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sábado, 30 de julho de 2016

Supremacia estratégica de Israel impede guerra

Supremacia estratégica de Israel impede guerra
"A grande supremacia estratégica de Israel em relação aos outros países da região representa um eficiente obstáculo impedindo que o conflito com os palestinos se transforme em guerra". Essa é a avaliação de um conhecido instituto de pesquisas em Tel Aviv.
Os países árabes nada teriam a ganhar, mas muito a perder, em uma guerra contra Israel. Por ocasião da apresentação do relatório semestral sobre o equilíbrio militar no Oriente Médio, o cientista Shai Feldman, chefe do Centro para Estudos Estratégicos (Jaffee Center for Strategic Studies), declarou que o potencial de intimidação israelense continua sendo considerável. A maioria dos países árabes teria interesse em manter a estabilidade na região e não no envolvimento numa guerra com Israel, afirmou Feldman. "Mas, é possível que o conflito com a Síria possa experimentar uma escalada. Pode-se imaginar que (o presidente sírio) Bashar el-Assad, baseado em avaliações equivocadas, sinalize luz verde para ações do Hezbollah (Partido de Alá)... criando uma reação em cadeia. Mas essa possibilidade é muito pequena".
Conforme os dados apresentados no relatório, a força de combate do Exército israelense está sendo cons-tantemente ampliada, enquanto, com exceção do exército egípcio, todos os exércitos árabes parecem encontrar-se atualmente em um estado de paralisação. Mesmo que Feldman não veja a atual situação como muito negra, ele deu a entender que o tempo não trabalha necessariamente a favor de Israel, pois um dia o Ira e o Iraque terão armas de aniquilação em massa e os mísseis de longo alcance necessários para seu transporte até Israel. No momento, porém, Israel teria uma grande dianteira nas áreas da tecnologia militar, de sistemas de armamentos altamente desenvolvidos, bem como nos serviços de comunicação e inteligência. O relatório também apresentou, pela primeira vez, o número de tanques Merkava em poder do Exército israelense, que conta com 1.280 unidades. "Políticos árabes reconhecem que em terra perderiam a guerra e que não estão em condições de competir com os avanços de Israel", explicou Feldman.
Segundo a avaliação do ex-general-de-brigada Shlomo Brom, os palestinos erraram seus cálculos quando acharam que poderiam imitar o Hesbolah no Líbano. Feldman confirmou que Yasser Arafat, o líder da Autoridade Palestina, chegou a um "momento crítico": "Arafat reconhece que, no balanço geral de forças, tanto internas como externas, é preciso que haja uma mudança de direção". Mas é difícil avaliar a dimensão da insatisfação da população palestina com a liderança política. Também não está claro se o governo israelense suportaria a pressão da opinião pública no próprio país no caso de mais um grande ataque terrorista. "Quanto a população ainda irá suportar antes que exija passos mais extremos da liderança política, que por sua vez serão usados pelos palestinos, de maneira muito eficaz, para trabalhar contra Israel nos meios de comunicação? No momento a população israelense está decidida a evitar qualquer escalada do conflito. Somente podemos esperar que isso continue assim, mas é muito difícil prever os acontecimentos... A assimetria no equilíbrio estratégico, porém, não fornece ao Exército de Israel uma liberdade de decisão em seu problema com os palestinos." Completando, Brom observou: "Aqui o lado mais fraco tem uma vantagem, pois não podemos usar todos os meios que temos à nossa disposição".


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 10 - Outubro de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite. Porto Alegre, págs. 17-18.

Inverdades sobre o Oriente Médio

Inverdades sobre o Oriente Médio
Por sua longa experiência jornalística no Oriente Médio, Joseph Farah faz parte de um seleto grupo de especialistas em compreender e desvendar os bastidores do conflito no Oriente Médio. Ele vive atualmente nos Estados Unidos, onde dirige o serviço de notícias World Net-Daily. Sua argumentação é incisiva, como mostra o artigo que transcrevemos a seguir:
Na luta por Jerusalém multas pessoas já perderam suas vidas - mas, para quê? Se você acreditar no que diz a maior parte dos meios de comunicação, os palestinos desejam uma pátria e os muçulmanos almejam o controle sobre os lugares considerados sagrados por eles. Muito simples, não é? Pois bem, como jornalista árabe-americano, que passou muitos anos no Oriente Médio e que frequentemente teve de fugir de pedras e granada, eu sei que essas são apenas desculpas muito ruins para justificar a Violência e a cobiça por terra.           
Não é interessante observar que antes da guerra árabe-israelense de 1967 não havia um movimento sério em prol de uma pátria palestina? Agora se poderia objetar que isso foi antes da conquista da Margem Ocidental do Jordão e da Cidade Antiga de Jerusalém por Israel. É verdade. Na Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou a Judéia, a Somaria e Jerusalém Oriental, mas esses territórios não foram tomados de Yasser Arafat e sim do rei Hussein da Jordânia. Por isso me admira muito que, repentinamente, os palestinos descobriram sua identidade depois que Israel ganhou a Guerra dos Seis Dias. Na verdade, a "Palestina" é tão real como uma terra de sonhos. Este nome foi usado pela primeira vez no ano 70 depois de Cristo, quando os romanos promoveram um genocídio contra os judeus, destruíram o Templo e declararam que não existia mais uma terra chamada Israel. Eles deram à região o nome de "Palestina", nome derivado dos filisteus, o povo de Golias, vencido alguns séculos antes pelos judeus. De Jerusalém os romanos fizeram "Aelia Capitolina", mas esse novo nome não se manteve por muito tempo.
A "Palestina" não era um território autônomo nessa ocasião nem posteriormente. Ela foi dominada alternadamente por muitos povos, entre eles os romanos, os árabes, os cruzados, o Império Otomano e, depois da Primeira Guerra Mundial, pelos britânicos. Estes declararam-se dispostos a conceder ao menos uma pequena parte da terra para servir de pátria aos judeus. Não existe língua "palestina", nem uma cultura claramente palestina. Jamais houve um país chamado "Palestina", governado por palestinos. Palestinos são árabes que não se diferenciam dos jordanianos (mais uma invenção dos tempos modernos), sírios, libaneses, iraquianos, etc. Nesse contexto, deveríamos ter em mente que 99,9% do Oriente Médio está sob controle árabe. Israel abrange apenas 0,10% da área total dessa região. Mas os árabes acham que isso já é demais. Eles querem tudo, e é essa a causa real dos violentos conflitos em Israel. Ganância, orgulho, inveja e cobiça são a verdadeira motivação. Independentemente da quantidade de concessões territoriais que Israel faça, elas nunca serão suficientes.
E quanto aos lugares sagrados do islã? Eles nem existem em Jerusalém. Você ficou chocado? Ao menos deveria ficar, pois não creio que ouça essa verdade nos meios de comunicação internacionais, pois tal afirmação não é "politicamente correta". Sei que agora você vai rebater: "A mesquita Al-Aqsa e o Domo da Rocha em Jerusalém são os terceiros mais importantes santuários do islã". Isso não é verdade. O Corão não fala nada sobre Jerusalém, enquanto Meca é mencionada centenas de vezes e Medina ainda mais frequentemente. Existem boas razões para isso. Não é possível provar historicamente que Maomé tenha visitado Jerusalém uma única vez. Mas como é que Jerusalém tornou-se o terceiro lugar mais sagrado do islamismo? Muçulmanos de hoje referem-se a uma vaga afirmação da sura 17 do Corão intitulada "A Viagem Noturna". Ali está escrito que Maomé foi conduzido num sonho ou numa visão noturna da Mesquita Sagrada à "distante mesquita de Al-Aqsa", "cujos arredores abençoamos". No século VII alguns estudiosos islâmicos acharam que as mesquitas mencionadas (ou "templos", segundo outras versões do Corão - N. T.) se encontravam em Meca e Jerusalém. Não há outro tipo de relação entre o islã e Jerusalém. Trata-se apenas de um mito, de uma fantasia, da expressão de um certo desejo dos árabes.
As raízes judaicas de Jerusalém, ao contrário, remontam aos dias de Abraão. Qual é, então, a solução para o caos no Oriente Médio? Na minha opinião, esse conflito violento não pode ser resolvido por iniciativas humanas. Entretanto, se há uma solução, ela deve começar pela verdade. Uma simulação baseada numa falsificação da realidade levará a um caos ainda maior. Se os direitos de 5000 anos, adquiridos por nascimento e apoiados por uma infinidade de provas históricas e arqueológicas, são tratados da mesma forma que desejos baseados em sonhos e reivindicações injustas, então a diplomacia e a política de paz são desacreditadas.
Joseph Farah não o diz abertamente, mas para os crentes verdadeiros a realidade é: na Bíblia, Deus prometeu claramente a terra a Israel. Um dia todos verão que esse Deus, o Deus de Israel, está com a razão e que tudo acontecerá como está escrito na Bíblia! (Conno Malgo)


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 8 - Agosto de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite, págs. 17-18.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Guerra pela água?

Guerra pela água?
Água é vida. Essa é uma unanimidade no árido Oriente Médio. Cada gota do precioso líquido é disputada nessa região.
Em março, quando os libaneses instalaram uma canalização para desviar água do pequeno rio Chazbani, o governo israelense tentou impedir a
concretização do projeto. "Cerca de 150 milhões de metros cúbicos de água do rio Chazbani alimentam o lago de Genesaré", declarou Uri Sagi, presidente da Companhia Israelense de Abastecimento de Água (Mekorot). O rio Chazbani lança 25% de suas águas no Jordão, que deságua no
Mar da Galiléia. A instalação de uma estação de bombeamento pêlos libaneses é uma evidente violação das leis internacionais que regulam o uso dos recursos hídricos - e isso acontece numa época em que, mais do que nunca, Israel precisa de água.
Em 1964 a Síria e o Líbano já fizeram uma tentativa de desviar o curso do Chazbani e do Banias para "secar" Israel, que revidou com ataques aéreos e de artilharia, interrompendo o projeto. Sagi afirma: "O governo libanês precisa obedecer aos tratados internacionais sobre a utilização dos recursos hídricos que firmou com Israel, mesmo após a retirada das tropas israelenses da zona de segurança no Sul do Líbano".
O ex-general Uri Sagi alertou também quanto ao perigo de uma nova guerra pelas águas do rio Chazbani: "Água é um assunto muito importante em nossa região, pois nem os sírios, nem os jordanianos, nem os palestinos têm água suficiente - do mesmo modo como nós também não a temos".
O governo israelense alertou a Síria e o Líbano para que não modifiquem a divisão das águas do rio e tentou, através da ONU, influenciar seus vizinhos libaneses. Mas o Ministério do Exterior de Israel constatou que a ONU praticamente não tem mais influência no Líbano após a retirada das tropas israelenses do sul daquele país. Conforme especialistas em segurança israelenses, é a Síria que dita as regras nessa região. Segundo informações israelenses, a antiga estação de bombeamento na aldeia libanesa de Ra'ga, localizada nas proximidades da fronteira de Israel, está para ser modernizada, mesmo que o governo do Líbano desminta essa afirmação.
Luta pela água: no sul do Líbano os xiitas desviam água do rio Chazbani.
Enquanto isso, canos de 10 cm de diâmetro conduzirão água do Chazbani até as aldeias circunvizinhas, conforme admite o governo libanês. "Israel ainda abastece algumas aldeias no Sul do Líbano, apesar da retirada das tropas há oito meses", confirmaram a Mekorot e o porta-voz do Exército. Além disso, segundo informações da companhia, Israel fornece anualmente 85 milhões de metros cúbicos de água aos palestinos e à Jordânia.
Políticos israelenses, tanto da direita como da esquerda, criticaram a construção do aqueduto ilegal no Sul do Líbano, que retira ainda mais água do lago de Genesaré. Especialmente os moradores dos kibufzim na Alta Caliléia temem que o Chazbani forneça menos água no próximo verão. Com 213,12 metros abaixo do nível do mar (em 1º de abril), o Mar da Galiléia estava com 4,22 metros abaixo do nível de água normal.
Hoje é problemático o fato de Israel ter acordos sobre a água com os palestinos e os jordanianos, que impõem o fornecimento de volumes determinados de água. Quando os acordos foram assinados, não se pensou na possibilidade de escassez, e muito menos em furto de água. Além disso, o número de habitantes aumentou consideravelmente através do crescimento natural da população e do grande número de novos imigrantes que chegam anualmente a Israel, mas as chuvas não aumentaram. Israel precisa de cada gota d'água. (nai)
A água é fundamental para Israel! Por isso, o governo permanece atento ao que acontece no Sul do Líbano. Lendo essa notícia, também nos lembramos das palavras de Jesus em João 4.13b-14: "Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna." (Conno Malgo)


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 6 - Junho de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite. Porto Alegre, págs. 13-15.

Os palestinos e sua verdadeira identidade

Os palestinos e sua verdadeira identidade
Não apenas os israelenses são enganados, os palestinos também ouvem sua parcela de inverdades. Eles são usados apenas como meio para se alcançar um alvo, pois são transformados em um povo que nem existe. O nome "palestinos" deriva de "filisteus". Estes, porém, vieram originalmente de Creta (Caftor), ocuparam partes da região e exterminaram seus habitantes. Em Deuteronômio 2.23 lemos: "Também os caftorins que saíram de Caftor destruíram os aveus, que habitavam em vilas até Gaza, e habitaram no lugar deles" (veja também Js 13.3; Gn 10.14; Jr 47.4; Am 9.7). Os filisteus, por serem oriundos de Creta, nem eram árabes.
A palavra "Palestina" é simplesmente uma designação genérica para a terra de Israel, criada pelo imperador romano Adriano. Adriano era um inimigo ferrenho de Deus e dos judeus. No ano de 135 d.C. ele sufocou a revolta dos judeus sob a liderança de Bar-Kochba. Seu alvo era acabar definitivamente com a memória de Israel e de Jerusalém. Com essa intenção, ele mudou o nome de Jerusalém para "Aelia Ca-pitolina". À terra de Israel ele deu o nome de seus inimigos mais ferrenhos, os filisteus.
Com toda a franqueza, Zuheir Mohsen, um dos mais importantes representantes da OLP, admitiu em 1977 o abuso praticado com o nome dos árabes que vivem na "Palestina":
Não existe um povo palestino. A criação de um Estado palestino é um meio para a continuação de nossa luta contra Israel e em prol da unidade árabe... Mas na realidade não existe diferença entre jordanianos e palestinos, sírios e libaneses. Todos nós fazemos parte do povo árabe. Falamos da existência de uma identidade palestina unicamente por razões políticas e estratégicas, pois é do interesse nacional dos árabes contrapor a existência dos palestinos ao sionismo. Por razões táticas a Jordânia, que é um país com território definido, não pode reivindicar Haifa ou Yaffa. Mas como palestino eu posso exigir Haifa, Yaffa, Beersheva e Jerusalém. Entretanto, no momento em que nossa soberania sobre toda a Palestina estiver consolidada, não devemos retardar por nenhum momento a unificação dela com a Jordânia."
O povo palestino é enganado, explorado e usado como massa de manobra contra Israel. Nessa terra simplesmente viviam árabes cuja origem era, em sua maioria, síria e libanesa, mas nela também viviam judeus. Nesse sentido, os judeus também são palestinos. Golda Meir, que foi primeira-ministra de Israel, disse em sua época: "Eu sou palestina." Foi também Golda Meir que afirmou: "Somente teremos paz com os árabes quando o amor pelos seus filhos for maior que o ódio que eles sentem por nós".
A Margem Ocidental do Jordão e Gaza estavam sob domínio árabe de 1948 a 1967, ou seja, nas mãos de jordanianos e egípcios. Se naquela época houvesse uma "questão palestina", como a conhecemos hoje, por que não lhes foi concedido um Estado quando essa região estava sob domínio árabe? Simplesmente porque os "palestinos" nunca foram reconhecidos como um povo autônomo, mas sempre foram considerados árabes jordanianos, sírios ou de outras nacionalidades!
O nome "palestinos" surgiu a partir de 1964, quando o Alto Comissariado da Palestina solicitou à Liga Árabe a fundação de uma Organização Para a Libertação da Palestina (OLP). O semanário egípcio El Mussawar escreveu a respeito:
A criação de uma nação palestina é o resultado de um planejamento progressivo, pois o mundo não admitiria uma guerra de cem milhões de árabes contra uma pequena nação israelense."
Antes de 1964 os moradores da "Palestina" ainda eram chamados de "árabes". Em 15 de maio de 1948, quando sete exércitos árabes atacaram o recém-criado Estado de Israel, os árabes da Palestina foram convocados a deixarem temporariamente a região colocando-se em segurança até que Israel estivesse aniquilado. Foram os próprios países árabes que animaram os palestinos a saírem dali; eles não foram expulsos pelos israelenses. Em torno de 68% deles partiram sem jamais ter visto um único soldado israelense. Um refugiado palestino resumiu a questão com as seguintes palavras: "O governo árabe disse-nos: 'Saiam para que possamos entrar. Assim, nós saímos, mas eles não entraram." (Norbert Lieth)
1. Israel oder Palästina?, Rudtilf Pfisterer, Brockhaus, p. 141.
2. Israel oder Palästina?, Rudolf Pfisterer, Brockhaus, p. 140.
3. Philister, Ramon Bennert, p. 118



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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 23 - Abril de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite. Porto Alegre, págs. 12-14.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tensão entre o Galuth e o Regresso

Tensão entre o Galuth e o Regresso
Depois da destruição do Primeiro Templo, Jeremias convenceu-se de que o Exílio não terminaria imediatamente. Aconselhou o povo judaico, pois, a que se habituasse à condição de que duraria algumas gerações e a que se dedicasse à vida civil da Babilônia. Seis séculos mais tarde, depois da destruição do Segundo Templo, a Babilônia depressa se tornou num maior centro de população judaica e de cultura judaica do que a Palestina. Existem ecos, por conseguinte, nos escritos rabínicos da noção de que a Babilônia é um local tão bom para o judeu viver quanto a Palestina. Os rabis medievais silenciaram a sua consciência ao não cumprirem o mandamento de ir para a Terra Santa, salientando a dificuldade da viagem e o fato de que as leis do tributo e outras obrigações semelhantes que se aplicavam à Terra Santa já não podiam ser obedecidas.
Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, ,a todos os exilados, que Eu deportei de Jerusalém para a Babilônia: Edificai casas, e habitai nelas; plantai pomares, e comei o seu fruto. Tomai esposas e gerai filhos e filhas, tomai esposas para vossos filhos e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; multiplicai-vos aí, e não vos diminuais. Procurai a paz da cidade, para onde vos desterrei, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz tereis paz. Porque assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhadores que sempre sonham segundo o vosso desejo, porque falsamente vos profetizam eles em Meu 'nome; Eu não os enviei, diz o Senhor. Assim, diz o Senhor: Logo que se cumprirem para Babilônia setenta anos atentarei para vós e cumprirei para convosco a Minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar. Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor: pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o firn que desejais. Então Me invocareis, passareis a orar a Mim e Eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e Me achareis, quando Me buscardes de todo o vosso coração, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte; congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor, e tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio.
Todo aquele que viver na Babilônia é considerado como se vivesse na Terra de Israel.
O Rabi Berokia e o Rabi Eliezer conversavam certa vez, passeando em frente de uma grade fora de Tiberíade, quando viram um caixão ser trazido para Israel de fora da Terra. O Rabi Berokia disse: — Para que serve isso? Esse homem viveu e morreu fora de Israel, e agora regressou para ser aqui enterrado! Vou-lhe citar as Escrituras: na tua vida "da Minha herança fizestes abominação" (Jer. II, 7) e na tua morte "a Minha Terra contaminastes" (ibid). O Rabi Eliezer disse-lhe, então: — Como vai ser enterrado na Terra de Israel, o Senhor, louvado seja Ele, perdoar-lhe-á, conforme está escrito: "Assim consolará o Seu povo e a Sua terra" (Deut. XXXII, 43).
Esta lei (salientando a importância de viver na Terra de Israel) já não está em vigor devido aos riscos inerentes a uma viagem para a Terra de Israel. Rabbenu Hayyim mantém que viver na Terra de Israel já não é uma obrigação religiosa devido à dificuldade e à impossibilidade de cumprir muitos dos preceitos respeitantes ao solo.
Mordecai Kaplan apresenta aqui uma opinião contemporânea muito divulgada. Argumenta que os judeus que vivem em terras de liberdade já não estão no Exílio, embora mantenha que o Estado de Israel tem uma grande importância para a atual revivência da cultura e dos valores espirituais judaicos.
Para ele, Israel é uma necessidade social, política e cultural para a sobrevivência criadora da sua muito terra-a-terra versão do judaísmo. O mistério da eleição divina de um povo e de uma terra para ele são elementos ausentes no seu pensamento. Paz, liberdade e sobrevivência judaica são o seu Messias, não o Messias da versão tradicional, que aparecerá no mundo como a culminação dramática da história humana.
Os judeus em Dispersão continuarão a dever obediência política exclusiva às nações onde residem. Os elos que juntam os judeus dispersos a Eretz Israel são culturais e religiosos. A cultura e a vida socioeconômica estão tão estreitamente relacionadas que é difícil para os judeus dispersos criarem novos valores culturais judaicos, visto que não há possibilidade de o fazer na Dispersão de uma vida autônoma judaica, tanto social como econômica.
O judaísmo americano é necessário e continuará sendo necessário ainda por muito tempo como uma força para inspirar e motivar a nossa participação no estabelecimento de uma comunidade judaica...
...Temos uma parte na vida social, econômica e cultural da América, e, a não ser que demos ao bem-estar comum do povo americano o melhor que nos ó possível dar, não estaremos cumprindo todo o nosso dever para com o nosso país. Mas, como judeus, o melhor que temos para dar, encontra-se no judaísmo, a destilação de séculos de experiência espiritual judaica. Como judeus convictos e americanos leais, deveríamos procurar incorporar na vida americana os valores universais do judaísmo, empregando a santidade tão especial da religião judaica como uma inspiração para preservar esses valores universais. Não o fazer significaria roubar ao judaísmo o significado universal e converter a religião judaica num mero tribalismo sem relevância para a vida além dos interesses isolados do grupo judaico. A atitude dos judeus isolacionistas ou dos que negam a Dispersão, que faria com que os judeus americanos estivessem perpetuamente prontos para uma partida precipitada para Eretz Israel, não poderá nunca inspirar aos nossos próximos grande confiança no judeu, ou respeito ao judaísmo.
Aqueles entre os nossos jovens que possuem as habilidades e talentos que são agora necessários em Eretz Israel, para lá construir uma economia produtiva que desenvolva a Comunidade Judaica, uma economia baseada na exploração socializada dos recursos naturais em vez da exploração dos fracos pelos fortes, devem, por certo, ser encorajados a partirem para Eretz Israel. O esforço colonizador e construtivo em Eretz Israel deveria alistar os nossos jovens que possuam a espécie de espírito pioneiro essencial ao desenvolvimento de uma nação. Os nossos jovens, tanto rapazes como moças, deveriam pensar que ir para Eretz Israel servir o seu próprio povo é tão legítimo e nobre como é, para os outros americanos, servir vários povos no Extremo Oriente numa capacidade missionária ou cultural. Mas os estudantes que planejam ir para Eretz Israel, com a esperança de se ocuparem numa profissão tradicional ou burocrática, não prestariam qualquer verdadeiro serviço e apenas privariam a vida judaica americana dos serviços que lhe pudessem prestar. Nós, os judeus americanos, precisamos desesperadamente de todas as pessoas disponíveis que tenham a habilidade de transmudar os valores culturais e religiosos da nossa tradição numa força criadora viva.
...Aqueles que desesperam da sobrevivência judaica na Dispersão, pela afirmação de que só em Eretz Israel poderá o judaísmo sobreviver, esquivam-se à tarefa urgente de tornar o judaísmo viável na América. A construção de Eretz Israel a longa distância não é menos importante do que a construção no local, mas não pode servir como substituto para viver aqui uma vida judaica. Até que os judeus compreendam que o problema judaico na Dispersão e o problema judaico em Eretz Israel são problemas iguais, um só problema, afinal, estarão fugindo à realidade e derrotando os seus próprios objetivos. Só quando assumirmos a responsabilidade de ter uma vida judaica onde quer que os judeus estejam vivendo é que poderemos triunfar em qualquer um dos nossos empreendimentos judaicos.
Não pode haver dúvida de que na Dispersão nós, os judeus, sofremos da falta do espírito de dedicação que está presente na renascença do nosso povo em Eretz Israel. Estamos sem o poder mágico que vem com a palavra, falada e criadora, judaica. Estamos longe da terra onde o espírito judaico está revivendo. Mas, com vontade, devoção e inteligência, é possível reviver e reincorporar, dentro da estrutura da civilização americana, a experiência vital e emotiva do nosso povo de Eretz Israel para que, a longo prazo, possamos conseguir à nossa maneira uma tão grande e duradoura contribuição para os valores humanos como eles estão conseguindo.


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Fonte:
Judaísmo, por: Arthur Hertzberg. Tradução: Fernando de Castro Ferro. Zahar Editores. Rio de Janeiro, 1964, págs. 129-132.