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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cronologia Turca

Cronologia Turca
As Grandes Datas do Cristianismo na Turquia
30 - Morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo, em Jerusalém, a uns 700 km de Tarso, na Cilícia, ao sul da Turquia, não muito longe da fronteira com a Síria.
33 - Conversão de Paulo, nascido em Tarso, em Damasco, capital da Síria.
47-57 - Paulo anuncia o evangelho na Turquia na primeira, na segunda e na terceira viagens missionárias.
330 (11 de maio) - Constantino transfere a capital do Império Romano para Bizâncio, a "Nova Roma", e passa a chamá-la de Constantinopla.
325 - Primeiro Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Nicéia (atual Iznik), na Bitínia, com a presença de Constantino e 300 bispos, divididos em três partidos.
337 (22 de maio) - Morte de Constantino, provavelmente aos 63 anos, pouco depois de ser finalmente batizado por Eusébio, bispo de Nicomédia, mais tarde patriarca de Constantinopla.
381 - Segundo Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Constantinopla, por convocação do imperador Teodósio, que tinha apenas um ano de batismo.
428 - Nestório torna-se patriarca de Constantinopla. Três anos mais tarde é condenado injustamente como herege pelo Concílio de Éfeso e desterrado para o Grande Oásis, no Egito, onde morre cerca de 20 anos depois.
431 - Terceiro Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Éfeso, por convocação dos imperadores do Ocidente e do Oriente, para discutir as doutrinas de Nestório.
451 - Quarto Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Calcedônia, em frente a Constantinopla, com a presença de 600 bispos.
553 - Quinto Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Constantinopla, por convocação de Justiniano I, com a presença de 165 bispos. Maria é declarada aeiparthenos (sempre virgem) e diz-se que os irmãos de Jesus (Mc 3.31-32) são meio-irmãos, primos ou parentes próximos.
622 - Maomé organiza em Medina, na Arábia Saudita, a primeira comunidade muçulmana da história. Estava então com 52 anos e morreria dez anos mais tarde.
680 - Sexto Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Constantinopla, por convocação do imperador Justiniano II. Tornam-se maiores as diferenças entre as alas ocidental e oriental da igreja.
787 - Sétimo Concílio Ecumênico da Igreja, realizado em Nicéia, por convocação de Irene, mãe do imperador Constantino VI, com a presença de 300 prelados e dois legados papais, para resolver a questão iconoclasta. Embora o uso de imagens na igreja oriental estivesse proibido por decreto desde 725, o Concílio de Nicéia promulgou que as figuras, a cruz e os Evangelhos "devem receber a devida saudação e honrosa reverência, mas não o culto verdadeiro, que só pertence à natureza divina".
1054 (16 de julho) - O Cardeal Humberto, em nome do papa Leão IX, deposita sobre o altar-mor da catedral de Hagia Sophia, uma bula de excomunhão do patriarca Miguel Cerulário, no momento em que este se preparava para celebrar a comunhão. A excomunhão se estendia a todos os partidários de Cerulário. Foi assim que se deu o Grande Cisma, a primeira grande divisão do cristianismo. De um lado ficou a igreja ocidental (católica) e do outro a igreja oriental (ortodoxa).
1453 - Exércitos otomanos, sob a liderança de Mehmet II, conquistam Constantinopla, o último reduto do império bizantino, que durou 1.123 anos. Quase toda Turquia, grande parte da Trácia e dos Balcãs já estavam em poder dos muçulmanos. A cidade muda de nome pela segunda vez: de Constantinopla para Istambul. O país muda de religião, pela segunda vez: do cristianismo para o islamismo. A população muda de livro sagrado: da Bíblia para o Corão. O púlpito de Hagia Sophia muda de pregação: Jesus não é mais o Verbo que se fez carne nem Salvador do mundo, mas um simples profeta, inferior a Maomé.


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Fonte:
Revista Ultimato. Ano XXIX - Nº 239 - Março de 1996. Editora Ultimato. Viçosa - MG, pág. 19.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Turquia: terra encantada

Turquia: terra encantada
A Turquia é uma ponte entre a Europa e a Ásia. Porta de entrada para o Oriente. Um país situado num ponto estratégico, de importância fundamental para o equilíbrio das relações internacionais. Mas também, e principalmente, um exemplo de nação que busca o futuro sem abrir mão de suas tradições, de seu passado marcado pelas civilizações que deram origem ao inundo atual. Assim, se o viajante se anima, na costa do Egeu e do Mediterrâneo, com os movimentados locais de veraneio que são extensões perfeitas das Rivieras italiana, francesa e espanhola, também se deslumbra com os sítios arqueológicos que mostram os testemunhos da presença de hititas, gregos, romanos e outros povos da Antiguidade. É ainda possível, na Turquia de hoje, por exemplo, seguir os passos de São Paulo e de São João Evangelista, de Xerxes e de Alexandre o Grande, dos heróis da Guerra de Tróia e dos Imperadores Romanos do Oriente. Ou percorrer as regiões montanhosas da Capadócia, onde até hoje se encontram tribos de pastores nômades a poucos minutos de voo de Ancara. a moderna e vibrante capital do país. Ou. ainda, visitar a fabulosa Istambul, megalópole de mil faces que aos poucos se desvendam e fascinam seus visitantes.
"Istambul é um outro mundo'', já me havia afirmado o jovem guia Nail Özkaplan. duas semanas antes, quando ainda viajávamos pelo sul do país. E ele não exagerara. Com seus tesouros de arte e história, bazares, palácios e mesquitas, a megalópole (mais de 10 milhões de habitantes em sua área metropolitana) parece o cenário verdadeiro de um conto fantástico das Mil e uma Noites. Istambul é a terceira maior cidade europeia, superada apenas, em tamanho, por Londres e Paris, e já por sua localização ela é única, dividindo-se em três partes - a Cidade Antiga e a Nova, no continente europeu, limitadas pelo braço do mar de Mármara chamado Corno de Ouro, e a área asiática, que se separa das outras duas pelo estreito de Bósforo. Inúmeras vezes sitiada, e muitas vezes arrasada pelos inimigos, Istambul é como a fênix lendária que renasce das próprias cinzas. Ela surgiu, segundo a lenda, em 667 a. C., fundada por Bizas ou (Bizante) de Mégara, que seria neto de Zeus e de sua amante Io. Durante séculos, foi um centro de comércio muito disputado por vários povos, e no ano 330 de nossa era transformada em capital do Império Romano por Constantino. que realizava seu desejo de fundar uma segunda Roma, no Império Romano do Oriente. Constantinopla - assim rebatizada em honra do imperador - foi mais tarde, sob Justiniano (527-565), elevada à categoria de centro espiritual da cristandade, e a magnífica Igreja de Santa Sofia permanece até hoje como um testemunho da glória daquele tempo, considerado como a Idade de Ouro do Império Bizantino. O poder de Constantinopla estendia-se, então, desde o rio Eufrates, no Oriente Médio, até o estreito de Gibraltar, e dos Alpes, no centro da Europa, ao rio Nilo, na África. O declínio se anunciou em 1204, com a pilhagem feita pelos participantes da Quarta Cruzada, que impuseram um Império Latino que duraria até 1261. Depois, Bizâncio conheceu um último período de prosperidade, até que foi tomada pelo Sultão Mehmed u, em 1453. Istambul, como a chamou o novo senhor, tornou-se capital do Império Otomano até o advento da República, em 1923.
Passear por Istambul é como fazer uma viagem no tempo. Uma curta viagem de barco pelo estreito de Bósforo (por pouco mais de cinco dólares) possibilita uma visão panorâmica das partes europeia e asiática, e o visitante poderá dizer que conhece a Cidade dos Sultões. Mas para descobrir seus mistérios e encantos é necessário percorrer ruas e bulevares, atravessar as pontes sobre o Corno de Ouro e o Bósforo, entrar nas mesquitas, palácios e museus.
Na área mais elevada das sete colinas da Cidade Antiga ergue-se a majestosa Basílica de Santa Sofia (Hághia Sóphia, ou, em turco, Ayasofya, Divina Sabedoria). O que vemos hoje é, basicamente, a terceira igreja construída no local, de 532 a 537, e o conjunto é de tal modo impressionante, tanto externa como internamente, que deslumbra os olhos de hoje do mesmo modo como o fez com o Imperador Justiniano - que, ao contemplar sua obra pela primeira vez, comparou-se ao Rei Salomão -, ou com o historiador Procópio, que escreveu que a cúpula de 55 metros de altura parecia estar suspensa do céu por uma corrente de ouro. Santa Sofia abriga riquíssimos mosaicos que datam dos séculos X a XIV, e que foram preservados por haverem sido cobertos por gesso quando os muçulmanos conquistaram Constantinopla. A partir da proclamação da República Turca e com a transformação da igreja em museu, os mosaicos foram restaurados, e hoje as imagens cristãs convivem com ás inscrições em árabe que louvam o nome de Alá. Essa coexistência se mostra mais notável na nave principal da basílica, no local onde eram coroados os imperadores bizantinos: aí se veem, juntos, o nome de Maomé, a figura da Virgem com o Menino, a imagem de São Gabriel e o nome de Alá.
Em frente à Santa Sofia, no outro extremo de uma praça ajardinada, está a Mesquita Azul. Com seus seis minaretes a destacar-se no perfil da Cidade Antiga, esta é a mais conhecida das cerca de duas mil mesquitas de Istambul (na Turquia inteira, há 72 mil). Mais de 36 mil azulejos (daí, o nome da construção) vindos de Nicéia adornam o interior do edifício, cujo amplo espaço para oração é dividido em duas partes, uma para os visitantes e outra para os fiéis. Os muçulmanos, antes de entrar numa mesquita, devem lavar mãos, rosto e pés, e por isso torneiras se enfileiram junto à entrada dos templos islâmicos. E quem quer que vá ao interior de uma mesquita tem que tirar os sapatos e também estar vestido convenientemente, com o corpo coberto.
Por toda a cidade de Istambul - como, aliás, por toda a Turquia -, cinco vezes ao dia se ouvem os chamados dos muezins, os pregoeiros que anunciam as horas de rezar: antes e depois do amanhecer, quando o sol está a pino, "quando a sombra de um homem se torna maior do que o seu corpo" e ao pôr-do-sol.
Neste ambiente de misticismo e magia, encontram-se, em cada bairro, os palácios que fazem referência aos momentos de grandeza do Império Otomano. À beira do estreito de Bósforo, na parte asiática, localiza-se o Palácio Beylerbeyi (Senhor dos Senhores), o último dos grandes palácios otomanos, concluído em 1865. Obra do Sultão Abdülaziz, abriga peças de arte europeias, russas, sírias, persas, chinesas e japonesas. Entre as dezenas de aposentos luxuosamente decorados, um destaque é o quarto destinado a Eugenia de Gontijo, mulher de Napoleão III, quando de sua visita à Turquia.
De volta à parte europeia, na Cidade Nova, o Palácio de Dolmabahçe se ergue no bairro em que, segundo a lenda, Jasão e os seus Argonautas desembarcaram em busca do Tosão de Ouro. O palácio atual, construído em 1853, foi a residência da corte por 70 anos, até o fim do Império, e seus dias de glória estão refletidos na decoração do interior, em turquesas, lápis-lazúli, cristais e ouro. O herói nacional, proclamador da república e criador do moderno Estado turco, Mustafá Kemal Atatürk, que fez do Dolmabahçe a residência presidencial, aí morreu em l O de novembro do ano de 1938.
Ornais significativo dos monumentos à glória otomana é, porém, o Palácio Topkapi, situado na Cidade Antiga, entre o Bósforo e o Corno de Ouro, e que foi a residência dos sultões do século XV ao XIX. Numa área de mais de setecentos mil metros quadrados, o Topkapi é, de fato, um complexo de edifícios construídos de 1472 até 1840 e que compreendem palácios, pavilhões, haréns, prédios civis e de administração, jardins, cozinhas, cavalariças e alojamentos de guardas. Transformado em museu - um dos mais importantes da arte universal -, ele conserva e exibe um tesouro sem igual. Nas Salas da Herança Religiosa e das Relíquias, por exemplo, roupas, armas e fragmentos de cabelo, barba e dente de Maomé levam os visitantes, fiéis ou não, a uma admiração emocionada, estimulada pela voz do muezim que reza oito horas por dia, ininterruptamente, recitando em árabe os 6.666 versos rimados do Corão. Mais adiante, próximo às espadas dos quatro primeiros califas Ebubekir,  Osman  (ou  Otoman),  Omer (ou Omar) e Ali -, peças que teriam sido usadas por Abraão e Moisés, entre outros personagens do Velho Testamento. Manuscritos do Corão feitos desde o século X, antigos instrumentos de escrita e encadernação e figuras do Karagös, o teatro de sombras criado no século XV, também se encontram nesta ala do Topkapi.
Mas é na Ala do Tesouro (Hazine) que se pode apreciar os mais impressionantes exemplos do poder e da riqueza dos sultões. Tronos e berços de ouro são exibidos ao lado de armaduras e armas adornadas com pedras preciosas, entre as quais se destaca a adaga incrustada de três enormes esmeraldas e brilhantes e tornada mundialmente famosa a partir do filme de Jules Dassin, Topkapi, de 1964, estrelado por Maximilian Schell e Melina Mercouri. Numa outra sala, o diamante Spoon Maker, de 86 quilates, montado numa peça de prata com 49 brilhantes, deslumbra os visitantes, que ficam ainda mais assombrados quando são informados de que apenas 20 por cento do tesouro dos sultões estão ali expostos.
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Fonte:
Revista Geográfica Universal. Nº 287 - Dezembro de 1998. Bloch Editores. Rio de Janeiro, págs. 39-41.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O Império Turco

O Império Turco
TV Ta Ásia Central viviam numerosos povos nômades que disputavam entre si as pastagens para seus cavalos e ovelhas. Dali partiram grupos de conquistadores e saqueadores em direção ao Ocidente e ao Oriente. Um desses povos, os turcos, divididos em diversas tribos, ocuparam o território do atual Cazaquistão. Entre os séculos X e XI, os turcos da dinastia dos seljúcidas, convertidos ao islamismo e sedentarizados, tornaram-se cada vez mais presentes na vida política do Império Islâmico. Primeiro foram guardas dos palácios dos chefes muçulmanos, depois governadores. Acabaram assumindo a liderança dos domínios islâmicos e continuaram a obra expansionista dos árabes muçulmanos.
Em 1071, os turcos seljúcidas conquistaram a Ásia Menor (correspondente à atual Turquia). A língua grega, ali predominante, foi sendo aos poucos substituída pelo turco, e à religião cristã ortodoxa somou-se o islamismo. Os turcos também tomaram a Palestina M, o Egito, a Síria e a Pérsia (séculos XI a XII).
O período de domínio dos seljúcidas foi marcado por grandes construções e obras públicas: mesquitas, hospitais, mercados e, sobretudo, escolas. A partir do século XII, o poder dos seljúcidas começou a declinar, enfraquecido por disputas internas, de caráter político e religioso.
No século XIII, o chefe de outra tribo, Otman I, revigorou o poderio turco, fundando uma nova dinastia; a dos otomanos. O Império Otomano perduraria por sete séculos, até a proclamação da República da Turquia, em 1923.
Em 1453, as tropas otomanas deram o golpe final no que restava do Império Bizantino, ao conquistarem Constantinopla. A queda de Constantinopla abalou a cristandade europeia. O nome da cidade foi alterado para Istambul e a catedral de Santa Sofia, orgulho dos cristãos, foi transformada em mesquita. Os otomanos avançaram em direção à Europa e ocuparam a Sérvia e a Grécia. No século XVI, sob o governo de Solimão, o Magnífico (1520-1566), o Império Otomano ocupava o leste da Europa e grande parte do Oriente Médio, chegando ao máximo de seu poderio e esplendor.
Parte do sucesso expansionista turco foi obtida graças aos janízaros, soldados de elite, considerados ferozes e invencíveis: eram jovens retirados à força de famílias cristãs prisioneiras, educados no islamismo e transformados em soldados disciplinados e fanaticamente dedicados ao sultão.


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Fonte:
História em Documento, por: Joelza Ester Rodriugues. Editora FTD, 1ª Edição. São Paulo, 2002, pág. 78.