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quarta-feira, 20 de julho de 2016

O Hebraico Moderno - Fundamentos Históricos

O Hebraico Moderno - Fundamentos Históricos
Por:  Rifka Berezin (Prefácio)
O rápido desenvolvimento do hebraico como língua falada, bem como o incremento dos estudos hebraicos no Brasil, tornaram indispensável a elaboração de um dicionário que facilitasse o acesso do leitor de fala portuguesa a esse idioma de três mil anos de existência.
O hebraico foi a língua de comunicação do povo judeu desde 1200 a.C. (conquista de Canaã após o Êxodo do Egito) até 134 d.C. (revolta de Bar Kokhba contra os romanos).
O uso corrente da língua hebraica foi interrompido pela dispersão do povo judeu, quando este passou a viver em diversos países e a falar diferentes idiomas; o povo já levava consigo, entretanto, a tradição de sua brilhante criação: a Bíblia.
Durante 1700 anos a língua esteve no exílio, assim como o povo judeu e, dessa forma, ela não pôde ter uma vida plena e um desenvolvimento normal. Ao longo de todo esse tempo, entretanto, o hebraico continuou sendo a língua em que se orava e na qual a Bíblia era lida nos cerimoniais públicos. Os deveres religiosos fizeram com que praticamente todo judeu soubesse ler e escrever hebraico, o que permitiu à língua manter a sua força e vitalidade; disso dá testemunho o florescimento de uma extensa produção literária hebraica na diáspora.
A partir do ano 200 a.C, aproximadamente, os judeus passaram a dedicar-se aos estudos da Lei Oral, tendo-se iniciado a vasta literatura talmúdica em Israel e na Babilônia, assim como a elaboração dos livros da Tossefta e do Midrasch. Essa literatura foi escrita parte em hebraico e parte em aramaico, uma espécie de segunda língua dos judeus.
O hebraico desses escritos recebe a denominação de hebraico mischnaico ou a Língua dos Sábios. Esta contém cerca de 14000 vocábulos que não se encontram na Bíblia, e utiliza parte do léxico bíblico, que possui apenas 8000 vocábulos. A linguagem da Mischná incorpora ainda muitas palavras aramaicas e sua gramática apresenta diversos aspectos que a aproximam desse idioma. Sua estrutura é mais simples e seu estilo é menos poético e elaborado que o estilo da Bíblia. Essa literatura constitui o segundo estrato ou período histórico da língua hebraica (200 a.C. a 600 d.C).
Os escritores judeus tinham, portanto, à disposição dois modelos dentre os quais podiam optar: o hebraico tradicional bíblico e o hebraico mischnaico, e ao longo da Idade Média judaica (600 d.C. a 1700) o povo judeu produziu uma vasta literatura nos diferentes países da diáspora: Norte da África, Espanha, Itália, França e Alemanha. É o momento das Escolas de Tradução, dos estudos da Gramática, do desenvolvimento da Filosofia, da Exegese bíblica e das Ciências. Nos seus escritos, principalmente na Filosofia, os judeus utilizaram também o árabe, mas, nos textos em hebraico davam continuidade à linguagem da Mischná e dos Midraschim. No que se refere à poesia, entretanto, deu-se preferência à nobreza da língua do primeiro período: o hebraico bíblico. É a fase da poesia litúrgica, o Piyut.
No final do século XVIII teve início o movimento iluminista judaico, a Haskalá, que se prolongou pelo século XIX. A literatura dos iluministas judeus caracterizou-se, no seu aspecto formal, pela adoção dos gêneros literários europeus da época; do ponto de vista conceituai, contudo, houve novo retorno às fontes bíblicas. A Haskalá, além de lançar os alicerces do sionismo através de seus temas bíblicos, que despertaram o anseio por uma existência livre na antiga terra, também preparou o terreno para o renascimento do hebraico como linguagem de comunicação oral. Os escritores da época optaram por ater-se estritamente ao vocabulário e à gramática do texto bíblico.
Paralelamente à Haskalá, desenvolveu-se a literatura hassídica, cujos relatos, transmitidos oralmente pelos Rabis, em ídiche, foram mais tarde transcritos pelos discípulos em hebraico. Neste caso, a linguagem utilizada foi o hebraico mischnaico, que se mostrou mais próximo da fala popular.
A linguagem da Haskalá, que se prendia estritamente à linguagem bíblica, ia-se mostrando defasada e insuficiente para expressar o pensamento moderno na discussão político-social e, principalmente, no campo da ficção narrativa. Como os escritores ligados à Haskalá, ao lado dos ideais nacionalistas de retorno a Sião, acalentavam também o ideal de transformar o velho hebraico num veículo contemporâneo de comunicação oral, foi natural que procurassem aproveitar o patrimônio vocabular de todas as épocas literárias anteriores, tentando adaptá-lo às novas necessidades.
Foi o escritor Mendele Mokher Sefarim (Schalom Yaakov Abramovitch, 1835-1917) o iniciador da literatura hebraica moderna, quem primeiro desenvolveu essa tarefa na Rússia. Sua principal preocupação consistiu em criar uma linguagem que pudesse expressar a literatura hebraica de sua época, assim como o pensamento do homem moderno. Dedicado à pesquisa do vocabulário hebraico de todos os períodos literários, formulou uma síntese, chegando a utilizar simultaneamente o léxico dos diferentes estratos históricos da língua numa mesma obra e, por vezes, numa mesma oração. Mendele lançou as bases de um estilo novo na literatura hebraica moderna.
Seu texto utiliza material linguístico da Bíblia, do Talmude, das orações litúrgicas, da literatura filosófica medieval e da literatura rabínica. Com Mendele Mokher Sefarim teve verdadeiramente início o processo de ampliação da língua hebraica, criando-se as bases para o seu uso em todos os ramos da ciência, da poética e do pensamento. A partir desse trabalho e da criação de novos vocábulos pelos demais membros da Haskalá, estavam estabelecidas as condições capazes de propiciar o renascimento da fala hebraica.
No início da imigração dos pioneiros sionistas para a Terra de Israel, a partir de 1881, o hebraico se reativa como língua falada a serviço da comunicação oral. Para esse renascimento muito contribuiu Eliezer ben Yehuda (1858-1922), considerado o pioneiro da fala hebraica na era moderna. Ben Yehuda mostrou ser possível empregar o hebraico em todos os setores da vida prática, se usado com persistência e coerência. Além de criar um grande número de vocábulos, logo adotados pelos falantes do hebraico na Terra de Israel, ele elaborou o seu Grande Dicionário, de dezesseis volumes, no qual introduziu o vocabulário hebraico de todos os períodos históricos, acrescido dos termos inovados pêlos iluministas e por ele mesmo.
Os grandes propulsores da divulgação do hebraico falado na Terra de Israel foram os professores, que lutaram para empregar o hebraico como língua oficial do ensino de todas as disciplinas nas escolas locais, contribuindo, dessa forma, para torná-lo o instrumento natural da comunicação.
É fato notável que o hebraico, tendo permanecido por tantos séculos praticamente como língua de comunicação escrita, conseguisse novamente ressurgir como língua falada, o que não é usual, pois o desenvolvimento linguístico move-se na direção oposta, isto é, línguas previamente usadas na comunicação oral transformaram-se em idiomas literários ou em veículos para a comunicação escrita. Por outro lado, o próprio processo de desenvolvimento da língua hebraica foi diferente: tendo sido inicialmente uma língua de comunicação popular na antiguidade, deixou de ser falada após a diáspora, fato esse que impediu que a língua sofresse mudanças. Além disso, o repositório básico do hebraico antigo é a Bíblia e, devido à natureza peculiar e religiosa das Escrituras Sagradas, o léxico bíblico manteve-se imutável quanto à sua forma.
Se todas as línguas cultas recebem influência de suas obras clássicas, no caso do hebraico renovado, a influência da linguagem bíblica foi especialmente intensa. Isto ocorreu, ora, devido à influência da beleza poética da Bíblia e, ora, pelo fato de os textos sagrados permanecerem na memória coletiva da sociedade que inovou o hebraico, já que todos os homens judeus conheciam o Pentateuco e trechos dos Profetas que eram lidos nas sinagogas ao longo da vida judaica na diáspora.
Foi, pois, natural a introdução maciça do vocabulário bíblico no idioma renovado.
Nos nossos trabalhos e investigações sobre as origens históricas do hebraico moderno pudemos comprovar o uso mais frequente do vocabulário bíblico no hebraico renovado em relação aos outros estratos da língua . A pesquisa consistiu numa amostragem de 200000 palavras correntes, selecionadas em jornais e periódicos israelenses, investigadas quanto à origem histórica das mesmas. Verificamos que 61% das palavras de maior frequência presentes nesta amostragem são de origem bíblica e as demais estão distribuídas da seguinte forma: palavras da literatura talmúdica 16%, da literatura medieval 6%, léxico inovado 15%, e estrangeirismos 2%.
Quanto ao léxico hebraico inovado encontramos que 56% dos vocábulos foram cunhados a partir de radicais bíblicos. Esses resultados confirmam de modo inequívoco a importante presença da Bíblia no hebraico moderno e o caráter da unidade da língua hebraica.
O hebraico bíblico forneceu ao hebraico renascido o tronco, o alicerce, e supriu o vocabulário básico das diversas áreas da vida, relatadas nas Escrituras. Estabeleceu também o núcleo formal dos sistemas e das formas gramaticais: a estrutura do substantivo, as conjugações da maioria das construções verbais (Binyanim), bem como os tempos verbais.
O segundo período da literatura hebraica clássica, o período talmúdico ou mischnaico, contribuiu especialmente no que diz respeito à organização da estrutura sintática do hebraico moderno, já que o estilo do texto bíblico, altamente poético, dificilmente poderia ser utilizado na linguagem corrente e coloquial. Esse segundo período também contribuiu com o seu vocabulário hebraico e, ainda, com as expressões aramaicas, largamente utilizadas na norma culta e nas obras literárias do hebraico moderno.
O hebraico da Idade Média judaica deu sua contribuição à língua renovada em vários campos, principalmente no vocabulário específico e na terminologia referente à Filosofia, às Ciências Naturais, à Medicina e em especial à Matemática e Astronomia.
O hebraico moderno não é, portanto, o resultado de uma evolução natural e orgânica da língua como usualmente ocorre: seus diferentes estratos produzidos nos diversos períodos históricos e literários contribuíram para a organização de um sistema sincrônico, em que coexistem lado a lado elementos linguísticos de todas as fases anteriores, indistintamente, sem haver nem mesmo a eliminação de formas arcaicas.
Em 1890 foi fundado na Terra de Israel o Comitê da Língua Hebraica, que se dedicou a um trabalho organizado de renovação e ampliação da língua, criando novos vocábulos, incorporados pelos falantes do hebraico daquele tempo. Foi esse Comitê, dirigido por Ben Yehuda, que decidiu pela adoção da pronúncia sefaradita do hebraico, sob a argumentação de que essa pronúncia seria mais bela, mais suave e a que melhor lembrava a fala oriental e, talvez, a fala dos hebreus antigos.
A Academia de Língua Hebraica, sucessora do Comitê, é hoje uma instituição oficial de Jerusalém e suas decisões, em matéria de terminologia, grafia, pronúncia e transliteração, são adotadas pelas entidades educacionais e científicas. Os vocábulos, por ela cunhados ou aprovados, fazem parte dos dicionários e dos livros de textos escolares e passam a integrar o patrimônio linguístico do hebraico moderno.
A ordem de prioridade das fontes pesquisadas para a formação de novos vocábulos foi, em primeiro lugar a Bíblia, depois o Talmude e, em seguida, a vasta literatura da Idade Média. Só em último caso recorreu-se a palavras ou radicais de outras línguas semíticas, de preferência o aramaico e em seguida o árabe. O recurso a línguas ocidentais deu-se apenas em casos de extrema dificuldade, aplicando-se a técnica da hebraização dos radicais.
Atualmente, após cem anos do início do renascimento do hebraico, o desenvolvimento do idioma não é mais planejado e organizado. Tendo-se tornado a língua oficial de um Estado e de seu povo, adquiriu impulso próprio, passando a desenvolver-se como todas as línguas faladas.
Sua evolução, tanto no que se refere ao vocabulário como à semântica e, num ritmo mais lento, à própria gramática, atende agora às necessidades de uma sociedade que exige constantemente novos termos para identificar novos fenômenos.
O processo de criação de novos termos tem continuado sempre com a utilização do material linguístico já existente nas fontes escritas. A maioria das inovações continua sendo feita de acordo com o caminho clássico: adequando radicais das fontes tradicionais, acrescidos de prefixos e sufixos, ou ainda, combinando várias palavras básicas para criar uma nova. Muitas dessas inovações já têm um cunho popular.
A Academia de Língua Hebraica, através de suas diversas comissões, atua no exame das propostas de novos vocábulos que lhe chegam dos vários setores da sociedade, aprovando-os ou não, e tem ainda ao seu encargo a tarefa de cunhar, ela mesma, novos vocábulos.
Estrangeirismos ou empréstimos também já penetraram em larga escala no hebraico, o que é usual e normal nas línguas modernas. A Academia, entretanto, faz um esforço no sentido de substituir os estrangeirismos por vocábulos inovados. Procura criar termos hebraicos para os estrangeirismos correntes, que, às vezes, são aceitos pelos falantes e, outras, passam a conviver lado a lado com a palavra cunhada para o mesmo conceito.
No que se refere à gramática, geralmente esse sistema se caracteriza por um maior grau de estabilidade, mas, no hebraico falado, nota-se uma tendência a evitar as formas gramaticais irregulares e a incrementar a uniformidade gramatical. Isso ocorre, por exemplo, nos verbos do futuro plural feminino, que diferem do plural masculino, e na conjugação de alguns verbos (como yoschen no lugar do gramaticalmente correio yaschen). Embora essas mudanças sejam correntes na fala popular, a gramática oficial não as incorporou.
A ortografia plena, que utiliza as letras u, o e. i como auxiliares da leitura na escrita sem vogais, também responde ao anseio do povo pela simplificação, mas, oficialmente, coexistem os dois sistemas ortográficos: a escrita defectiva (ketiv hasser), totalmente vocalizada, e a escrita plena (ketiv malê), sem as vogais. Todas as tentativas de simplificação, tanto da gramática como da grafia, sofreram reveses.
Concluindo, o hebraico antigo transformou-se numa língua dinâmica, moderna, corrente e natural. O acréscimo de novos vocábulos, bastante numerosos, não afetou as características básicas da língua. Por outro lado, a par dos vocábulos acrescidos para expressar o novo mundo, já surgiu um rico vocabulário popular, uma gíria amplamente difundida em todas as camadas sociais dos falantes do hebraico.
O surgimento dessa fala popular é o sinal maior de que o processo de renascimento ou renovação da língua hebraica foi bem-sucedido.
O hebraico, língua clássica, altamente poética, que serviu durante dezessete séculos a práticas religiosas, à comunicação escrita e à expressão literária, transformou-se numa língua moderna, com todas as características de língua falada capaz de expressar as necessidades de uma sociedade moderna e dinâmica, dispondo até mesmo de gíria própria, eivada de termos ídiches e árabes.
Foi, pois, concluído o processo de renascimento da língua hebraica e está em curso o processo de desenvolvimento natural do hebraico moderno.
R. B.


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Fonte:
Dicionário Hebraico-Português, por: Rifka Berezin. Edusp (Editora da Universidade de São Paulo - USP). São Paulo, 1995 (Ano Judaico: 5755), págs. 9-14.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A Origem do Baralho

BARALHO — Várias lendas percorrem o mundo contando histórias das cartas de jogar.
A sisuda enciclopédia Britânica diz que o baralho descende provavelmente dos árabes e acrescenta também ser a cidade de Ulm, na Alemanha, a sua primeira e mais conhecida fabricante.
Há quem conte, entretanto, que o mais antigo baralho é o tarot; nesse particular, a lógica mistura-se com a fantasia, numa das mais fascinantes histórias vindas da antiguidade.
O tarot é um conjunto de 78 cartas, sendo que, dessas, 52 formam o atual baralho. As outras que existiam eram o "Cavaleiro" que tinha seu lugar entre a dama e o valete dos quatro naipes e ainda mais 22 figurativas que se caracterizavam por serem únicas e completavam assim o tarot. Entre essas, encontravam-se a torre, o imperador, o bobo, o homem enforcado e outras mais. Possivelmente o coringa originou-se do bobo.
Sabe-se que a princípio, o tarot era representado em tábuas, na mesma forma que as peças encontradas na bibliotecas de Alexandria, depois passou a medalhões, a placas de metal, a cartas de couro e finalmente a cartões de papel. Apareceu pela primeira vez na Espanha no século XIV, na mão de ciganos analfabetos que nele liam a sorte e o futuro. A incongruência cedo se fez notar — o tarot era de forma bastante inteligente e suas figuras eram por demais mescladas com símbolos das mais remotas épocas para ter sido inventado por nômades inconsequentes.
Ficando assim praticamente provado que o tarot foi trazido pela mão dos mouros quando estes invadiram a Espanha. Deste ponto em diante a lenda principia e é entusiasticamente defendida pelos estudiosos.
Segundo os entendidos, o tarot é um livro egípcio que versa sobre Deus em relação ao homem e o Universo, fazendo assim parte do quadro das ciências herméticas. É necessário, para compreendê-lo, estar-se familiarizado com o cabala, livro místico judaico, com a alquimia, a magia e a astrologia. Havendo ainda quem afirme ser o tarot urna sinopse dessas ciências, ou pelo menos uma tentativa.
As ciências herméticas constituem um sistema de estudo do homem em relação ao Universo, de uma forma bem mais transcendental que a pesquisa física. Sua forma c simbólica sem ser prisioneira da objetividade das palavras, ela é muito mais completa. As múltiplas facetas do símbolo ampliam a visão do espírito humano, atingindo a uma esfera de compreensão inegavelmente superior ao da linguagem.
Os princípios da vida no quadro das ciências herméticas são em número de quatro: O cabala apresenta-os nas 4 letras do nome de Deus (yod, he, val e He-Jeová) que unidas representam o Absoluto. A alquimia na forma de elementos; o fogo, a água, o ar e a terra: a magia os quatro espíritos desses mesmos elementos; a astrologia quatro princípios, que remotamente correspondem aos pontos cardiais, c finalmente o Apocalipse fala de suas quatro bestas: as cabeças do touro, do leão, da águia e do homem. O baralho é composto de quatro naipes identificados com esses símbolos. Sendo paus correspondente ao espírito do, fogo, espadas com o espírito da água. copas com o do ai? e ouros da terra.
Essas ciências eram conhecidas dos sacerdotes egípcios e só adquiriram cunho vulgar quando caíram nas mãos de homens pouco  esclarecidos que tomaram   literalmente   a significação dos símbolos.
Conta-se que na antiguidade os candidatos ao sacerdócio, para serem iniciados na alta doutrina, passavam por uma galeria no Templo de Osíris, a qual se compunha de 22 afrescos pintados em suas paredes. Levados pela mão dos altos mestres os iniciados aprendiam o segredo dos símbolos. Ora, com a invasão dos bárbaros na terra das pirâmides, os sacerdotes sentiram o perigo que os ameaçava, e reconhecendo que não teriam forcas para defender seu templo e seu segredo formaram um concílio. Depois de cuidadoso exame chegaram a uma das mais sábias conclusões — Devendo deixar para a posterioridade os seus conhecimentos, era necessário que eles fossem gravados em algo seguro. O que existiria de mais poderoso no mundo? Não foi preciso muito para que "o vício fosse eleito por unanimidade", e foi assim que as cartas de um jogo de soldados analfabetos ganharam as 22 figuras dos afrescos do Templo de Osíris. A lenda termina contando por seus próprios súditos e supõe-se ser esta a razão pela qual nunca foi encontrada uma pedra sequer desse tão citado templo pelas gerações seguintes. Como havia sido previsto, pelas suas vítimas, os invasores exterminaram suas vítimas, mas aprenderam o jogo dos soldados e assim o divulgaram através dos tempos.
Existem entusiastas que afirmam ser o tarot tão completo e perfeito que um prisioneiro tendo somente em suas mãos um de seus exemplares e sendo capaz de manejá-lo com presteza será capaz de adquirir surpreendentes conhecimentos. Há quem afirme também que a humanidade perdeu a chave da linguagem dos símbolos, e com isso esqueceu a significação da vida — e do baralho.
Lenda ou não, o tarot chegou até nós, virou o baralho e é hoje usado em grande parte da Europa. Seus reis ganharam a figura de grandes monarcas como Júlio César, David, Alexandre, Carlos Magno. Suas rainhas o rosto de Minerva, Argine, Raquel e Judite. O símbolo cabalístico do "Homem enforcado" gerou, como a mais certa das hipóteses, as figuras com duas cabeças — pois o "Homem enforcado" era assim apresentado, sendo que a cabeça de cima representava o céu e a de baixo o inferno, a linha mediana simbolizava a vida terrena.
Hoje a geração moderna, imediatista e objetiva, ainda para perplexa diante da figura enigmática e imponente da esfinge; e há quem pare diante de um jogo de pif-paf ou buraco com uma longínqua pergunta no cérebro: O que teriam os sacerdotes egípcios de tamanha importância a nos deixar? (segundo Germana de Lamare).


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Fonte:
Dicionário da Origem e da Evolução das Palavras, por: Luiz A.  P.  Victoria. Editora Científica, 4ª Edição. Rio de Janeiro, 1965, págs. 26-29.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Abraão

Abraão (pai duma grande multidão; originalmente Abrão, pai exaltado).
Progenitor de povo hebraico, nasceu em Ur Casidim. Ur dos caldeus, propriamente, Ur dos babilônios, no sul da Babilônia, ou ainda Uri, nome sumeriano de Acade. Tábuas de contrato -  tábuas feitas de barro com pactos inscritos enquanto massa molhada e postas a secar em lugar próprio — revelam que na era de Abraão, negociantes cananeus — ou "amorreus", como eram chamados pelos babilônios, falando a língua de Canaã, Isa. 19:18 — o hebraico — fixaram residência na Babilônia. Em uma tábua-datada no reinado do avô de Hamurabi, o Anrafel de Gên. 14:1, uma das testemunhas é chamada "o amorreu, filho de Abjramu", isto é, Abrão. Em emigrar para o oeste. Terá agiu de conformidade com o costume dos babilônicos e dos amorreus. Assim foi parar em Harã da Mesopotâmia, cidade edificada pelos reis da Babilônia. O deus lunar, no seu grande templo erguido no centro da cidade, era o padroeiro de Ur, como também de Harã.
Mesmo em Canaã, Abraão estava sob a influência e o governo da Babilônia. Em primeiro lugar, acampou debaixo do terebinto de Moré, defronte de Siquém; então foi a Betel, depois para o Egito, que nesse tempo era governado pelos reis hiksos, conquistadores vindos da Ásia, em cuja corte naturalmente, todo asiático era bem-vindo. Zoa, capital dos hiksos, ficava no nordeste do delta; assim, um viajante vindo da Ásia chegaria sem dificuldade, à presença de Faraó. Entre outros bens, Abrão possuía muitos camelos, animal peculiar à Ásia, porém, só utilizado no Egito depois na era cristã.
Quando o patriarca voltou para Canaã, foi abandonado por seu sobrinho Ló que ficara em Sodoma, tornando-se, assim, cananeu. Os príncipes cananeus do vale de Sidim se rebelaram contra os seus senhores babilônios e por isso um exército comandado por Quedorlaomer de Elão, senhor feudal da Babilônia, os combateu. Sob seu comando marcharam Anrafel de Sinar (isto é, da Babilônia setentrional), Arioque de Elasar e Tidal, que eram reis. Nomes semelhantes foram encontrados nas inscrições babilônicas.
No tempo dessa invasão, Abrão, o confederado de três comandantes amorreus, morava em Manre ou Hebrom. Ao saber que seu sobrinho era cativo do exército invasor, o patriarca e seus aliados acossaram o inimigo até perto de Damasco, retomando os cativos e seus despojos. Na sua volta o conquistador é saudado por Melquisedeque, sacerdote-rei de Jerusalém.
Abrão teve um filho, Ismael, com a escrava egípcia Agar. O nome Ismael é encontrado nos documentos babilônicos da era de Hamurabi, rei da Babilônia. Quando Ismael estava com a idade de treze anos, Abrão e todos os homens de sua família foram circuncidados. No Egito, a circuncisão fura praticada em data imemorável, no entanto, tornou-se o seio do Pacto entre Deus e a descendência de Abrão, cujo nome, ao mesmo tempo, foi mudado para Abraão, significando assim que ele não era mais babilônio. Pouco depois as cidades pecaminosas da campina, ou do vale de Sidim, foram destruídas por fogo e enxofre. Abraão intercedera, em vão, pelos pecadores; escapou somente Ló com suas filhas, que se tornaram progenitoras de Amom e Moabe.
Em seguida encontramos Abraão em Gerar, ao sul de Gaza. Nessa região nasceu Isaque: foi ali também que Deus provou Abraão, para que em conformidade com os ritos cananeus, em um monte na terra de Moriá, ele sacrificasse seu filho unigênito, o herdeiro da repetida promessa de uma grande nação que havia de possuir a terra de Canaã. Deus, porém, mandando sustar o sacrifício de Isaque, mostrou a Abraão que ele não exigia essa absurda oferta determinada pela religião pagã. Sua mulher Sara (em assírio Sarrat, isto é, rainha), morre em Hebrom e é sepultada no campo de Macpela, que o patriarca comprara por quatrocentos siclos de prata, dos hiteus que aí moravam. Os detalhes desse ajuste concordam com o processo legal babilônico a tais transações.
Nessa época Abraão envia seu servo a Harã, na Mesopotâmia, a fim de buscar uma mulher para seu filho Isaque, entre seus parentes. Consequentemente, Rebeca, irmã de Labão, tornou-se mulher de Isaque. Abraão foi, por parte de sua segunda mulher Quetura, progenitor de varias tribos da Arábia central. Mais tarde morre Abraão e é sepultado em Macpela.
Abraão era amigo de Deus, glorioso protótipo de obediência, de justiça, de fé, pai dos fiéis, fundador da raça hebraica, o zeloso protagonista da religião de Jeová.

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Fonte:
Conciso Dicionário Bíblico (Ilustrado), por: D. Ana e S.L. Watson. Imprensa Bíblica Brasileira, 14ª Edição. Rio de Janeiro, 1986, págs. 7-8.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Os nomes e seus significados

Os nomes e seus significados
No entanto, a lei de ressonância age, invariável e inapelavelmente, no sentido de propagar as ondas magnéticas que emanam da vibração de cada coisa e, no caso, de cada som.
Desde a Antiguidade, contudo, o homem percebeu que o nome de cada um tem sua vibração própria e que esta vibração emana, atraindo ou repelindo acontecimentos.
Mais tarde, esses estudos fizeram parte da Kabalah dos judeus e também dos compêndios de Pitágoras e hoje, apesar de não fazer parte dos hábitos regulares da humanidade em geral, está implícita na aflição que os pais sintonizam cada vez que precisam escolher um nome. Os livros de nomes de bebê se popularizaram de tal forma que, a despeito de não termos sábios a nos orientar, parece que não nos convencemos de um ou de outro nome sem antes consultarmos, pelo menos, o significado deste ou daquele nome. Com o tempo, a Nomeosofia (estudo dos nomes e das suas vibrações) tornou-se hábito tão comum que a nobreza só escolhia o nome de seus filhos após consultar os sábios consultores no assunto. Assim, se alguns nomes do princípio dos tempos fulguraram nas nações com o brilho das virtudes divinas e angelicais, conforme as civilizações ou povos iam mudando de interesse, registravam em seus filhos os nomes que mais representassem as virtudes humanas, dentro do foco pessoal de interesse de cada um.
A nobreza ou classes sociais e castas mais altas, por serem sempre as grandes criadoras de nomes próprios, escolheu para suas filhas nomes como Isabel (a mais pura, a mais casta), Elizabete (a consagrada por Deus), Virgília (virginal), Milena (a amável, a amorosa), por trazerem aspectos que agradariam aos homens. Aos filhos, por sua vez, escolheu nomes como Nabucodonosor (minha coroa me protege), Alexandre (defensor da espécie humana), André (forte, viril), Marcos (deus da guerra, Marte), Eduardo (guarda das riquezas) etc.
As classes menos favorecidas, se não imitavam os nomes das classes mais altas, escolhiam para seus filhos nomes que representassem as características ou funções mais comuns aos de sua linhagem, como Camilo (jovem auxiliar de cerimônias), Crispino (o que tem cabelos crespos), Carlos (fazendeiro) e outros.
Estudando minuciosamente os nomes, veremos que, em todas as procedências, a maioria deles sempre reporta a virtudes elementares para o sucesso ou representam aspectos da natureza ou virtudes. Mas, isso vai depender da origem do nome, ou seja, do país ou região em que ele foi criado, pois há mudanças de significado de uma região para outra.
De qualquer forma, o que fica de importante é saber que o nome de cada um de nós influi em muito na personalidade que criamos, nos conflitos ou nos sucessos que atraímos para nós e, até mesmo, na maneira como desenvolveremos este ou aquele trabalho, esta ou aquela relação.

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Fonte:
Escolha os mais lindos nomes de Bebê: de A a Z, nº 01. De Farias Artes Visuais Editora, pag. 6.

Nomes? De onde eles vêm?

Nomes? De onde eles vêm?
Não importa como eles são, mas sim seus significados
A única coisa que realmente temos na vida e que não uda nunca é nosso nome. E você? Sabe por que ele revela a sua origem? E por acaso imagina qual a relação que ele tem com seu destino? Todas essas respostas dependem do significado que ele tem. Por isso é importante que o nome seja escolhido cuidadosamente, pois ele pode influenciar muito no rumo que irá seguir em sua vida.
A escolha do nome é muito importante, mas isso não quer dizer que os pais se liguem no significado dele na hora de balizar seus filhos. Dificilmente escolherão o nome Elvis, por exemplo, por ele significar "aquele que sabe muito" ou então Cazuza, que é uma variação no nome José. Muitos Elvis e Cazuzas receberam esses nomes apenas porque seus pais gostavam destes cantores e não por causa de seus significados.
Além disso, frequentemente, os pais, por admirarem pessoas que vivem em seu meio e por quererem que tenham o mesmo destino que elas, colocam seus nomes em seus filhos. Por isso, muitas pessoas possuem o nome de parentes, dos pais, de amigos ou de grandes heróis da história.
Segundo alguns especialistas, a escolha do nome indica o caminho que a pessoa vai trilhar durante a vida. Apesar de os pais sonharem com um caminho brilhante para seus filhos, muitas vezes nem imaginam que os nomes podem ter uma influência no destino deles.

A moda dos nomes
Para fugir dos nomes da moda e dos nomes comuns, muitas pessoas acabam inventando nomes interessantes e curiosos. Se o seu nome fizer parte deste caso, para saber o que ele significa é necessário que saiba qual a palavra que o originou e também, descobrir por qual motivo seus pais fizeram esta escolha. Por exemplo, Odivan, o jogador do Botafogo, no Rio de Janeiro, recebeu este nome porque seus pais gostavam da música de Roberto Carlos chamada "O divã". Pesquisando você pode descobrir muitas coisas interessantes a respeito de seu nome como, por exemplo, que ele é uma mistura de dois outros nomes como Kariana que é a junção de Karina com Mariana.
Mas será que algum dia seu nome já esteve na moda? Na década de 60 a moda era nomes religiosos como Francisco e Maria. Nos anos 70 começaram a se popularizar os nomes estrangeiros como Ingrid e Sthefany. Na verdade, a grande influência na moda dos nomes é a televisão que de acordo com os seriados, novelas e filmes fazem com que os pais, por se simpatizarem com determinado personagem, coloquem o mesmo em seus filhos. Então, pode ter certeza que um dia seu nome já esteve na moda.

Nomes que mamaram a história
A moda na década de 50 era os nomes de personagens históricos, pois com isso, os pais queriam que seus filhos tivessem as mesmas características desses heróis. Vários desses nomes, por serem de outras épocas e principalmente, por serem de origem estrangeira são escritos de forma errada, geralmente da maneira que se pronuncia. Um exemplo disso é o nome do cantor Eric Clapton que acabou ficando como Hericlapiton.
Mas não são somente nomes de heróis, cantores e atores famosos os mais procurados pelo pais, às vezes os vilões da história também recebem homenagens e essas podem se tornar um problema na vida de quem recebe estes nomes. Imagina o que pode sofrer uma pessoa que se chama Adolfho Hitler. Veja abaixo alguns nomes registrados nos cartórios pelo Brasil a fora: Adolhpo Hitler de Oliveira, Anjo Gabriel Rodrigues Santos, Charles Chaplin Ribeiro, Elvis Presley da Silva, Hericlapiton da Silva, Ludwing van Beethoven Silva, Maicon Jakisson de Oliveira, Marili Monrói, Marlon Brando Benedito da Silva, Sherlo-ok Holmes da Silva, Ruy Barbosa e José Bonifácio.

Nomes sem fronteiras
A criatividade não tem limites quando se fala de nomes! Não são só nomes de personalidades e heróis da história que são lembrados. Os pais, à procura de um nome diferente, acabam indo em busca deles em terras distantes como a Grécia. Esses nomes podem ser escolhidos por causa da descendência da família ou simplesmente por não serem comuns. Veja alguns: Adrasta (grego), Bulcinete (teutônico), Caliméria (grego), Danika (grego), Emerenciana (latim), Filotéia (grego), Grimaldi (germânico), Hipereides (grego), Imelda (teutônico), Jacimar (indígena), Lavone (latim), Murta (grego), Neófita (grego), Nomusa (africano), Omanisa (bretão), Prisca (latim), Rochelle (francês), Sonal (sânscrito), Tacira (tupi), Vismara (germânico), Wikolia (havaiano) Zózima (italiano).

As inspirações
Além dos nomes estrangeiros, homenagens a famosos e das combinações entre dois ou mais nomes, existem várias contribuições para as variedades de nomes que vemos por ai. O esoterismo também aparece para ajudar. A cantora Baby do Brasil, que antes se chamava Baby Consuelo, baseou-se no misticismo para nomear seus filhos Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Ra Baby, Krishna Baby e Pedro Baby.
Erros na hora de registrar o nome no cartório também são muito comuns. Acontecem porque as pessoas não conhecem a escrita correta do nome. Isso acontece principalmente com. pessoas cujos nomes se escrevem de uma maneira e se pronunciam de outra. Por exemplo, Washington, que muitas vezes acaba virando Uoston, Wo-xington e Oazinguito.


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Fonte:
O Significado e a Sorte dos Nomes, ano 5, nº 73. Novo Mundo Projetos Editoriais. São Paulo, s/d, págs. 4-6.

domingo, 26 de junho de 2016

Sobre a origem dos nomes

Sobre a origem dos nomes

Os estudos destinados à explicação dos nomes próprios recebem o nome de onomástica, que é um dos ramos da linguística e inclui a antroponímia (estudo dos nomes das pessoas), a toponímia (estudo dos nomes dos locais) e um grupo diverso, para o qual foi proposta a designação de polionimia, que abrange todos os outros nomes que não se inclui nestas duas subdivisões, tais como nomes de animais, astros, ventos, barcos etc. A antroponímia ainda se divide em aspectos diversos, dentre os quais a hagionimia (nomes dos santos da Igreja), patronímicos e matronímicos (nomes oriundos do lado materno ou da esposa), hipocorísticos (apelidos, alcunhas, passagem de nomes próprios para nomes comuns, etc.). Do seu lado, é muito diversa, são existindo ainda uniformidade, a terminologia dos diversos nomes, de batismo ou de pia, nome próprio, apelido etc. São das mais íntimas as relações entre toponímia e antroponímia, posto que existem topônimos que derivam de nomes próprios e, por outro lado, há antropônimos provenientes de nomes de locais. Na análise dos antropônimos de um país ou até de unia região, ê conveniente que se leve em conta o sistema antroponímico e a função dos elementos do nome. Uma pessoa pode ter diversos nomes: um deles constante nos documentos oficiais, outro pelo qual ela ê geralmente conhecida, outro na linguagem familiar (por exemplo, um apelido) e, outras vezes, um outro, especialmente entre as camadas populares, constituído por uma alcunha. Quanto aos apelidos de família, é bem conhecida a diferença entre o sistema português e o espanhol: no português o nome do pai vem, normalmente, em último lugar e o da mãe em penúltimo, sendo que no espanhol o sistema ë o inverso. E no que diz respeito à função, basta lembrar a diferença importante de Dom e Dona em português e espanhol, ou o significado de von em nomes alemães. Além dos estudos referentes a cada língua, procura-se também fazer onomástica comparada, como por exemplo estudar o culto de Nossa Senhora na antroponímia e na toponímia portuguesa e brasileira, ou a influência germânica ou árabe nos nomes de vários países de origem latina. Também já se tentou aplicar a orientação estruturalista aos estudos de antroponímia e toponímia. Os estudos atingiram um tal desenvolvimento em todo o mundo que se tornou necessário criar, além da Comissão Nacional de Toponímia e Antroponímia existente em muitos países, um Comitê Internacional das Ciências Onomásticas, com sede em Louvain, na Bélgica. Muitos outros fatos, como a realização de inúmeros Congressos, demonstram a excepcional importância desses estudos.



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Fonte:
Dicionário de Nomes Próprios, por: Camille Vieira da Costa. Traço Editora. São Paulo, 1988, págs. 5-6.

Como formar um nome

Como formar um nome
Escolher o nome para um bebê é sempre motivo de alegria, euforia e realização, mas não é uma tarefa fácil. Afinal, ele vai levar essa marca para o resto da vida. Para alguns pais, essa escolha começa na confirmação da gravidez, através de longas pesquisas em livros, revistas, internet, etc. Outros já têm nomes eleitos e acordos firmados entre o casal ou a família há muito tempo. Em qualquer dos casos existe sempre a preocupação de passar alguma coisa para esse novo ser — uma tradição, uma força, um desígnio, mas será a própria pessoa que fará seu nome, e não o contrário. Veja, a seguir, algumas dicas que podem ajudar nessa seleção.
•  Escolha um nome e em seguida coloque um sobrenome materno e outro paterno.
• Fale-o em voz alta, experimente as combinações e veja se tem bom ritmo ou se favorecem apelidos esquisitos. Se o sobrenome é muito complicado, prefira nomes simples.
• Use nomes curtos quando o sobrenome é muito comprido, e vice-versa.
• Evite que a última sílaba do nome seja a mesma que a primeira do sobrenome, como Luiza Zarcometti.
• Peça para alguém lhe telefonar e dizer o nome completo escolhido. Verifique o som, se parece confuso ou se é fácil de memorizar.
• Escrever o nome completo é fácil? E para soletrar? Nomes estrangeiros, com letras pouco usuais, como Y, H, K ou W costumam causar muitos inconvenientes para quem os carrega. Pense no seu filho tendo de passar a vida soletrando o próprio nome para os outros.
• Prefira um nome que dê margem a um apelido do que registrar seu filho com ele. Não se esqueça de que o apelido também deve sonorizar com o sobrenome, ou com o nome do meio.
• Veja se as letras iniciais do nome completo não formam alguma palavra esquisita ou que possa criar problemas.
• Para os nomes duplos, as regras são as mesmas.
• Muitas famílias têm como tradição a repetição do nome do pai ou avô, acrescido de Filho, Júnior ou Neto. A confusão, mais tarde, será inevitável.
• Como solução, algumas pessoas acrescentam um outro nome ao nome familiar, formando um nome composto como: Ana Luísa, Teresa Cristina, Luis Alberto. A dificuldade fica por conta de você ter de falar o nome composto por inteiro, o tempo todo, para diferenciar seu filho do vovô, vovó, etc.
• Alguns nomes não deixam bem claro o gênero (masculino ou feminino). Os terminados em ar, ir e alguns estrangeiros são bons exemplos. Evite problemas para o seu pequeno.
• Ter um homônimo (alguém com o mesmo nome e sobrenome) pode causar complicações futuras. Se a família tem um sobrenome muito comum, como Silva, Ferreira ou Santos, procure um nome com algum diferencial. Checar as listas telefônicas é um bom caminho.


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Fonte:
Que nome darei... nomes de meninas, nº 2. Editora Talismã, s/d., págs. 3-4.

Verbo: sobre os modos e os tempos

Sobre os modos e os tempos
1. NOTE-SE que as formas do subjuntivo são usadas com diferentes conjunções: que, embora, quando, se, assim que, etc. As formas do infinitivo são usadas com diferentes preposições: a, para, de, por, antes de, etc. Ê importante esta observação, pois os verbos regulares têm o futuro do subjuntivo igual ao infinitivo, distinguindo-se apenas pela regência, conjuncional ou preposicional, como afirmamos acima.
2. Convencionou-se conjugar o imperativo a partir da 2ª pessoa do singular, por parecer inadmissível ordenar ou pedir-se a si próprio. Entretanto, a 1ª pessoa do singular, do modo imperativo (quer afirmativo, quer negativo), embora não seja usada na linguagem comum, sistemática, não é forma excluída, pois pode ser empregada na linguagem afetiva, enfática.
3. É necessário observar-se com atenção o emprego dos imperativos, pois é erro frequente confundir-se com o presente do indicativo e com as pessoas que vêm do presente do subjuntivo, principalmente quando se trata do imperativo negativo.
4. O imperativo negativo é formado exclusivamente do subjuntivo presente, pospondo-se o pronome sujeito e substituindo-se a conjunção por uma negativa (não - nunca, etc.).
5. Os modos são: INDICATIVO — que expressa uma ideia exata: — faço, fiz, fazia, etc. SUBJUNTIVO — que expressa uma ideia hipotética, uma dúvida: — embora eu faça, se eu fizesse, quando eu fizer, etc. IMPERATIVO — manda ou pede: — fazei o que digo; não faças tal coisa; traga-me o livro, por favor.
6. Os tempos são:
PRESENTE — indica uma ação que está realizando-se:
Tempo presente
→ Você fala — (modo indicativo)
→ Mesmo que você fale (modo subjuntivo)
PRETÉRITO ou passado: — ação que já se realizou.
Há três tipos de passados, porque existem 3 sentidos ou maneiras de uma ação situar-se no passado:
a) Passado ou pretérito perfeito — como está claro, é ação passada e concluída em si mesma; é um passado perfeito.
b) Passado ou pretérito imperfeito — a ação relaciona-se com outra também no passado: chegava quando terminou a conversa. Serve, ainda, para indicar ações que se prolongam: — os sinos soavam. . . Imprime certa continuidade à ação.
c) Passado ou pretérito mais-que-perfeito — este expressa uma ação anterior ou mais remota: — Ele já tivera tudo que sonhara. . .
FUTUROS: presente, quando indica ação que virá a realizar-se; pretérito, indica uma ação que se desejou realizar no passado, foi projetada, mas, por condições, não foi realizada. Em relação ao momento em que foi apresentada; no passado, portanto, a ação está no futuro, ela foi projetada para o futuro; porém, quando falamos, no presente, já se tornou pretérita e não realizada.
7. Os modos, indicativo e subjuntivo, podem estar em qualquer tempo, isto é, presente, pretérito ou futuro, como vemos na conjugação.
8. As formas de conjugação composta, tornando-se cada vez menos usadas na linguagem moderna, não serão conjugadas neste pequeno dicionário, por isso explicamo-las aqui.
COMPOSTOS DO MODO INDICATIVO
a) Pretérito perfeito composto: particípio do verbo que se conjuga com o presente do indicativo dos auxiliares — tenho estudado — hei estudado (já superada esta última forma na linguagem hodierna). Encontra-se esta forma também com o pretérito perfeito dos auxiliares (tive estudado ou houve estudado), porém hoje superada e só encontrada em autores clássicos.
b) Mais-que-perfeito composto: particípio do verbo que se conjuga com o imperfeito do indicativo dos auxiliares — tinha estudado — havia estudado. Esta composição é a mais usada na linguagem moderna. Também pode ser feita com o mais-que-perfeito simples (tivera estudado — houvera estudado), porém superada hoje.
c) Futuro do presente composto: infinitivo do verbo que se conjuga com o indicativo presente ou o próprio futuro simples do verbo haver — hei de estudar — haverei de estudar.
d) Futuro do pretérito composto: infinitivo com o imperfeito — havia de estudar; com o mais-que-perfeito — houvera de estudar (menos usada) e com o futuro pretérito — haveria de estudar.
Observe que os compostos do futuro são sempre ligados pela preposição de e são apenas com o auxiliar haver.
COMPOSTOS DO MODO SUBJUNTIVO
a) Pretérito perfeito composto: presente do subjuntivo dos auxiliares com o particípio do verbo que se conjuga — tenha brincado — haja brincado.
b) Mais-que-perfeito composto: imperfeito do subjuntivo dos auxiliares com o particípio do verbo que se conjuga — tivesse brincado — houvesse brincado.
c) Futuro composto: futuro simples com particípio do verbo que se conjuga — tiver brincado — houver brincado.


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Fonte:
Dicionário de Conjugação de Verbos, por: Bárbara Vasconcelos de Carvalho. Editora Lotus. São Paulo, 1969, págs. 13-15.

Antroponímia brasileira

Antroponímia brasileira
Os Antropônimos estão documentados e registrados em todas as raças e línguas, fazendo parte da cultura de todos os povos desde as eras mais primitivas.
Apelidos ou nomes foi a forma encontrada pelos seres humanos para distinguir as pessoas da família e da comunidade, facilitando assim, a identificação de cada um de seus membros.
Inicialmente, apenas um nome era suficiente para a identificação, mas com o crescimento das famílias e a população das comunidades, alguns nomes começaram a se popularizar e a serem também usados por descendentes de outras famílias, gerando assim dificuldades na distinção de cada pessoa. Houve então, a necessidade da criação de um segundo nome que acrescentado ao primeiro identificasse melhor as pessoas.
Esse segundo nome foi surgindo naturalmente aliado a peculiaridades referente a pessoa, e esta, fosse identificada facilmente: João Oliveira = João, que planta, cuida ou vende olivas; Paulo Ferreira = Paulo, o ferreiro ou aquele que trabalha com ferro; José Serra = José, o que mora na serra ou no alto da montanha; Pedro Carneiro = Pedro, o que cria carneiros; Antônio Lago = Antônio, o que pesca ou mora próximo a um rio ou lago; Sérgio Fortes = Sérgio, o forte, musculoso, de aparência forte; Luiz Guimarães = Luiz, nascido ou procedente da cidade de Guimarães; Cláudio Branco = Cláudio, o de cor bem clara, branca. Assim desta forma simples de "apelidos", foram surgindo nomes que seriam adotados como sobrenomes, simplificando a identificação dos indivíduos e das famílias dentro das comunidades.
iVa formação dos Antropônimos brasileiros houve a influência de vários povos e idiomas. O Português, o Espanhol, o Italiano, o Alemão, o Hebraico, o Árabe, o Inglês, o Francês, o Latim, o Anglo Sapcão e outros com menor participação, como o dos indígenas que aqui habitavam, por exemplo.
No início da colonização do Brasil, somente foram implantadas Cartórios de Registros Civis nas principais cidades onde residiam a maioria dos fidalgos, ficou, então, para os Padres da Igreja Católica, principalmente os Jesuítas que catequizavam pelo interior, estabelecer através dos casamentos e balizados, os nomes e sobrenomes. Porém, somente as crianças com os nomes de origem Bíblica, Santos ou usados pelos fidalgos eram aceitos para balizar, enquanto os de procedência indígena ou negra (afro) eram aconselhados a trocar por um desses nomes mais conhecidos dentro das classes dominantes.
Deve-se reconhecer entretanto, que foi muito proveitosa a colaboração cultural da Igreja na formação dos Antropônimos no início da colonização do Brasil. Apesar de algumas censuras a nomes indígenas e negros (afros), como também, saber que se não existisse os livros de registros de balizados e casamentos da Igreja Católica, muitos nomes e sobrenomes de famílias que aqui habitavam teriam desaparecido no tempo e da história, já que os governantes da época não tinham nenhum interesse em saber nomes e sobrenomes, onde, e como viviam as famílias, que habitavam o país. Aliás, como é hoje, apesar dos 500 anos de história ainda não possuirmos uma Legislação que determine e especifique os critérios que Cartórios devam adotar para fazer os Registros Civis de nascimento ou casamento.
A única Lei existente é a de n- 6015/73, da qual reproduzimos os artigos mais específicos:
Art. 55 —  § único
Os oficiais do Registro Civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, a decisão do Juiz competente.
Art. 56
O interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil, poderá, pessoalmente ou por procurador bastante, alterar o nome, desde que não prejudique os apelidos da família, averbando-se a alteração que será publicada pela imprensa.
Art. 58 — § único
Quando, entretanto, for evidente o erro gráfico de prenome, admite-se a retificação, bem como a mudança mediante sentença do Juiz, a requerimento do interessado no caso do Art. 55 — § único, se o oficial não houver impugnado.
O Art. 55, apenas dá poderes aos Oficiais e Juízes decidir sobre nomes que exponham ao ridículo o seu portador, e o Art. 58, refere-se a erros gráficos. Entretanto não distingue ou especifica critérios como também não estabelece regras ou uso de letras na composição de nomes ou sobrenomes das novas famílias e cidadãos. Delegando este "poder" a oficiais dos Cartórios, as vezes pouco esclarecidos sobre Antropônimos, influir e até decidir sobre nomes e sobrenomes de muitas famílias, criando dificuldades sobre nomes que desejam ser registrados com as letras K, W e Y ou TH, não obedecendo o "Direito Consuetudinário" de qualquer cidadão. Esquecendo-se que Antropônimos não são traduzíveis, apenas adaptados ou aportuguesados para o nosso idioma. Isto é um direito da família decidir quais as letras que comporão o nome de seus filhos, desde que esses nomes não venham a infringir o Art. 55 da Lei nº 1 6015/73.
Evidentemente que durante quase 500 anos muitos erros ortográficos e gráficos foram cometidos por quem foi oficializar o nome ou por quem registrou: Bibiano ou Bibiana que devido a pronúncia do imigrante português, surgiu Viviano e Viviana; do erro de escrita no nome Ewaldo, nasceu Euvaldo; Alzira, que passou também a ser Elzira; Eurides, que é Orides; e muitos outros que poderão ser comprovados no étimo de nomes constantes neste livro.
Todavia esses erros cometidos ingenuamente por Padres e Oficiais de Cartórios Registro Civil muito colaboraram para o enriquecimento do nosso vocabulário de
Até o século passado predominaram os Antônios, Joãos, Josés, Anas, Paulos, Pedros, Terezinhas, Franciscos e alguns outros por serem de Santos de Igreja. Moisés, Abrão, Samuel, Sara, Salomão, Adão, Eva, etc., por serem nomes Bíblicos. Os Joaquins e Manuéis que eram muito populares um Portugal e essa popularidade veio junto com a colonização.
Com as imigrações dos Germânicos, Anglo sabões, Espanhóis, Italianos que aqui foram chegando, começou também, a se diversificar os Antropônimos Brasileiros.
Se até então, era predominante os Antônio, Josés, Marias..., a partir daí começaram a surgir Adalbertos, Arietes, Cláudios, Clóvis, Ewaldos, Giovanis, Gertrudes, Guilhermes, Robertos, Ronaldos, Walters, Wilsons..., acrescentando assim, uma valiosa colaboração para enriquecimento dos Antropônimos Brasileiros.
Não se pode esquecer a grande colaboração de José de Alencar, Anchieta, Lemos Barbosa, Gonçalves Dias, Taunay, Teodoro Sampaio e outros escritores que através de suas obras que fazem parte do patrimônio literário da nossa cultura, conseguiram integrar e popularizar vários nomes indígenas, como: Guaraci, Iracema, Juçara, Juracy, Jurandir, Moacir, Ubiratã, Yara e muitos outros, dentro dos costumes de Antropônimos predominantemente das raças brancas.
A participação do povo também foi importante dentro desta conjuntura. Da criatividade popular nasceram: Josmari = justaposição de José e Maria; Lucineide — Lúcio e Neide; Genivaldo = Geni e Osvaldo...
O étimo dos Antropônimos exerceram e exercem pouca influência quando da escolha de novos nomes. A Bíblia, a Igreja, a Música, a Política, a Literatura, a TV, tiveram e tem maior influxo que os significados Etimológicos na popularização dos nomes de pessoas.
Os nomes dos Apóstolos e dos Santos se popularizaram em todas as camadas sociais sem considerar os significados Etimológicos. Também nomes como: Adolfo, Afonso, Amélia, Benjamim, Carmem, Carlos, Carol, César, Cláudio, Dante, Elizabeth, Franklin, Getúlio, Guilherme, Henrique, Iracy, Iracema, Jânio, Joana, Julieta, Juracy, Jurandir, Luiz, Marcos, Marina, Miguel, Roberto, Robson, Romeu, Salomão, Víctor, Vladimir, Washington, Yara e tantos outros se tornaram populares por se-mn nome de uma pessoa que tornou-se admirada por suas qualidades de Político, Governante, Herói histórico ou Mitológico, Personagem de um Romance ou Novela, Nome de Música ou Artista, ou ainda para homenagear a pessoas amigas ou da família, e não pelo sentido Étimo.
A escolha de um nome começa quando é anunciada e confirmada a gravidez. A partir daí se inicia uma longa peregrinação de A a Z por livros e revistas para escolher um nome que seja forte, bonito, simpático e admirado. Sugestões de familiares e amigos também são aceitas, e normalmente é elaborada uma grande lista. Mas, na verdade,, quem vai decidir são os pais, só eles é que darão a palavra final.
Se ao escolher nome para um filho os pais consultassem um Dicionário Étimo de Antropônimos, provavelmente nomes como: Paulo, Pedro, Cláudio e outros não seriam tão populares, as preferências cairiam para os Carlos, Apolo, Gumercindo, Humberto, Justo, Reinaldo, etc.
Entretanto, muitas vezes são esquecidos detalhes importantes nesta escolha. É preciso lembrar que em primeiro lugar que o nome escolhido não é marca ou propriedade sua e sim um nome que identificará alguém por toda uma vida, e em segundo o sobrenome que também o acompanhará. Como o sobrenome paterno é tradicionalmente legado de família e usado por todos os descendentes, procure incluir o e materno ao fazer o registro dos filhos, principalmente quando o sobrenome paterno for comum, talvez, assim possa reduzir alguns constrangimentos, para aquele que chega para honrar a família. A multiplicação de alguns sobrenomes tem gerado muitos problemas para quem as possui, principalmente para quem tem o primeiro nome ou prenome comum como: Antônio, José, Maria, Ana, Luiz, Paulo, Pedro, Carlos, Cláudio, Osvaldo, entre outros e um sobrenome de Silva, Souza, Soares, Pereira, Oliveira, Dias, Santos, Andrade, Teixeira, Carvalho, etc. Com certeza terá algum problema quando for abrir um crediário, solicitar uma ficha cadastral em um Banco ou precisar de um atestado judicial. Os homônimos são uma constante nos grandes centros urbanos, e ter um nome e sobrenome popular vai enfrentar dificuldades por toda a vida, sempre tendo que provar que não é aquele que pensam que é.
Neste livro foram incluídos mais de 5.000 nomes que estão selecionados em MASCULINOS, FEMININOS e INDÍGENAS para facilitar a sua escolha e na última parte os significados dos ANTROPÔNIMOS mais usados no Brasil.
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Fonte:
Dicionário de Nomes Próprios, por: Salvato Claudino. Edição própria, s/d, págs. 7-10.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Conselhos úteis para pais, tios e padrinhos

Conselhos úteis para pais, tios e padrinhos
1) - Evite nomes da moda. Homônimos da mesma faixa etária enfrentarão problemas na escola, listas de vestibulares, alistamento do exército ou na vida profissional. Exemplos típicos são de personagens de novelas, como: Patrícia, Rodrigo, Thiago, Rafael e Mateus.
2) - Verifique se as sílabas que compõem o nome, nome duplo e o sobrenome não formam palavrões ou frases constrangedoras, como: Élvio Adão, Mônica Sette, Jucá Gomes, Branca Brito, Fátima Luca e Eva Gina.
3) - Procure equilibrar nomes comuns com sobrenomes incomuns e vice-versa. Quem tem sobrenome pomposo ou raro pode quebrar a austeridade com um nome mais simples. Já os que têm sobrenomes populares devem colocar nomes duplos ou raros, para evitar homônimos. Ex: Antônio Ermírio de Moraes, Francisco Buarque de Hollanda, Marcelo Rubens Paiva, Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Matarazzo Suplicy.
4) - Lembre-se de que certos nomes serão usados fatalmente no diminutivo como: Francisco (Chico), Benedito (Dito), José (Zé), Madalena (Lena), Cecília (Ciça), Roberto (Beto), Elizabete (Bete).
5) - Fuja de nomes que já existam na família (exceto filhos e netos). Primos com nome e sobrenome idênticos podem dar confusões.
6) - Confira se as iniciais não formam palavras chulas, como: Paulo Ubirajara Tavares Andrade (puta), Carlos Ulhoa (cu), Sandro Antônio Costa Oliveira (saco), Maria Inês Jacob Ohara (mijo), Francisco Oliveira Dias Almeida (foda).
7) - Se preferir um nomes unissex, acrescente outro que identifique o sexo. Ex.: Dinorá José (ou Helena), Darci Maria (ou Mauro), Eli Cristina (ou Roberto).
8) - Depois que escolher um nome, é interessante mostrá-lo, por escrito, para parentes próximos e amigos da família, para ver se conseguem pronunciá-lo corretamente. Japoneses, por exemplo, têm dificuldade em pronunciar "r", enquanto para árabes haverá problemas com "p".
9) - Se optar pelas primeiras ou últimas letras do alfabeto, fique atento para o fato de que seu filho deverá ser sempre o primeiro ou o último da fila. Nos casos em que a prioridade segue a ordem alfabética, Abel e Ada, por exemplo, estarão sujeitos a serem "cobaias", enquanto Zilda ou Zulmiro terão de enfrentar uma longa espera.
10) - Ao chamar uma criança por certos apelidos carinhosos, pense que ela poderá se embaraçar, no futuro, dependendo do rumo profissional que seguir. Imagine um ministro, magistrado ou catedrático de uma universidade sendo chamado de Mimi, Dudu, Dada, Nené, Bilu...

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Fonte:
Significados dos Nomes de Pessoas, por: Su E. Lee. Editora Ondas. São Paulo, 2004, págs. 13-14.

Crase

Crase
[Do gr. krásis, fusão, mistura.]
1. Em gramática normativa, designa a contração da prep. a com o artigo a(s), ou com os pronomes demonstrativos a(s), aquele(s), aquela(s), aquilo. Exs.: Corri à farmácia. / As nossas forças eram inferiores às de Nassau. / Poucos chegaram àquele pico.
2. Não se deve confundir o fato linguístico crase com o acento grave que o assinala. Não se dirá, por exemplo, que na frase 'Fui a pé' o a não tem crase. Dir-se-á, sim, que o a não tem acento (ou que não é acentuado).
3. A crase somente ocorre antes de palavras femininas determinadas pelo artigo a(s) e subordinadas a termos que requerem a preposição a. Exs.: a) Ele recorreu à justiça. [O v. recorrer pede a prep. a: recorrer a alguém. Justiça é palavra feminina precedida do artigo a.]; b) todo ser humano tem direito à liberdade [O nome direito exige a prep. a: ter direito a alguma coisa. Liberdade é palavra feminina precedida do artigo a.]; c) o trem chegou à estação. [O trem chegou a a estação.]
Os termos diante dos quais ocorre a crase são complementos de verbos (exemplo a) ou de nomes (exemplo b) ou adjuntos adverbiais (exemplo c).
Para constatar a presença da crase em determinada construção, deve-se proceder como fixemos nos exemplos acima. Ocorrendo o encontro prep. a + art. a(s), há crase; não ocorrendo o encontro, não há crase e, portanto, não se acentua.

Casos cm que não há crase
Inexistindo o artigo a(s) antes do termo complementar, obviamente não haverá crase. Por isso não se acentua o u (por ser simples prep.) antes de:
1. Palavras masculinas: Ela não assiste a filmes de violência. / Moram em locais sujeitos a deslizamentos. / O quarto cheirava a mofo. / Bebe nasce a bordo de avião. / Ele candidatou-se a presidente da República. / Desenhou uma casa a lápis. / Foram de carro a Santos. → Omitindo-se a palavra moda ou maneira, há crase diante de subst. próprio masculino: calçados à Luís XV (à moda de Luís XV), estilo à Coelho Neto (à maneira de Coelho Neto). E também antes de subst. masc. usado eventualmente no gên. fem.: Deu-se o premio à modelo Magda Pontes.
2. Substantivos femininos usados em sentido geral, vago, indeterminado: Não gosta de ir a festas. / Não abras a porta a pessoas suspeitas. / Trata-se de carros movidos a gasolina. / Ele doará parte de seus bens a instituição beneficente.
3. Nomes de parentesco precedidos de pronome possessivo: Recorri a minha mãe. / Ele prestou assistência a sua irmã. / Pedimos desculpas a nossa avó.
4. Nomes próprios que não admitem artigo: ir a Brasília, chegar a Campinas, viagem a Cuba, rezar a Nossa Senhora, ter devoção a Santa Teresinha, referir-se a Inês de Castro, etc. → O Há crase quando o nome próprio admite artigo, e também quando acompanhado de adjetivo ou loc. adjetiva: ir à Bahia, chegar à Espanha, rezar à Virgem Maria, tecer elogios à heroica Maria Quitéria, referir-se à infeliz lues de Castro, uma viagem à histórica Ouro Preto, referir-se à Roma dos Césares.
5. Verbos: Começaram a discutir. / Estou resolvido a decifrar o enigma.
6. Pronomes pessoais e formas de tratamento: Isto interessa a ela (ou a mim, a ti, a você, a nós, a vós). / Entregou as flores a dona Marta. / Recomendamos a Vossa excelência que se previna. / Estamos remetendo a Vossa Senhoria o orçamento da obra. / O ministro expôs a situação a Sua Majestade. Exceções: Peço à senhora que tenha calma. / O que disse ele à senhorita'.
7. Pronomes que não admitem artigo, como esta, essa, que, quem, cuja e quase todos os pronomes indefinidos: alguém, algumas(s)cada,  certa(s)muita(s), nenhuma,  ninguém,  nada,  qualquer, tanta(s), toda(s), várias. Exemplos: Chegou a esta cidade sozinho. / Não ligo a essa gente. / São detalhes a que não dou importância. / Ele chamou a filha a quem entregou a joia. / Era uma bela árvore, a cuja sombra descansamos. / Não revelou o segredo a ninguém. / Trata de agradar a todas. / A que atribuir isso? → O Se o pronome aceitar o artigo, haverá contração: Aportaram à mesma ilha. / Chegamos à outra margem do rio. / Nas águas revoltas boiava uma tábua, à qual ele agarrou-se firmemente.
8. Numerais cardinais referentes a substantivos   usados   indeterminadamente: Assisti a duas sessões. / Dali a uma hora os músicos se retiraram. / Daqui a três semanas as escolas abrirão.
9. O substantivo terra, em oposição a bordo, mar: Os marinheiros tinham descido a terra para visitar a cidade. / O nadador mal se aproximou da baleia, voltando logo a terra. → Fora desse caso, escreve-se à: Aves voavam rente à terra lavrada. / Astronautas russos voltam à Terra. / Peregrinos vão à Terra Santa. / Nordestinos retornam à terra natal.
10. A palavra casa, no sentido de lar, domicílio: Voltei a casa para almoçar. / De volta a casa, telefonei ao amigo. / Chegaram a casa exaustos. / Ele tinha ido a casa buscar dinheiro. → Não se referindo ao próprio lar, escreve-se à: Fui à casa de um amigo. / Foi à Casa Cruz comprar livros. / O repórter não teve acesso à Casa branca.
11. Substantivo plural integrante de locução: Reformou a casa a expensas do pai. / As vezes agrediam-se ri bofetadas. / Ele terá de aprender tudo sozinho, a duras penas. / Reuniram-se a portas fechadas.
12. A palavra uma: Chegaram a uma praia deserta. / Queixou-se a umas pessoas que estavam ali. / Chegamos ao povoado a uma hora morta. / Entregou os bilhetes a uma só aluna. / A cidade fica a uma hora daqui. Exceções: gritar à uma (juntamente, ao mesmo tempo), chegar à uma hora da tarde. Veja à uma hora, a uma hora.


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Fonte:
Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, por: Domingos Paschoal Cegalla. Editora Nova Fronteira, 2ª Edição. São Paulo, 1999, págs. 91-93.