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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Doença de Raynaud e Doença de Buerger

DOENÇA DE  RAYNAUD
O que é doença de Raynaud?
Moléstia específica, caracterizada por fortes episódios de espasmos dos vasos sanguíneos dos dedos das mãos e dos pés. Pode ser causada por distúrbios emocionais ou pela exposição ao frio e umidade excessivos. Ocasionalmente, as orelhas, a ponta do nariz, o queixo ou as faces também podem ser atingidos.      
O que causa a doença de Raynaud?
A causa é desconhecida, mas sabe-se que atinge principalmente as pessoas magras e excepcionalmente emotivas.
As mulheres são mais suscetíveis à doença de Raynaud?
Sim.
Quais os sintomas da doença de Raynaud?
Durante a excitação emocional ou a exposição ao frio, um ou mais dedos podem ficar brancos e depois azuis. O dedo torna-se insensível, formiga e dói. Depois de alguns minutos, a circulação volta ao normal.
Qual o tratamento para a doença de Raynaud?
Geralmente, a doença permanece branda e estacionária por muitos anos. Entretanto, em pequeno número de casos, torna-se progressivamente pior, necessitando de cirurgia para seccionar os centros nervosos (simpatectomia) que controlam a contração dos vasos sanguíneos das extremidades.
Os resultados dessa operação têm sido satisfatórios?
Sim, geralmente a operação leva à cura da doença e não produz efeitos colaterais desfavoráveis.
A  ulceração ou a gangrena dos dedos do pé ou da mão podem ocorrer na doença de Raynaud?
Sim, em casos raros.
Qual o tratamento clínico para a doença de Raynaud?
a) Evitar o frio e a umidade excessivos;
b) usar luvas e roupas quentes;
c) diminuir o stress emocional;
d) evitar o fumo de qualquer tipo;
e) usar drogas que dilatem os vasos sanguíneos.
O tratamento da doença de Raynaud obtém bons resultados?
As formas de tratamento acima citadas geralmente trazem alívio para os sintomas.

DOENÇA DE BUERGER
A doença de Buerger compromete os vasos sanguíneos do coração, cérebro, rins ou intestinos?
Sim, mas é muito difícil estabelecer tal diagnóstico.
Qual o tratamento clinico para a doença de Buerger?
a) Abstenção total de fumo: muitos pacientes apresentam melhoras imediatas e acentuadas após algumas semanas sem fumar;
b) fisioterapia: pode melhorar o suprimento de sangue dos membros;
c) medicamentos para relaxar o espasmo dos vasos sanguíneos;
d) bloqueio de troncos nervosos (envolvendo os nervos responsáveis pela contração dos vasos sanguíneos).
A cirurgia é utilizada na moléstia de Buerger?
Sim. Em certos casos isolados, uma simpatectomia lobar pode resolver o problema.
A simpatectomia lobar é uma operação perigosa?
Não, os pacientes se recuperam praticamente em todos os casos.
Qual o prognóstico de um paciente com moléstia de Buerger?
A moléstia tende a ser crônica. Se ainda não tiver atingido um estágio avançado e se o paciente parar de fumar e observar as outras medidas acima citadas, ele pode evitar a complicação mais séria: gangrena dos membros.


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Fonte:
Enciclopédia Médica Ilustrada para uso do Lar: Guia Prático para boa saúde - Volume 4. Tradução: Marisis Aranha Camargo. Círculo do Livro. São Paulo, 1974, págs. 802-1331.

Rubéola

RUBÉOLA
O que é rubéola?
Doença infecciosa provavelmente causada por um vírus.
Como a rubéola se manifesta?
Através de sintomas leves semelhantes aos de um resfriado comum, com ligeira elevação da temperatura e uma erupção que começa na face e se estende por todo o corpo. Isso ocorre no período de 1 dia. A erupção consiste de muitas manchas pequenas, vermelhas e isoladas; no primeiro dia, frequentemente se assemelham ao sarampo; no segundo, à escarlatina; no terceiro, podem desaparecer inteiramente. Além disso, aparecem gânglios volumosos atrás do pescoço e das orelhas.
A rubéola é contagiosa?
Sim, embora menos que o sarampo e a catapora.
Em que idade há maior incidência de rubéola?
Nos últimos anos da infância e em toda a adolescência. Na idade adulta, a rubéola ocorre com mais frequência do que outras doenças contagiosas.
Há epidemias de rubéola?
Sim, a intervalos de 3 ou 7 anos.
Em que estação do ano a rubéola ocorre com maior frequência?
No fim do inverno e durante a primavera.
Os pacientes de rubéola têm febre?
Sim, de 37,5 a 38,5° C.
A rubéola provoca grande mal-estar?
Sim, nos adolescentes ou adultos.
Como se transmite a rubéola?
Pelo contato direto.
A rubéola muitas vezes se confunde com outras doenças?
Sim, com o sarampo ou a escarlatina.
Os olhos ficam vermelhos e injetados como no sarampo?
Não, pois os sintomas de rubéola são mais leves.
Quanto tempo os gânglios permanecem inchados?
Cerca de 1 semana.
A rubéola pode causar complicações?
Raramente.
É necessário isolar uma criança portadora de rubéola?
Não. Ao contrário, é melhor deixá-la ter contato com outras crianças, para que também tenham a doença.
Por que é importante que as crianças, especialmente as meninas, tenham rubéola?
Porque essa doença é fraca na infância e pode ser muito forte na idade adulta. Mais importante ainda: durante os primeiros meses de gravidez, a rubéola pode prejudicar gravemente o desenvolvimento do embrião.
Em que fase da gravidez essa moléstia é perigosa?
Nos 3 primeiros meses.
Que danos a rubéola pode causar ao feto?
Catarata, surdez, retardamento mental, anomalias cardíacas. Tais distúrbios podem ocorrer separadamente ou combinados.
Qual a porcentagem de casos dessas anomalias?
De 15% a 50%. Não há dados precisos.
Se ocorrer no final da gravidez a rubéola prejudica a criança?
Não.
O que se pode fazer para evitar a rubéola?
Vacinar todas as crianças, bem como as mulheres férteis, que ainda não tiveram a doença e não estão grávidas. Elas só poderão engravidar 2 meses após a vacinação. Deve-se ter cuidado especial ao vacinar pessoas alérgicas a ovos e à neomicina. Os relatórios parecem indicar que a vacina imuniza por longo tempo e não precisa de doses de reforço.
O que se deve fazer se uma mulher grávida contrai a moléstia?
Consultar o médico. A solução varia, conforme a idade da mulher, e se ela tem outras crianças.
O médico pode saber se o feto foi prejudicado pela rubéola?
Não.
Qual o tratamento para a rubéola?
Repouso, dieta leve e medidas de higiene geral.
Por que os antibióticos não são incluídos no tratamento?
Porque não são eficazes. Só devem ser dados se houver alguma complicação, como infecção do ouvido ou inflamação do pulmão.
Quando a criança portadora de rubéola transmite a doença?
Geralmente 1 dia antes e 3 ou 4 dias após o aparecimento da moléstia.
A rubéola deixa sequelas?
Geralmente não. Em quase todos os casos há recuperação completa.
A rubéola ocorre 2 vezes na mesma pessoa?
Não.


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Fonte:
Enciclopédia Médica Ilustrada para uso do Lar: Guia Prático para boa saúde - Volume 3. Tradução: Marisis Aranha Camargo.  Círculo do Livro. São Paulo, 1974, págs. 802-805.

Artrite

O que é artrite?
Qualquer processo inflamatório ou degenerativo de uma ou várias articulações.
O que é reumatismo?
Esse termo é aplicado em geral a diversas dores, frequentemente vagas, nos músculos, articulações, tendões, bursas e outras partes do sistema musculoesquelético.
Quais os tipos mais comuns de artrite?
a)  Artrite reumatoide;
b) osteartrite;
c) artrite gotosa;
d) artrite traumática;
e) artrite infecciosa;
f) artrite causada por desequilíbrio químico ou hormonal.
Qual o papel da cortisona no tratamento das artrites?
Basicamente, o de combater reações inflamatórias, aliviando a dor, o inchaço e a incapacidade física associada a muitas formas de artrite. Atualmente é usada apenas quando outras terapias menos perigosas não produzem o alívio esperado.
A cortisona pode curar a artrite?
Não, pois não combate sua causa mas apenas seus efeitos.
A cortisona evita danos às articulações?
Estudos recentes parecem indicar que não. Todavia numerosos especialistas nesse campo afirmam o contrário.
A cortisona é uma droga segura?
Unicamente quando tomada sob estrita supervisão médica.
Qual o papel da aspirina no tratamento da artrite?
Aliviar os sintomas da osteartrite, artrite reumatoide e dores reumáticas em geral.
Pode-se tomar aspirina durante muito tempo sem prescrição médica?
Não. Existem muitas reações ao uso da aspirina.
O que são salicilatos?
Uma categoria geral de drogas — à qual pertence a aspirina — que ajuda a aliviar os sintomas da artrite.
A aspirina é tão eficiente quanto esses remédios largamente vendidos nas farmácias e anunciados pelo rádio como específicos para o tratamento da artrite?
Sim, pois esses remédios são simples associações de salicilatos a alguns outros produtos ineficazes.
Dietas especiais ajudam o paciente portador de artrite?
De modo geral, não. Em casos de gota, uma dieta baixa em purinas diminui a frequência das crises.
A extração de dentes alivia a artrite?
Normalmente, não. A extração de dentes só deve ser feita por indicação odontológica.
A remoção das amígdalas alivia a artrite?
Via de regra, não.
A mudança de clima atenua os sintomas da artrite?
Alguns portadores de artrite sentem-se melhor num clima quente e seco.
As estações de águas auxiliam no tratamento da artrite?
Sim. O repouso, o relaxamento, a fisioterapia, proporcionados por esses lugares, bem como a mudança de ambiente, contribuem para a melhoria do paciente. Entretanto, não há prova científica de que as águas minerais influam na cura da doença, sejam elas utilizadas para banhar-se ou para beber.
A prisão de ventre agrava a artrite?
Não.
O uso periódico de laxantes interfere nos casos de artrite?
Não.
O aquecimento local (diatermia) alivia os sintomas de artrite?
Apenas temporariamente.
Os enemas ou clisteres contribuem para a melhora do paciente?
Não.
Existem vacinas específicas para a artrite?
Ainda não.
Os antibióticos auxiliam no tratamento da artrite?
Só em casos de artrite provocada por um agente bacteriano como a gonorreia ou uma infecção estreptocócica, etc.
A cirurgia pode ajudar os pacientes com artrite?
Sim. Certos procedimentos cirúrgicos de reabilitação e correção, criados recentemente, têm sido benéficos para os pacientes que sofrem de deformidades crônicas das articulações.

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Fonte:
Enciclopédia Médica Ilustrada para uso do Lar: Guia Prático para boa saúde - Volume 1. Tradução: Marisis Aranha Camargo.  Círculo do Livro. São Paulo, 1974, págs. 117-119.

Tranquilizantes

TRANQUILIZANTES
Que são tranquilizantes?
Drogas que têm a propriedade de suprimir a tensão nervosa e a ansiedade, sem causar sonolência ou comprometer de qualquer outra maneira os processos cerebrais.
Pode-se tomar tranquilizantes por conta própria?
De maneira nenhuma. Quem sente necessidade de tranquilizantes precisa primeiro de cuidados médicos. A decisão sobre o uso dessas drogas deve partir do médico e não do paciente.
É necessária uma receita médica para a compra de tranquilizantes?
Sim. De acordo com a lei, essas drogas só devem ser vendidas sob prescrição médica. No entanto, em alguns lugares esse regulamento não é observado estritamente.
A alergia e a tolerância (resistência) aos tranquilizantes são comuns?
Têm sido observadas fortes reações alérgicas e tóxicas a essas drogas. Ainda é cedo para saber se se desenvolve resistência a elas, mas existem indicações afirmativas nesse sentido.
Os tranquilizantes são eficazes para acalmar os nervos?
Depende do paciente. Algumas pessoas respondem muito bem a um dado tranquilizante e não a outros. Outras respondem apenas a uma combinação de tranquilizantes. Mas, na melhor das hipóteses, os tranquilizantes apenas conferem alívio temporário à tensão e ansiedade.
É arriscado tomar tranquilizantes durante meses ou anos?
Ainda é muito cedo para uma opinião sobre o assunto. Sabe-se que muitas pessoas que usaram essas drogas durante anos consecutivos sofreram consequências nocivas. Já outras pessoas parecem tolerá-los bem por tempo indeterminado. De qualquer maneira, o uso prolongado de tranquilizantes deve ser supervisionado por um médico.
Uma dose excessiva de tranquilizante pode ser perigosa?
Sim. Tem-se registrado fortes reações tóxicas a doses excessivas desses medicamentos.
Os tranquilizantes são bons substitutivos para narcóticos, barbitúricos ou analgésicos?
Não; embora muitas vezes tenham áreas de ação em comum, os tranquilizantes não são substitutivos de analgésicos ou narcóticos.


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Fonte:
Enciclopédia Médica Ilustrada para uso do Lar: Guia Prático para boa saúde - Volume 2. Tradução: Marisis Aranha Camargo.  Círculo do Livro. São Paulo, 1974, págs. 386-387.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O futuro das editoras

O futuro das editoras
Durante mais de quatrocentos anos as editoras publicaram somente ou principalmente livros. Depois de ser inventado e popularizado o disco, as editoras de livros de ensino de idiomas começaram também a publicar discos, para reproduzir a pronúncia dos idiomas a serem aprendidos. Com a divulgação e o barateamento dos projetos de eslaides, dos filmes de dezesseis e depois de oito milímetros, e ultimamente de videocassetes, as editoras de livros didáticos no exterior entraram nestas áreas. No Brasil, só houve algumas tentativas tímidas. As tendências pedagógicas modernas, com o enfoque do audiovisual e do elemento lúdico na aprendizagem, obrigarão as editoras didáticas, cada vez mais, a diversificar suas publicações.
Mas também o livro científico — por exemplo na área da medicina — está sendo complementado por videocassete, eslaides, cassetes de som. Na Europa e nos Estados Unidos, um vasto campo novo merece destaque, inclusive nas revistas especializadas: é a área de electronic publishing (edições eletrônicas). São programas, cassetes, disquetes para o ensino formal e informal, para a aprendizagem escolar ou complementar, para jogos, experiências, etc. Tudo isto é hoje suplemento do livro impresso. Amanhã poderá vir a ser o produto principal, complementado com material impresso. Claro que, quando foi inventado o rádio, muito gente achava que o hábito da leitura diminuiria. Quando apareceu a televisão, foi profetizado o fim do livro de entretenimento, da informação popular, etc. Mas o número de títulos publicados e de exemplares vendidos por ano aumentou.
Divulgados o microcomputador e o processador de palavras, novamente se anuncia o fim da era do livro (McLuhan — que difundiu suas ideias através do livro impresso em papel e encadernado de forma tradicional — anunciou o iminente fim do livro há quase trinta anos).
Dificilmente isto ocorrerá num prazo curto. O livro continua sendo o meio mais econômico, mais elástico, mais adaptável às circunstâncias, mais transportável, repetível e consultável existente. Mas isto não significa que outros meios não possam ou devam ser intermediados pelas editoras.
Mudaria o portador de algumas mensagens — o papel impresso. Mas a presença de um intermediário entre o autor e o público ainda seria necessária: selecionando, animando, propondo, modificando, ajudando.
É perfeitamente imaginável que, em futuro não muito remoto, um livro científico de razoável especialização não mais seja publicado em forma de livro, em tiragem pequena; portanto, a um preço relativamente elevado e exposto a ser xerocado. O autor escreverá num processador de palavras. A editora cuidará da editoração em processador compatível e, em vez de mandar compor e imprimir em uma componedora a partir deste disquete, o próprio disquete será comercializado junto ao público especializado na área.
Resumindo: certamente o programa, a gama de produtos das editoras de livros irá se ampliar, não só oferecendo material de apoio para maior facilidade de uso e entendimento dos livros, mas também transmitindo melhor as ideias do autor. Precursores desta linha de desenvolvimento são os grandes grupos de comunicação, que abrigam sob seu teto editores tradicionais, canais de TV, marcas de discos e cassetes, vendidos individualmente, utilizáveis em qualquer lugar, por uma pessoa ou por grupos. Mas o livro continuará sendo, por muito tempo, o meio que o editor usará para transmitir as ideias de um autor a um público leitor.
E mesmo mudando o meio de transporte (cassete, vídeo, disquete) da mensagem do autor para seu público, a tarefa do editor como veiculador desta mensagem ainda será imprescindível.


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Fonte:
O que é Editora, por: Clóvis Rossi (In: O que é Editora in: Jornalismo - Editora - Cinema, Clóvis Rossi, Wolfgang Knapp e Jean-Claude Bernardet). Círculo do Livro. São Paulo, 1994, págs. 117-118.

terça-feira, 21 de junho de 2016

O medo de falar em público

O medo de falar em público
O medo de tomar a palavra em público não é algo inato, mas sim "aprendido" e, frequentemente, aprendido de maneiras muito diversas. Conheci, por exemplo, um jovem completamente traumatizado pelo pai, que ele havia visto várias vezes empalidecer ao tomar a palavra durante as reuniões de pais de alunos na escola. O adolescente havia feito seu o medo do pai, sem que jamais tivesse ele mesmo tomado a palavra em público.
Essa angústia nasce às vezes de uma experiência pessoal: é o caso de uma de minhas estudantes da faculdade, que, atormentada por uma leve gagueira, começou a gaguejar durante uma exposição em presença de seus colegas, a tal ponto que foi obrigada a parar em meio a um silêncio geral; a partir daí viu-se absolutamente incapacitada de falar durante as aulas ou em qualquer outro grupo social.
As vezes alguma circunstância banal nos força a falar diante de uma assembleia muito maior que a prevista no começo; ou então um superior hierárquico aparece subitamente, ou ainda você é obrigado a pronunciar um discurso de improviso em lugar de alguma outra pessoa e de repente vem o bloqueio. Espera-se a aprovação do público, e quando a reação é negativa você a sente como uma verdadeira sanção.
As vezes é unicamente na cabeça do orador que "tudo correu mal"... Ele faz um juízo demasiado severo de si mesmo, segundo critérios mais rigorosos que os da plateia. Condena-se por não ter sido suficientemente brilhante, decide não renovar mais a experiência.
Um defeito comum a muitos oradores é reagir injuriosamente ao menor sinal de desinteresse do público. Certos conferencistas percebem, em um público de quinhentas pessoas, justamente aquela que, na vigésima fila, está lendo um livro; um professor se ressentirá sempre, como se se tratasse de um insulto pessoal, do espetáculo de um estudante sonolento, entre seus quarenta colegas, mesmo que isso seja devido a outra razão, independentemente do interesse ou desinteresse que essa pessoa tenha pelo curso.
De qualquer forma, todas essas pessoas que terminam por recusar-se a falar em público sentem uma angústia sempre crescente, que inibe por fim inteiramente sua personalidade; a recusa a expressar-se pode com efeito prejudicar uma carreira ou contribuir para o fracasso de realizações pessoais, junto com a recusa permanente de enfrentar situações difíceis.
Pode-se chegar a controlar esse medo de falar em público através do método de relaxamento que é explicado ao final deste livro; mas creio sinceramente que, antes de começar tal aprendizado, é preciso estar perfeitamente seguro de suas motivações profundas e perguntar-se:
• se há realmente um desejo genuíno de expressar-se bem;
• se existe uma disposição verdadeira a consagrar tempo aos exercícios;
• se há capacidade de fazer desaparecer o medo no momento de tomar a palavra.

Os bloqueios criados pela emoção
Uma reação emocional "aprendida" compõe-se de quatro elementos:
• uma situação material: ter, por exemplo, que pronunciar um discurso.
• uma reação corporal: falta de ar, palpitações cardíacas.
• um comportamento observável, externo: mãos trêmulas, pernas bambas, etc.
• e finalmente um comportamento oculto, interno, que pode ser um sentimento de impotência, de derrota, que faz acreditar que não se é capaz de enfrentar a situação.
O processo é explicado no quadro abaixo, mas é muito importante lembrar que essas reações emocionais, em sua maioria, não são inatas e sim aprendidas, e que consequentemente existe a possibilidade de agirmos sobre elas e superá-las.
O mecanismo é o seguinte: temos o hábito de considerar como comportamento aquilo que é exterior e visível; por exemplo, a expressão de um rosto, um gesto, uma palavra... Mas é preciso não esquecer que todos os nossos pensamentos, todo o não dito, nossas sensações internas e nossos sentimentos fazem parte deles e contribuem para construir nossas atitudes para com as pessoas, as coisas, as ideias, as situações.
Essas atitudes, por sua vez, desencadeiam uma reação física: vertigens, palpitações ou secura na boca, garganta fechada, etc. O aparecimento de tais manifestações indica geralmente a presença do medo, e, por associação de ideias, a pessoa vai lembrar-se da situação embaraçosa que, pela ação da memória e de uma similação ao presente, vai comandar e provocar reações fisiológicas e emocionais. É assim que, diante do público, a pessoa pode de repente ser invadida por imagens negativas de fracasso, pode sentir-se desencorajada, assaltada pelo medo de esquecer-se do que deveria dizer ou pelo receio de que os ouvintes se entediem.
Um orador vítima de tais bloqueios sente-se sempre responsável por esse estado, e acredita frequentemente que ele é devido a uma incapacidade pessoal de superar situações difíceis. Contrariamente a um orador experimentado que reage de imediato a esses sinais, aquele que não tem o hábito de falar em público atribui a eles uma importância desmesurada, o que provoca a sensação de perda total de recursos de que poderia dispor; torna-se para ele impossível continuar falando de um modo normal, vivo e persuasivo. Essa tensão e essas reações extremas terminam por convencê-lo de que é incapaz de falar diante de um grupo de pessoas.
Tudo isso faz parte de um cenário clássico que pode, felizmente, ser modificado por um processo que ajude a esclarecer e a desenvolver atitudes diferentes, muito mais construtivas.
Mas como agir?

Autoanálise
A primeira coisa a fazer é analisar tudo o que constitui a nossa angústia, para descobrir logo aquilo que vamos atacar primeiro. A tarefa não é simples, quando se pensa que as reações emocionais que já integramos podem se manifestar de diversas formas.
Em nosso comportamento:
Os movimentos, as posições do nosso corpo, as expressões do nosso rosto, dos nossos olhos, os gestos... o que os outros veem.
Na imagem que temos de nós mesmos:
Trata-se de todas as imagens que armazenamos em nosso pequeno teatro interior; por exemplo, nós nos julgamos desajeitados, constrangidos, malfeitos de corpo, sem gosto no vestir, limitados intelectualmente, não sociáveis, etc.
Em nossas tensões físicas:
São elas que revelam o estado em que nos encontramos: por exemplo, a pessoa enrubesce, fica com a boca seca, sente vertigens, palpitações, tremores, náuseas, dormência, etc.
Em nossa linguagem:
Trata-se da linguagem falada tanto quanto da que não é expressa. A pessoa confessará, por exemplo, a seus interlocutores: "Não tive tempo de preparar", "Não sei exatamente como vou lhes dizer o que tenho a dizer", mas pensará em seu íntimo "Sou realmente um desastre", "Jamais vou conseguir", e outras coisas do gênero.
Como identificar as condutas derrotistas que paralisam e diminuem a confiança em si mesmo?
Descobrir e corrigir os comportamentos inábeis
Procure lembrar-se da última vez em que se sentiu em dificuldades ao se expressar diante de alguém: lembra-se de seu nervosismo? Qual o seu comportamento? O que sentiu? Sua voz estava clara, suas entonações expressivas, sentiu-se desencorajado, desmoralizado?
Visto que nossos atos e palavras são mais bem analisados pêlos outros que por nós mesmos, você pode perguntar àquele ou àqueles que o escutaram, se não registraram alguma coisa de anormal em seu comportamento; uma crítica amistosa é frequentemente um fator de progresso; você pode também examinar-se ao falar diante de um espelho, ou fazer-se filmar durante o próximo discurso.


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Fonte:
ABC da Palavra fácil, de Sharon Anthony Bower. Círculo do Livro. São Paulo, 1989, págs. 9-13.