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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Biografia de Joaquim Norberto de Sousa Silva

Joaquim Norberto de Sousa Silva
Cronologicamente,, — escreve Herman Lima —, de acordo com Sílvio Romero, nosso primeiro contista seria Joaquim Norberto de Sousa Silva,, autor de "Romances e Novelas", "hoje ilegíveis, por escritos em detestável estilo, incorreto, incolor". A respeito, lembra recentemente Edgard Cavalheiro que o trabalho que lhe garante aquele titulo apareceu em 1841, num pequeno folheto intitulado "As duas órfãs", onze anos depois reunido a três outras composições que constituíram o volume citado: "a palavra conto não é empregada, mas tanto "As duas órfãs" como os outros são, a rigor, contos, isto é, histórias curtas e podem, perfeitamente, servir como ponto de partida a quem traçar a evolução do conto brasileiro."
Na verdade, a novelística de Joaquim Norberto é de significação meramente cronológica, histórica. Representa apenas uma etapa na evolução do gênero entre nós. Nem se dedicou ele, com maior afinco, à atividade de contista ou romancista. Apaixonado pela literatura, autodidata que ascendeu da condição de caixeiro à de funcionário público, escreveu principalmente poesias, peças de teatro, estudos históricos e literários, chegando mesmo a esboçar uma história de nossas letras. Prestou grandes serviços à cultura nacional preparando e prefaciando edições das obras de Casimiro de Abreu, Silva Alvarenga, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Alvarenga Peixoto, Laurindo Rabelo e Tomás António Gonzaga. Nesses trabalhos, distinguiu-se pelo "esforço documentário e coordenação" do material recolhido, notadamente no que diz respeito às informações biográficas. Foi também um dos nossos primeiros antologistas.
No seu entender, a atividade do romancista consistia em "expandir-se pelas minudências das descrições dos quadros da natureza, perder-se' em reflexões filosóficas e demorar-se nas trivialidades de um enredo cheio de incidentes para retardar o desenlace da ação principal". Assim procedeu em "As duas órfãs"', página a que, aliás, denomina de "romance". É uma história de ciúme e rivalidade amorosa que tem por fundo histórico a luta entre brasileiros e holandeses, episódio em que aparecem Maurício de Nassau, Henrique Dias, Bagnuolo, Camarão e outras personalidades do tempo.
Joaquim Norberto nasceu no Rio de Janeiro em 1820 e morreu em Niterói em 1891.


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Fonte:
O Conto Romântico. Seleção e notas de: Edgard Cavalheiro e Mário da Silva Brito. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1961, págs. 209-210.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Biografia de Maria Archer

Maria Archer
Contista, romancista, teatróloga, cronista, ensaísta, historiadora e socióloga, dana Maria Emília Archer Eyrolles Baltasar Moreira, ou simplesmente Maria Archer, nasceu em Lisboa, a 4 de janeiro de 1905. Aos cinco anos de idade foi com seus pais para Moçambique, onde permaneceu durante oito anos, transferindo-se depois para Guiné e, em seguida, para Niassa. Essa longa estada na África forneceu-lhe temas e motivos para inúmeras páginas nas quais, com fina arte, soube fixar aspectos dos mais curiosos e palpitantes da vida nas colônias portuguesas. Colaborando desde muito jovem nos jornais africanos, ou portugueses, Maria Archer surgiu em livro no ano de 1935 com a novela "Três Mulheres", publicada em Luanda. Nesse mesmo ano aparece em Lisboa "África Selvagem" te "Sertanejos". A partir de então Maria Archer não mais cessou de produzir. Sua bagagem é enorme, e dela constam romances, novelas, contos, ensaios, teatro, traduções, livros infantis, etc. A contista, particularmente, tem-se firmado com uma série de histórias que a colocam em posição excepcional no quadro da moderna literatura portuguesa. "Ida e Volta numa Caixa de Cigarros", "Há de Haver uma Lei", "Filosofia duma Mulher Moderna", "A Primeira Vítima do Diabo", "Eu e Elas", são livros que abrigam páginas admiráveis, contos dos melhores que a literatura portuguesa pode apresentar. A nós, brasileiros, é muito grato saber que dona Maria Archer escolheu o nosso país para residência. Fixando-se em São Paulo, de há uns dois anos para cá, ainda recentemente — além dê uma constante colaboração na nossa imprensa — deu-nos um livro excelente, apaixonante, em que narra numa linguagem clara e saborosa, a origem e desenvolvimento das terras onde se fala o português.


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Fonte:
Maravilhas do Conto Português. Seleção e notas: Edgard Cavalheiro. Editora Culturix, 3ª Edição. São Paulo, 1959, págs. 221-222.

Biografia de Fernando Sabino

Fernando Sabino
Adernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte, a 12 de outubro de 1923. Fez os estudos primários no "Grupo Escolar Afonso Pena", os secundários no "Ginásio Mineiro", e o superior, parte na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, parte na Faculdade Nacional de Direito do Rio de Janeiro, onde se formou.
Passando a colaborar desde os 12 anos de idade em revistas e jornais, Fernando Sabino iniciou sua carreira nas letras vencendo um concurso de crônicas radiofônicas. Aos 17, publicou o primeiro livro, um volume de contos hoje renegado — "Os Grilos Não Cantam Mais". De 1944 é a excelente novela "A Marca", revelação de um inegável talento de ficcionista. Tendo vivido durante dois anos nos Estados Unidos, escreveu de lá saborosas crônicas para os jornais cariocas, reunidas em 1950 no volume "A Cidade Vazia". Retornando à ficção, publica em 1952 "A  Vida Real", novelas de primeira   qualidade  que,   no  entanto,  passaram  mais   ou menos despercebidas da crítica e dos leitores.   Sua bibliografia é completada com um curioso "caderno" — "Lugares Comuns" — (1954), e com o romance "O Encontro Marcado", que o consagraria como um dos nossos grandes Acionistas.     Romance  denso, forte, afirmação  de prosador admirável, seguro da sua arte, dono de um diálogo vivo, original.   Fernando Sabino mostrou ter encontrado, com esse livro, o caminho onde melhor poderá dar largas ao seu grande poder criador (1959).

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Fonte:
O Conto Mineiro. Seleção e notas de: Edgard Cavalheiro. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1959, págs. 313-314.