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sábado, 30 de julho de 2016

Jesuíta Biólogo: O pioneiro Anchieta

Jesuíta Biólogo: O pioneiro Anchieta
Por: Maria Fernanda Ziegler
Beato foi o primeiro europeu a explorar o poder curativo das ervas brasileiras
O padre José de Anchieta, morto há 410 anos, foi o introdutor do teatro em terras brasileiras. E também o primeiro a escrever uma gramática em língua tupi. Além disso, fez nascer o cateretê, o embrião da música popular brasileira, ao misturar poemas religiosos com a música indígena. Mas suas ações pioneiras não se restringiram às artes. Anchieta também se aventurou pela biologia.
Cobiçadas hoje por cientistas e laboratórios no mundo inteiro, as plantas brasileiras despertaram sua atenção no século 16. Os jesuítas perceberam que a medicina poderia ajudá-los a se infiltrar na cultura tupi-guarani. "De início, os remédios vinham do reino, mas logo os padres foram conhecendo as substâncias utilizadas pelos indígenas", diz a historiadora Maria Aparecida Lomonaco. "José de Anchieta é o nome-símbolo das artes médicas no Brasil do século 16."
Anchieta e outros oito padres chegaram ao Brasil em 1553, com o segundo , governador-geral do país, Duarte da Costa. No livro Os Jesuítas, o historiador inglês Jonathan Wright afirma que a Companhia de Jesus foi a primeira ordem da Igreja Católica que teve intenção ativa — e não apenas contemplativa. Eram os tempos da contrarreforma católica e os jesuítas tinham a missão de expandir o catolicismo nas novas terras descobertas na América.
Por aqui, esbarraram na figura do pajé - que tinha, entre suas incumbências, a de curar as enfermidades nas tribos. Os padres depararam com fórmulas e métodos diferentes para a cura. E assim Anchieta foi aprendendo, por exemplo, que o maracujá era indicado para baixar a febre. Ou que o guaraná curava a disenteria. E passou a usar essas plantas também.
Para os tupis-guaranis, as doenças eram provocadas por espíritos maus. A terapêutica indígena consistia na mescla de religiosidade com a aplicação de substâncias da flora local. E foi exatamente essa falta de conhecimento científico dos nativos um dos trunfos dos jesuítas para a conquista da população indígena.
Nos tempos do descobrimento, doenças terminais eram muito raras entre os índios. Caso isso acontecesse, o doente era desenganado pelo pajé e abandonado pelo grupo. Nesses casos, os jesuítas utilizavam os conhecimentos médicos aprendidos na metrópole — e, além da cura do doente, obtinham sucesso no processo de evangelização. Para Maria Aparecida, a assistência médica, ainda que prestada no âmbito da caridade cristã, foi uma arma poderosa na catequese. "Era a forma mais eficiente de promover o descrédito dos pajés."


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Fonte:
Revista Aventuras na História. Edição 43 - Março de 2007. Editora Abril. São Paulo, pág.8.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Heranças coloniais na América Latina

Heranças coloniais na América Latina
Uma das principais consequências da conquista e da colonização das terras americanas foi a imposição por parte dos europeus da língua falada em seus países de origem.
O espanhol, o francês e o português foram as línguas neolatinas trazidas para a América pelos conquistadores. Hoje, os países que têm essas línguas como oficiais formam a chamada América Latina.
No entanto, a língua não é o único critério usado nessa classificação. O holandês, uma língua germânica, é a língua oficial do Suriname e das Antilhas Holandesas; o inglês, também germânico, é a língua oficial da Jamaica. Mesmo assim, esses países são considerados integrantes da América Latina. Isso porque, além da língua, é levado em conta o passado colonial comum desses países. Todos eles foram colonizados com a obrigação de produzir riquezas para fortalecer a economia de suas respectivas metrópoles.
Não só o passado, mas também o presente aproxima esses países, que se caracterizam pela pobreza e por altas taxas de concentração de renda. Segundo o relatório do Banco Mundial (2005), cerca de um terço da população da América Latina (128 milhões de pessoas) sobrevive com menos de dois dólares por dia.
Evidentemente, esses países apresentam níveis diferenciados de industrialização. Há países, como o Brasil e o México, que desenvolveram tecnologia de ponta em alguns setores industriais; outros, como Costa Rica, Colômbia e Cuba, sobrevivem da exportação de produtos agropecuários.
No entanto, apesar das diferenças, nenhum desses países pode ser considerado desenvolvido.

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Fonte:
História 7ª Série. Editora Moderna, 1ª Edição. São Paulo, 2006, pág. 126.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A guerra da Indochina

A guerra da Indochina
A derrota da França em 1940, o estabelecimento do governo colaboracionista em Vichy (1940-1944), o apelo do general Charles de Gaulle (1890-1970) para prosseguir o combate, foram três fatores que provocaram a primeira cisão no edifício colonial francês. O Líbano e a Síria iludiram imediatamente a autoridade da metrópole e alcançaram a independência respectivamente em 1941 é 1943, em pleno conflito bélico.
Enquanto a África negra se orientava progressivamente a favor da política do general De Gaulle, os dirigentes do Norte de África optavam por permanecer fiéis ao marechal H. Philippe Pétain (1856-1951); mas, a partir de outubro de 1943, após a capitulação alemã na Tunísia, todo o império ficou debaixo da autoridade da França livre, simbolizada pela figura de De Gaulle.
A Conferência de Brazzaville (30 de Janeiro de 1944) estabeleceu as bases para uma Comunidade Francesa que englobava todos os territórios coloniais; adotaram-se algumas disposições para promover a evolução das populações indígenas, mas reafirmou-se c princípio da soberania francesa. Em Marrocos e na Tunísia, em parte influenciados pelos americanos, os nacionalistas começaram a dar sinais de vida em 1944; os manifestos do partido Al Istiqlal e da Frente Tunisina condenaram o protetorado e reclamaram a independência.
Todavia, para a França,  os problemas mais graves surgiram na Indochina; a ocupação japonesa criara uma situação propícia à resistência nacionalista, agrupada na Liga Patriótica para a Independência do Vietnã (Vietminh) desde 1941. Sob a direção de Ho Chi Minh, as forças populares aproveitaram a capitulação nipônica para proclamarem, em Hanói, a República Independente do Vietnã (2 de setembro de 1945). Pela primeira vez, o Governo de Paris encontrou-se perante o fato consumado de ter um poder nacionalista implantado em uma de suas colônias.
Apesar das pressões dos Estados Unidos, a França não se resignou. A tática empregada para recuperar o poder baseou-se no anticomunismo e na submissão do imperador Bao-Dai; após o fracasso das negociações com Ho Chi Minh em Fontainebleau (julho de 1946) foram buscar o ex-imperador ao seu retiro para presidir à formação de um "Estado vietnamita" na Cochinchina. O bombardeamento do porto de Haifong e o retorno das tropas francesas a Hanói assinalaram o começo da guerra entre a França e o Vietnã; esta terminou com a derrota francesa na célebre batalha de Dien Bien Phu e com os acordos de Genebra (julho de 1954); o país ficou dividido em dois ao longo do paralelo 17, fórmula que trazia já os germens do conflito posterior.
A guerra da Indochina não desarmou o colonialismo francês. Face às revindicações dos nacionalistas no Norte da África, o Governo pôs a circular a tese da "sosoberania". Os. distúrbios no território tunisino a partir de 1950 e as tensões marroquinas, exacerbadas pelo pró-consulado do marechal Alphonse-Henri Juin (1888-1967) combinaram-se com o desastre da Indochina para criar uma grave crise política na metrópole; esta foi resolvida com a chegada de Pierre Mendès-France ao poder executivo como primeiro liquidador do império. Quando a França reconheceu a independência da Tunísia e do Marrocos (1956), fazia mais de um ano que fora criada, na Argélia, a Frente de Libertação Nacional (FLN; 1 de novembro de 1954), que prosseguiria a luta até 1960.
Durante o mesmo período, a União Democrática Africana e o Grupo dos Independentes do Ultramar começaram a defender a emancipação dos territórios da África negra. À resposta francesa à agitação nacionalista revelou uma obstinação perigosa por parte dos governos da IV República, uma vez esgotada a experiência inteligente de Mendès-France. A Lei das Bases (23 de junho de 1956), se bem que criando assembleias territoriais, eleitas e dotadas de poderes deliberativos, manteve o princípio da República "una e indivisível". Esta política colonial acabaria por provocar uma mudança no regime; ele veio com o general De Gaulle (junho de 1958) e a Proclamação da V República.


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Fonte:
Colonialismo e Neocolonialismo. (Biblioteca Salvat de Grandes Temas), por: Mateo Madridejos. Tradução: Felipe Rosas e Irineu Garcia. Salvat Editora, 1979, págs.  99-102.