde o princípio que não é possível "provar" Deus no sentido científico do termo. Mas pode-se dizer com ênfase idêntica que não se pode "provar" Napoleão pelo método científico. A razão jaz na própria natureza da História e nas limitações do método científico. Para que alguma coisa seja "provada" pelo método científico, ela deve ser passível de repetir-se. Ninguém pode anunciar ao mundo uma nova descoberta baseado numa única experiência. Mas a História, na sua natureza real, não é passível de repetição. Ninguém pode "reprisar" o começo do universo, ou trazer Napoleão de volta, ou repetir o assassinato de Lincoln ou a crucifixão de Jesus Cristo. Porém o fato de que estes acontecimentos não podem ser "provados" pela repetição, não refuta a sua realidade como acontecimentos.
Existem muitas coisas reais que escapam ao critério da verificação pejo método científico. Este só é útil para coisas mensuráveis. Ninguém jamais viu três metros de amor, ou dois quilos de justiça, mas seria verdadeiramente uma estultícia negar a realidade destas coisas. Insistir em que Deus seja "provado" pelo método científico equivale a insistir em que se use um telefone para medir a radiotividade. Ele simplesmente não foi feito para isso.
Quais são as evidências a favor de Deus? É muito significativo que recentes pesquisas antropológicas revelaram que, entre povos primitivos mais longínquos e remotos, hoje em dia, há uma crença generalizada em Deus. E que nas histórias e lendas mais antigas de todos os povos ao redor do mundo o conceito original era de um só Deus, que era o Criador. Parece que, em suas consciências, mesmo aquelas sociedades que hoje são politeístas, tinham a princípio um Deus supremo. Esta pesquisa, nos últimos 50 anos, desafiou o conceito evolucionista do desenvolvimento da religião, que sugeria que o monoteísmo — o conceito dum só Deus — era o ápice dum desenvolvimento gradual que começou com os conceitos politeístas. Está cada vez mais claro que as tradições mais antigas por toda parte eram dum único Deus supremo.
Para os nossos objetivos atuais, contudo, é suficiente observar que a vasta maioria da humanidade, em todos os tempos e em todos os lugares, tem crido em alguma espécie de Deus ou deuses. Embora este fato não seja de modo algum uma prova conclusiva, devemos conservá-lo na mente à medida que tentamos responder à grande pergunta.
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Fonte:
Você pode explicar sua fé?, por: Paul E. Little. Tradução: Gordon Chown. Editora Mundo Cristão. São Paulo, 1997, págs. 18-20.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Os primeiros homens e a ideia de Deus


Os primeiros homens e a ideia de Deus
Deus! Haverá algo mais belo, edificante e sublime do que meditarmos sobre a existência e os mistérios deste Ser que é mais profundo do que o mais profundo de nós mesmos, cuja glória e poder enchem a terra e os céus? Todos os grandes homens que influenciaram a história do pensamento humano consagraram um estudo especial sobre "o Ser do qual não é A possível pensar nada maior" , segundo a famosa definição do teólogo Anselmo de Cantuária (1033-1109). Não existe, em todo o Universo, assunto de maior grandeza. Crer ou não, crer na existência de Deus — eis a grande questão que divide a humanidade, e define o nosso destino eterno.
Acreditando ou não na existência divina, o homem necessita de Deus para compreender-se a si mesmo e entender os mistérios da vida e da Natureza. É por esse motivo que não se tem notícia de povos ateus entre os primeiros grupos humanos que habitaram o mundo primitivo. O moralista e historiador grego Plutarco (45-125 d.C.) costumava dizer que "é possível encontrar cidades sem muralhas, sem ginásios, sem leis, sem moedas, sem cultura literária; mas um povo sem Deus, sem orações, sem juramentos, sem ritos religiosos, sem sacrifícios, jamais foi encontrado". E esta afirmação continua plenamente válida até os dias de hoje.

Jamais foram encontrados povos ateus
Todos os grandes estudiosos das religiões, em todos os tempos e entre todos os povos, confirmam que a crença na existência de Deus é universal. Nunca existiram povos ateus. O teólogo holandês C. P. Tiele (1830-1902), no seu manual de História Comparada das Antigas Religiões diz que "a afirmação de povos ou tribos sem religião repousa ou em observações inexatas, ou numa confusão de ideias. Nunca se encontrou tribo ou nação que não acreditasse em um Ser superior; os viajantes que afirmaram o contrário foram depois desmentidos pelos fatos".
Tanto os antigos missionários que partiram para evangelizar os mais longínquos recantos da terra, como também os exploradores de regiões desconhecidas depararam-se com a ideia de um Ser Supremo espalhada entre os povos. No livro Uma Introdução para a História das Religiões, Frank Byron Jevons cita oito autores especializados no assunto para confirmar que nunca foi encontrada qualquer tribo destituída da ideia de Deus. E por último, eis o que diz o renomado antropólogo Armando de Quatrefages (1810-1892) na 4ª parte do seu livro A Espécie Humana: "Obrigado pelo meu magistério a passar em revista todas as raças humanas, procurei o ateísmo entre as mais degradadas e as mais elevadas. Não o encontrei em lugar nenhum, a não ser no estado individual... O ateísmo só existe em estado errático. Tal o resultado de uma investigação que posso chamar conscienciosa, e que comecei muito antes de subir à cátedra de Antropologia."
Por esse e outros motivos, podemos afirmar que o ateísmo — essa epidemia que vem contaminando ao longo dos séculos o espírito de milhões de seres humanos — é uma espécie de câncer que nasce no coração de indivíduos soberbos, uma posição vaidosa, uma decisão precipitada, superficial e, em muitos casos, uma fuga. Porém, devemos também considerar que muitos se declaram ateus por jamais terem sido eficientemente alcançados pela reveladora e transformadora mensagem de Jesus Cristo. No capítulo sete deste livro estudaremos as respostas evangélicas ao problema do ateísmo.


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Fonte:
Provas da Existência de Deus, por: Jefferson Magno Costa. Editora Vida. São Paulo, 1995, 11-12.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Provas Morais da Existência de Deus

Provas Morais da Existência de Deus
As provas morais da existência divina são assim chamadas porque têm seu ponto de partida na realidade moral. As provas morais da Existência de Deus são, por outro lado, particularmente aptas a fazer compreender, não apenas a que ponto o problema de Deus se enraíza no mais profundo de nosso coração, mas aindapara trazer solução verdadeira e concreta (...) na crença na existência de um Deus pessoal.

1. DIVISÃO DAS PROVAS
Geralmente estas provas têm sido divididas em quatro, que comumente se invocam em favor da existência de Deus, a saber:
Primeira Prova: A obrigação moral;
Segunda Prova: As aspirações da alma;
Terceira Prova: O consentimento universal; e Quarta Prova: A de experiência mística. Estas provas, segundo se depreende, são vias que nos conduzem a Deus e, necessariamente, a quarta prova (a da experiência mística), processa-se frequentemente na pessoa salva que, tendo seu coração limpo estará apto para ver a Deus (SI 73.1; Mt 5.8).
a) - Prova pela obrigação moral. Esta prova está também relacionada com o fato do dever. Nossa ação no mundo não se processa e não pode processar-se ao acaso. Ela é dirigida por fins morais que resumimos na ideia do dever. Ora, a obediência ao dever é essencialmente a busca perseverante de um ideal de perfeição moral.
As provas morais da existência de Deus são, rigorosamente, encontradas tanto no mundo religioso como no mundo filosófico. O décimo capítulo do Genesis é, com efeito, um documento único. Sustenta-se que nenhuma compilação igual se encontrou jamais na literatura de qualquer outro povo antigo. Seu sentido fundamental ainda está sendo verificado através do mundo inteiro, atualmente. Procura provar esse capítulo do Genesis que as nações tiveram uma origem comum e que todos os homens são irmãos, com uma unidade humana que tem raiz em Deus. Há neste capítulo um propósito religioso, uma séria tentativa para mostrar que a humanidade tem uma origem comum e que, embora sejamos povos e raças separadas, somos um povo e uma raça só aos olhos do nosso Criador.
b - Prova pelas aspirações da alma. O fato da inquietação humana é presente em seu universo físico. Agostinho nos apresenta como esta aspiração, às vezes, se processa no coração e, enquanto esta aspiração, que necessariamente vai mergulhando num vácuo, não encontra a Deus, a alma humana anda tuteando (At 17.27).
Então, à procura de Deus, Agostinho pergunta: "E o que é isto?" Perguntei à terra, e esta me respondeu: "não sou eu". E tudo que nela existe me respondeu a mesma coisa. Interroguei o mar, os abismos e os seres vivos, e todos me responderam: "não somos o teu Deus; busca-o acima de nós". Perguntei aos ventos que sopram, e toda a atmosfera com seus habitantes me responderam: ''Anaxímenes está enganado".
Anaxímenes foi um filósofo grego do século VI a.C. Para ele, o ar é o princípio gerador de tudo. Todos os elementos mencionados responderam a Agostinho: "Não somos o teu Deus". Interroguei (Agostinho) o céu, o sol, a lua e as estrelas: "Nós também não somos o Deus que procuras''. Pedi a todos os seres que me rodeiam o corpo: "Falai-me do meu Deus, já que não sois o meu Deus; dizei-me ao menos alguma coisa sobre ele". E exclamaram em alta voz: "Foi Ele quem nos criou". Diga-me então a mim mesmo, e me perguntei: "E tu, quem és? E respondi: "Um homem". Então perguntei a verdade moral e esta me respondeu:' 'O teu Deus não é a terra, nem o céu, nem qualquer outro ser corporal". É isso que a natureza das coisas afirma, e todos podem ver, pois a matéria é menor na parte que no todo. Tu, alma, digo-te que és mais importante que o corpo, sem dúvida, pois és tu que lhe dás a vida, e nenhum corpo pode fazer o mesmo a outro corpo. Mas o teu Deus é também a vida da tua vida.
c) - Prova pelo consentimento universal. Essa universalidade significa que há razões poderosas e acessíveis a todas as inteligências, em favor da crença em Deus. A crença universal na existência de Deus faz parte das necessidades e dos ideais do homem. O homem projeta todas as qualidades positivas que tem em si de uma pessoa divina e faz dela uma realidade subsistente, capaz de suprir as suas próprias necessidades e as suas próprias lacunas. Assim, por exemplo, a ideia de Deus como Pai, segundo o autor de Essência do Cristianismo, nasce da exigência de segurança exigida pelo homem; a ideia de Deus feito carne exprime a excelência do amor pelos outros; a ideia de um Ser perfeitíssimo nasce para representar ao homem o que o homem gostaria de ser mas não consegue tornar-se sem aquela transformação, a qual chamamos "a redenção do nosso corpo" (Rm 8.23). A ideia de uma existência ultraterrena não é senão a fé na vida terrestre não como ela é atualmente, mas como deveria ser, a triplicidade invisível no homem (vontade, razão e amor), tomada na sua unidade e projetada sobre ele, e daí por diante. Ora, só pode existir tal ansiedade na pessoa humana, porque, sem sombra de dúvida, existe um Ser infinitamente moral que, necessariamente, exige que suas criaturas olhem para Ele.
d) - Prova pela experiência mística. Esta prova se torna evidente em toda a extensão da Bíblia. Pessoas tais como Adão (Gn 3), Abraão (Gn 12.7 e ss), Isaque (Gn 26.24), Moisés (Êx 3.3 e ss), Isaías (Is 6.1 e ss), e muitos outros servos de Deus de ambos os pactos, afirmaram ter entrado em contacto experimental com Deus de uma forma que ultrapassa seguramente os meios humanos de expressão, mas em que desfrutaram da irresistível evidência da presença de Deus. Poder-se-ia dizer, é verdade, admitir que uma tal pessoa errou. Mas seria realmente impossível que todos se enganassem, e nos enganassem, falando, com tanta força e convicção, das mesmas realidades sobrenaturais que conheceram através de suas experiências pessoais com Deus. Portanto, todas as provas da existência de Deus são aplicações do princípio de razão suficiente moral: qualquer coisa tem sua razão, ou em si, ou numa outra.
Em outras palavras: o mais não pode sair do menos, nem o ser do nada. Cada prova, compreendendo um ponto de vista particular, precisa da aplicação do princípio de razão, no domínio da contingência, no movimento, no das causas finais, nos domínios da obrigação moral, das aspirações do homem e do consentimento universal.
Cada vez, o princípio de razão obriga a concluir pela experiência de um Ser existente por si, primeiro motor universal, inteligência infinita, princípio e fim da ordem moral, absoluta perfeição.
Quando nos recorremos ao Argumento Ontológico, não se fazem necessárias tais provas! Mas, é evidente que, fora dele, elas são necessárias, porque cada uma destas provas tem a vantagem de colocar em relevo um aspecto da causalidade divina e mostrar que, qualquer que seja o ponto de vista que se adote, o mundo não tem razão suficiente a não ser em Deus, se bem que não haja escolha entre estas duas conclusões: ou Deus, ou o absurdo total. Mas, necessariamente, jamais o absurdo total traria uma ordem moral em qualquer tempo e lugar.

Conclusão: Só em Deus, e não fora dele, pode e existe esta ordem moral absoluta!


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Fonte:
Quem é Deus: Conhecendo melhor o Criador, por: Severino Pedro da Silva. CPAD. Rio de Janeiro, 1997, págs. 123-126.