sábado, 30 de julho de 2016

Jerusalém - cidade sagrada do islã?

Jerusalém - cidade sagrada do islã?
Os muçulmanos reivindicam Jerusalém baseando-se em uma passagem do Corão. Mesmo que Jerusalém não seja mencionada uma única vez no livro sagrado islâmico, a Sura 17 fala de uma "mesquita distante": "Glorificado seja Aquele que, certa noite, levou seu servo da Mesquita Sagrada à distante Mesquita de Al-Aqsa" (Sura 17.1). Mas será que existe realmente alguma base para o argumento, tantas vezes usado pelos islamitas, de que essa "mesquita distante" (Al-Masujidi al-Aqtza) é a atual mesquita de Al-Aksa em Jerusalém? Á resposta é negativa. No tempo de Maomé, que morreu no ano 632 depois de Cristo, Jerusalém era uma cidade cristã do reino bizantino. Apenas seis anos mais tarde, em 638 d.C., Jerusalém foi conquistada peio califa Ornar. Nesse tempo só havia igrejas em Jerusalém. Inclusive no Monte do Templo havia uma igreja em estilo bizantino, a chamada igreja de Santa Maria de Justiniano. A mesquita Al-Aksa foi edificada 20 anos após a construção do Domo da Rocha peio califa Abd ei Malik (691 -692). O nome "Mesquita de Ornar" dado ao Domo da Rocha induz ao erro, pois não foi o califa Ornar que o construiu. Por volta do ano 711, ou seja, aproximadamente 80 anos após a morte de Maomé, a igreja bizantina que existia no Monte do Templo foi transformada em mesquita pelo filho de Abd el Malik, Abd El-Walid. Ele não fez modificações na construção original, que era uma "basílica", com uma fileira de colunas dos dois lados do retângulo da nave central. Abd El-Walid apenas acrescentou-lhe uma cúpula para que ela se parecesse com uma mesquita. A partir daí passou a chamar a antiga igreja de Al-Aksa, para que seu nome lembrasse a mesquita distante mencionada na Sura 17 do Corão.
Portanto, Maomé jamais poderia fer essa mesquita em mente quando escreveu o Corão, pois ela passou a existir somente três gerações após sua morte. Muitos especialistas já provaram que Maomé evidentemente se referiu à mesquita de Meca como a "sagrada" e à mesquita de Medina como a "distante". Diante desse pano de fundo, não é de admirar que Maomé tenha proibido terminantemente a oração em direção a Jerusalém, uma vez que isso havia sido permitido apenas por alguns meses, para tentar converter os judeus ao islamismo. Mas a tentativa falhou, e a 12 de fevereiro de 624 Maomé repentinamente proibiu as orações em direção a Jerusalém. Para os muçulmanos, Jerusalém jamais foi uma cidade sagrada; ela era sagrada apenas para os judeus que viviam em territórios islâmicos. (Dr. Manfred R. Lehmann)
Até pessoas que não creem na Bíblia são obrigadas a concordar, por razões lógicas, que os muçulmanos não têm direitos legais, do ponto de vista histórico, sobre Jerusalém. Mas os judeus os têm! (Conno Malgo)


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 5 - Maio de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite, págs. 14-15.

Inverdades sobre o Oriente Médio

Inverdades sobre o Oriente Médio
Por sua longa experiência jornalística no Oriente Médio, Joseph Farah faz parte de um seleto grupo de especialistas em compreender e desvendar os bastidores do conflito no Oriente Médio. Ele vive atualmente nos Estados Unidos, onde dirige o serviço de notícias World Net-Daily. Sua argumentação é incisiva, como mostra o artigo que transcrevemos a seguir:
Na luta por Jerusalém multas pessoas já perderam suas vidas - mas, para quê? Se você acreditar no que diz a maior parte dos meios de comunicação, os palestinos desejam uma pátria e os muçulmanos almejam o controle sobre os lugares considerados sagrados por eles. Muito simples, não é? Pois bem, como jornalista árabe-americano, que passou muitos anos no Oriente Médio e que frequentemente teve de fugir de pedras e granada, eu sei que essas são apenas desculpas muito ruins para justificar a Violência e a cobiça por terra.           
Não é interessante observar que antes da guerra árabe-israelense de 1967 não havia um movimento sério em prol de uma pátria palestina? Agora se poderia objetar que isso foi antes da conquista da Margem Ocidental do Jordão e da Cidade Antiga de Jerusalém por Israel. É verdade. Na Guerra dos Seis Dias, Israel conquistou a Judéia, a Somaria e Jerusalém Oriental, mas esses territórios não foram tomados de Yasser Arafat e sim do rei Hussein da Jordânia. Por isso me admira muito que, repentinamente, os palestinos descobriram sua identidade depois que Israel ganhou a Guerra dos Seis Dias. Na verdade, a "Palestina" é tão real como uma terra de sonhos. Este nome foi usado pela primeira vez no ano 70 depois de Cristo, quando os romanos promoveram um genocídio contra os judeus, destruíram o Templo e declararam que não existia mais uma terra chamada Israel. Eles deram à região o nome de "Palestina", nome derivado dos filisteus, o povo de Golias, vencido alguns séculos antes pelos judeus. De Jerusalém os romanos fizeram "Aelia Capitolina", mas esse novo nome não se manteve por muito tempo.
A "Palestina" não era um território autônomo nessa ocasião nem posteriormente. Ela foi dominada alternadamente por muitos povos, entre eles os romanos, os árabes, os cruzados, o Império Otomano e, depois da Primeira Guerra Mundial, pelos britânicos. Estes declararam-se dispostos a conceder ao menos uma pequena parte da terra para servir de pátria aos judeus. Não existe língua "palestina", nem uma cultura claramente palestina. Jamais houve um país chamado "Palestina", governado por palestinos. Palestinos são árabes que não se diferenciam dos jordanianos (mais uma invenção dos tempos modernos), sírios, libaneses, iraquianos, etc. Nesse contexto, deveríamos ter em mente que 99,9% do Oriente Médio está sob controle árabe. Israel abrange apenas 0,10% da área total dessa região. Mas os árabes acham que isso já é demais. Eles querem tudo, e é essa a causa real dos violentos conflitos em Israel. Ganância, orgulho, inveja e cobiça são a verdadeira motivação. Independentemente da quantidade de concessões territoriais que Israel faça, elas nunca serão suficientes.
E quanto aos lugares sagrados do islã? Eles nem existem em Jerusalém. Você ficou chocado? Ao menos deveria ficar, pois não creio que ouça essa verdade nos meios de comunicação internacionais, pois tal afirmação não é "politicamente correta". Sei que agora você vai rebater: "A mesquita Al-Aqsa e o Domo da Rocha em Jerusalém são os terceiros mais importantes santuários do islã". Isso não é verdade. O Corão não fala nada sobre Jerusalém, enquanto Meca é mencionada centenas de vezes e Medina ainda mais frequentemente. Existem boas razões para isso. Não é possível provar historicamente que Maomé tenha visitado Jerusalém uma única vez. Mas como é que Jerusalém tornou-se o terceiro lugar mais sagrado do islamismo? Muçulmanos de hoje referem-se a uma vaga afirmação da sura 17 do Corão intitulada "A Viagem Noturna". Ali está escrito que Maomé foi conduzido num sonho ou numa visão noturna da Mesquita Sagrada à "distante mesquita de Al-Aqsa", "cujos arredores abençoamos". No século VII alguns estudiosos islâmicos acharam que as mesquitas mencionadas (ou "templos", segundo outras versões do Corão - N. T.) se encontravam em Meca e Jerusalém. Não há outro tipo de relação entre o islã e Jerusalém. Trata-se apenas de um mito, de uma fantasia, da expressão de um certo desejo dos árabes.
As raízes judaicas de Jerusalém, ao contrário, remontam aos dias de Abraão. Qual é, então, a solução para o caos no Oriente Médio? Na minha opinião, esse conflito violento não pode ser resolvido por iniciativas humanas. Entretanto, se há uma solução, ela deve começar pela verdade. Uma simulação baseada numa falsificação da realidade levará a um caos ainda maior. Se os direitos de 5000 anos, adquiridos por nascimento e apoiados por uma infinidade de provas históricas e arqueológicas, são tratados da mesma forma que desejos baseados em sonhos e reivindicações injustas, então a diplomacia e a política de paz são desacreditadas.
Joseph Farah não o diz abertamente, mas para os crentes verdadeiros a realidade é: na Bíblia, Deus prometeu claramente a terra a Israel. Um dia todos verão que esse Deus, o Deus de Israel, está com a razão e que tudo acontecerá como está escrito na Bíblia! (Conno Malgo)


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Fonte:
Revista Notícias de Israel. Ano 23 - Nº 8 - Agosto de 2001. Obra Missionária Chamada da Meia Noite, págs. 17-18.

Einstein acreditava em Deus?

Einstein acreditava em Deus?
Nem mesmo as mentes mais brilhantes conseguiram ignorar os mistérios da fé. Grandes cientistas como o italiano Galileu Galilei (1564-1642), o inglês Isaac Newton (1642-1727) e o polonês Nicolau Copérnico (1473-1543) fizeram referências a Deus em seus trabalhos.
Por outro lado, entre as citações interpretadas mais erroneamente estão as do físico alemão Albert Einstein (1879-1955), um dos mais conhecidos e reverenciados cientistas do século 20 devido à verdadeira revolução que provocou na física. Costuma-se atribuir a ele uma profunda religiosidade. Sua famosa frase "Deus não joga dados", em objeção ao caráter probabilístico da mecânica quântica, levou muitas pessoas a crer que ele acreditava num ser superior semelhante ao homem.
No entanto, Einstein deixou muito claro em diversas outras afirmações que seu conceito de divindade não tem relação nenhuma com o Deus pessoal das religiões ocidentais — mais ou menos a imagem de um ser onisciente,todo-poderoso, que pune —, mas com a harmonia do Universo. "Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos", disse ele em um telegrama para a imprensa em 1929.
No livro "Einstein e a Religião", o físico alemão Max Jammer diz que a ideia de religião de Einstein exclui a de revelação, segundo a qual Ele se mostra por atos, como a aparição a Moisés, no Antigo Testamento, ou pelo nascimento, vida e morte de Jesus, ou de palavras proferidas por um anjo, como diz o Corão. Seu conceito de Deus não admite imagem mental. Einstein diz que Ele só pode ser concebido pela "racionalidade ou inteligibilidade do mundo que está por trás de qualquer trabalho científico de ordem superior".


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Fonte:
Revista Galileu. Ano 11 - Nº 132 - Julho de 2002. Editora Globo, pág. 24.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva (1998)

Entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva
"Os evangélicos vão colaborar com meu governo"
O candidato do PT à presidência defende os temas sócias, a soberania nacional e a liberdade religiosa
Por: Carlos Fernandes
Nos últimos 20 anos, nenhum político brasileiro conseguiu se identificar mais com a classe trabalhadora do que Luiz Inácio Lula da Silva. Casado com Marisa Letícia, cinco filhos, 52 anos de idade, metalúrgico de profissão e líder por vocação, a vida de Lula daria muito mais do que um livro. Desde que migrou, com a mãe e sete irmãos, da pequena Garanhuns (PE), em direção a São Paulo, numa viagem de 13 dias a bordo de um pau-de-arara, sua vida não parou de dar voltas. Típico retirante nordestino, o menino vendeu comida na rua, foi engraxate e office-boy. Por acaso, conseguiu emprego numa fábrica de parafusos, o que lhe abriu as portas para a profissão de metalúrgico, na qual haveria de tornar-se um dos maiores líderes políticos da história do Brasil.
Como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o mais poderoso do país, Lula liderou as históricas greves no ABC Paulista, que desafiaram o regime militar, no fim dos anos 70. Preso como subversivo, o líder emergente percebeu que aquele movimento só poderia ser levado adiante através de uma ampla mobilização dos trabalhadores. Em 1980, Lula e um grupo de sindicalistas, religiosos, intelectuais e representantes de movimentos sociais fundaram o Partido dos Trabalhadores (PT), sigla que, poucos anos depois, teria influência decisiva na política brasileira. Nas eleições de 1986, Lula tornou-se o deputado federal mais votado do país e teve atuação marcante na elaboração da Constituição de 1988, sempre defendendo os interesses dos trabalhadores. Estava preparado, então, o caminho para o mais alto voo jamais tentado por um operário brasileiro: a disputa da presidência da República, em 1989. Se contava com o apoio de inúmeros segmentos, Lula tinha contra si a antipatia de muitos grupos evangélicos, que chegaram a dizer que, se eleito, o candidato do PT acabaria com a liberdade religiosa e até fecharia igrejas. Numa campanha memorável, Lula chegou ao segundo turno, onde obteve cerca de 31 milhões de votos, mas perdeu para Fernando Collor de Mello. O fim do sonho embalado pela canção Sem medo de ser feliz foi o pontapé inicial de uma série de viagens por todo o país, que ficaram conhecidas como as Caravanas da Cidadania. Ao longo de quatro anos, Lula despontou como candidato imbatível - a faixa presidencial parecia, apenas, uma questão de tempo.
Nas eleições seguintes, em 1994, nova derrota, desta vez para o atua! presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Uma perda amarga, ainda mais porque, apenas cinco meses antes daquele pleito, Lula já era considerado presidente eleito, com uma aceitação popular que beirava os 50%. A partir dali, a oposição se enfraqueceu, atropelada pela aliança de partidos de centro e direita que compõem a base de sustentação política do Governo Federal.
Quando muita gente não acreditava numa nova candidatura. Lula anunciou, no início deste ano, sua intenção de concorrer, pela terceira vez consecutiva, ao Planalto.
VINDE resolveu entrevistar os dois candidatos mais bem posicionados na corrida presidencial deste ano. Nesta edição, Lula fala de suas ideias, seus planos para o governo, sua relação com os evangélicos e faz, a seu modo, um retrato da situação do país. Em setembro, a vez é do presidente Fernando Henrique - que concorre à reeleição -, cuja entrevista já está agendada. Sem ter a pretensão de influenciar a opção eleitoral do leitor, VINDE abre espaço para o debate político, que deve ser tão democrático quanto a fé.
Se o senhor for eleito, quais serão as primeiras atitudes do governo Lula?
Vemos nos concentrar na adoção de políticas capazes de gerar empregos. Essa é a prioridade mais urgente. Junto com isso, cuidaremos desde o primeiro dia dos graves problemas na área da saúde, da educação, da previdência social e da agricultura. Também vamos atuar no combate à seca.
Que alterações o senhor pretende fazer na política econômica?
A atual política econômica defende os interesses dos grandes e dos gigantes. Mesmo quando esses gigantes têm pés de barro, como foi o caso dos banqueiros socorridos com os 20 bilhões de reais do Proer [programa criado pelo Governo Federal para sanear instituições financeiras], dinheiro esse que faz falta no prato do brasileiro. Mudaremos isso. Nossa preocupação maior será estimular economicamente o pequeno e o médio, para que o país retome o crescimento, com justiça social.
Quais os maiores defeitos, na sua opinião, do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso?
O desprezo pelo ser humano e o desinteresse pelas questões sociais.
O candidato a vice-presidente na sua chapa, Leonel Brizola, declarou que pretende rever as privatizações, um dos carros-chefes do atual governo. O que será feito, de fato, neste campo?
Meu governo estará voltado para o futuro, e não para o passado. Mas algumas privatizações tiveram aspectos muito suspeitos. Faremos apuração rigorosa e auditorias. Se descobrirmos que houve delitos e irregularidades, cumpriremos com nosso dever e vamos exigir punições judiciais.
No passado, criticou-se o PT por sua política de isolacionismo. O senhor pretende fazer um governo de coalizão?
Na atual campanha, nosso arco de alianças está mais amplo e mais forte. Os problemas do Brasil são graves demais para serem enfrentados por um só partido. Nosso governo contará com a força dos que já estão conosco e de muitas lideranças independentes, que aceitarão o chamado dessa missão de justiça.
E o senhor aceitaria o apoio de forças como o PMDB e o PFL?
Em alguns estados, o PMDB tem figuras corajosas, que têm denunciado os erros e as injustiças praticadas pelo atual governo. No Congresso Nacional, em particular, buscaremos boas relações com esses setores. O PFL é o grande pilar de sustentação do atual governo. Não tem sentido pensar em apoio de um partido identificado com as elites, com a indústria da seca, com negociatas de todo tipo.
O que será feito para reduzir o desemprego, que o senhor tanto vem criticando em sua campanha?
Adotaremos políticas emergenciais capazes de gerar empregos imediatamente, através de incentivos à pequena agricultura, construção de moradias, obras de combate à seca e redes de saneamento básico. Junto com a retomada do crescimento, isso produzirá queda segura no desemprego.
As reformas constitucionais, consideradas fundamentais pelo presidente FHC, alteraram profundamente as relações sociais e trabalhistas no Brasil. O senhor pretende dar continuidade a este programa reformista?
O que Fernando Henrique tentou foi um conjunto de contrarreformas, sempre orientadas para anular conquistas sociais e enfraquecer a soberania nacional. Vamos buscar verdadeiras reformas, como a reforma agrária, que ampliem os direitos de cidadania, garantam maior produção de alimentos e menos conflitos no campo.
O que fazer para frear o crescimento do déficit público e da dívida externa?
A retomada do crescimento econômico, e não a elevação de impostos, trará aumento na arrecadação, reduzindo esse déficit. Mas, sobretudo, será preciso corrigir a elevada taxa de juros fixada pelo Banco Central. Ela é a maior responsável pelos déficits crescentes. O enfrentamento da dívida externa envolve várias medidas. Uma delas é interromper a farra das importações. Outra é iniciar uma política industrial séria, que faça as exportações crescerem. Também será preciso fazer renegociação com os credores, com a voz firme de um país que não pode ser tratado como republiqueta.
Saúde, educação e segurança são temas recorrentes em campanhas eleitorais. Objetivamente, quais são seus planos nestas áreas?
Na saúde, vamos dar prioridade para a medicina preventiva e para o médico da família. É mais eficiente e mais barato tratar as doenças antes de elas se tornarem graves. Na educação, vamos promover a defesa do ensino público e a elevação de sua qualidade, com o incentivo à qualificação dos professores e à pesquisa. Um carro-chefe será a Campanha Nacional de Alfabetização que, finalmente, marcará a data para completa erradicação do analfabetismo. Na segurança, o combate rigoroso ao crime será feito em paralelo à valorização e reeducação das forças policiais, eliminando a corrupção e o desrespeito aos direitos humanos.
Como será sua relação com as Forças Armadas? O senhor pretende aumentar as verbas destinadas à defesa nacional?
Vamos criar o Ministério da Defesa e manter com as Forças Armadas relações absolutamente normais e regulares, conforme previsto na Constituição. Quanto à fatia do orçamento, não existe mais Guerra fria, nem corrida armamentista. Os gastos não podem ser os mesmos daquele tempo. Mas as Forças Armadas não podem perder condições operacionais. Por isso, devem ser mantidos os níveis sensatos de renovação de equipamentos.
O senhor se sente vítima do temor da sociedade por um governo esquerdista ou acha que existe uma campanha permanente contra o senhor?
Sinto claramente que esses temores, onde existem, são fruto da desinformação e de calúnias. Onde converso com as pessoas, expresso minhas ideias e adianto nossa linha de governo, tudo isso cai por terra. Meu governo terá um perfil democrático e popular.
O senhor disputou a presidência duas vezes consecutivas e chegou em segundo lugar em ambas. Na sua opinião, quais foram os motivos das derrotas eleitorais em 1989 e 1994?
Para o Collor, em 1989, acho que perdi em dois momentos. O primeiro foi quando não tivemos humildade de conversar com o PMDB, para ver se conquistávamos os 5% de votos que o doutor Ulysses Guimarães teve. O outro foi aquele último debate [levado ao ar pela Rede Globo de televisão, a poucos dias do segundo turno]. Eu cometi um crime contra mim e contra as pessoas que acreditavam em mim. Eu não poderia ter feito o comício do Rio de Janeiro - que terminou à meia-noite -, para depois chegar em São Bernardo à uma da manhã, onde fui a um jantar para angariar fundos até as 3h. Logo depois, viajei para Brasília, pensando que ia voltar às 10h, mas só voltei às cinco da tarde. Aí, fui para o debate. Nas 48 horas que antecederam o debate, eu dormi apenas três horas. Acho que aquilo foi uma total irresponsabilidade com o projeto que poderia ter feito com que eu ganhasse. A terceira coisa foi a montagem do debate que a Globo fez no Jornal Nacional. Já com o Fernando Henrique, eu acho que perdi porque ganhei as eleições antes do tempo. Eu já era considerado presidente da República em maio [a cinco meses das eleições]. Por isso, foi possível, então, fazer a aliança que eles fizeram, além do plano de estabilização econômica. E, também, nós passamos a campanha inteira sem ter a crítica correta ao projeto econômico, ao Plano Real. Eu acho que isso foi fatal.
No momento desta entrevista, pesquisas de opinião apontam 41% de preferência do eleitorado pelo candidato - e atual presidente -Fernando Henrique, enquanto o senhor está com 25%. Há alguma estratégia em andamento para reverter o quadro nesta reta final?
Nossa campanha está apenas começando. A do FHC já dura dois anos e tem todo o apoio dos grandes veículos de comunicação. A estratégia é percorrer os estados e mostrar, no nosso horário de rádio e TV, que a seca do Nordeste está se agravando, que o desemprego cresce, e as elites tiraram esses temas do noticiário. A seca continua no Nordeste com a mesma gravidade. Só que, do ponto de vista político, não interessa à classe dominante continuar falando de seca, porque pode prejudicar. Mas acontecerá o que diz aquela passagem bíblica que os evangélicos conhecem bem: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".
E por falar em pesquisas eleitorais, o senhor acredita nelas?
As pesquisas refletem apenas um momento, ou seja, a intenção de voto na ocasião da pesquisa. Todos sabem que ocorrem mudanças e reviravoltas, até mesmo na véspera das eleições. Nos últimos anos, aconteceram também casos de manipulação e de apurações mostrando resultados opostos aos das pesquisas.
Então, o FHC de 1998 pode ser o Lula de 1994 e perder uma eleição tida como ganha?
Pode. E em minhas viagens pelo Brasil, em meus contatos com o povo, com os pequenos, sinto isso com muita força.
No seu governo, o que será feito em face do processo de globalização que domina o mundo? Além do Mercosul, o senhor pretende apoiar a aproximação do Brasil com outras alianças de nações, como a União Europeia e o Nafta, que inclui os países da América do Norte?
A globalização pode trazer aspectos muito positivos. Mas desde que o Brasil participe nela como uma nação soberana, portadora da décima economia mundial, de reservas estratégicas incalculáveis, uma população de 160 milhões e um dos mais ricos territórios do planeta. Não como uma pequena peça, secundária e subordinada. Vamos participar da globalização de cabeça erguida, com projetos de desenvolvimento nossos, sem vergonha de sermos brasileiros, querendo gerar empregos aqui, querendo melhorar a agricultura. Este ano, o Brasil vai importar US$ 2 bilhões em arroz, milho e feijão. Para que importar feijão, que na lavoura dá em setenta dias? É por isso que o superávit argentino em relação ao brasileiro foi de US$ 1,4 bilhão. Vamos fazer abertura de fronteiras de acordo com os nossos interesses. Os Estados Unidos fazem assim, e por isso mandam no mundo. O Mercosul é um passo muito importante, e as relações com a União Europeia interessam muito ao Brasil. Quanto ao Nafta, e principalmente à Alça [aliança de países da América Latina], proposta pelo presidente americano Bill Clinton, há necessidade de cautela, porque existem indícios de imposição de força. E o Brasil não pode aceitar isso. Nós queremos uma nação forte, soberana, e uma nação forte tem de ter ingerência nas grandes decisões econômicas, no país e na Organização Mundial do Comércio, que é onde as coisas se decidem. Portanto, nós temos divergência com muitos pensadores americanos, que querem tornar o Estado brasileiro uma zona franca. Nós queremos uma nação livre e soberana, em que o povo tenha orgulho de andar de cabeça erguida.
Qual será a receita do seu governo para evitar que o país sofra um ataque especulativo e enfrente uma crise semelhante à da Indonésia e outras nações asiáticas?
A retomada do crescimento econômico e a estabilidade social que vamos garantir atrairá investimentos produtivos, que são muito mais necessários que os especulativos. Medidas econômicas consistentes, interligando taxa de juros, câmbio, equilíbrio fiscal e correção na balança comercial, afastarão todos os riscos de ataque,
O senhor acredita em Deus? Professa alguma religião?
Acredito em Deus e sou católico.
O que o senhor acha do crescimento do segmento evangélico no Brasil?
Acho importante, porque isso significa uma liberdade de opção e de credo religioso, o que é fundamental numa democracia.
Na sua opinião, de que forma a rede de igrejas evangélicas espalhadas pelo Brasil poderia ajudar a resolver problemas como a fome, o analfabetismo e o desemprego?
A rede de igrejas evangélicas pode desempenhar um papel fundamental em meu governo, através de parcerias e, mais que isso, através da apresentação de propostas concretas de políticas públicas. A Campanha Nacional de Alfabetização é um exemplo de área onde essa rede pode ter um desempenho fabuloso. Outro exemplo é o conjunto de atividades que dedicaremos a setores como a infância desassistida, acompanhamento de pessoas da terceira idade, mobilizações de saúde preventiva, campanhas de combate à fome etc.
O senhor conta com algum assessor de campanha que o aconselha em relação aos evangélicos?
Não tenho um assessor formalmente designado para tanto. Mas, em meus frequentes encontros com pastores e com lideranças ligadas a esse segmento, recebo boas doses de assessoria, conselhos e explicações.
E pretende contar com algum evangélico na sua equipe de governo?
Pretendo contar com pessoas de todas as religiões.
O senhor acha que o Lula não assusta mais os crentes? A que atribui isso?
Quando as pessoas decidem conversar comigo, me ouvir, trocar opiniões, nenhum medo sobrevive. A verdade liberta.
Na sua atual campanha, o senhor chegou a pedir o apoio de algum líder evangélico? Qual foi a receptividade?
Tenho pedido apoio de inúmeros líderes evangélicos e a resposta tem sido bastante positiva. Até a grande imprensa tem noticiado isso, embora parecendo estar sentindo algum incômodo.
Alguns grupos cristãos, como o Movimento Evangélico Progressista (MEP), com sede em Belo Horizonte (MG), apoiam sua candidatura publicamente. Sua campanha tem tido apoio de outras entidades evangélicas?
Tenho a impressão de que citar o nome de algum movimento poderia ocasionar uma injustiça, pelo possível esquecimento de outro. Estão brotando iniciativas neste sentido em todo o país. Um comitê evangélico de Belém do Pará está solicitando agenda. Como vocês falaram, existe o MEP de Belo Horizonte. A senadora Benedita da Silva está articulando apoios no Rio, e acontece o mesmo em praticamente todos os estados. Eu sinto uma força incomparavelmente maior do que nas campanhas anteriores.
O senhor tem algum projeto voltado diretamente para o segmento evangélico?
Tenho aquele conjunto de projetos de que já falamos, envolvendo a parceria entre governo e igrejas. Em resumo, trata-se do próprio coração do meu projeto de governo, que é a ampliação dos projetos sociais, da valorização do ser humano, da solidariedade exercida com fé e compromisso. E não frases vazias e mera propaganda clientelista, como aconteceu com o governo FHC.
Qual a sua maior preocupação nesta campanha?
O que mais me preocupa é a manipulação do poder econômico e dos meios de comunicação. Eu estou disputando com um cidadão que é presidente da República, então o que vai acontecer? A partir da convenção oficial, eu não posso entrar no ar, em rede de rádio ou televisão, porque sou candidato. Ele pode entrar como presidente da República. Eu quero saber qual vai ser o momento em que se vai separar o presidente do candidato. Nós não estamos fazendo uma campanha em igualdade de condições. Nós estamos disputando contra o poder do Estado e o poder da comunicação. E qual é a nossa vantagem? É que nós temos o poder da razão. Milhões de brasileiros estão indignados com a quantidade de mentiras, e a nossa campanha vai ser um movimento em que vamos envolver artistas, intelectuais, empresários, pastores, padres, freiras, desempregados, empregados, pequenos e médios produtores, quem quiser. E nós vamos ganhar (1998)


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Fonte:
Revista Vinde. Ano III - Nº 33 - Agosto de 1998. Editora Vinde. Rio de Janeiro, págs. 12-15.

A Bíblia e o quadro negro (Religiosidade)

A Bíblia e o quadro negro
Igreja Presbiteriana cresceu investindo no evangelismo e na educação
O pioneiro Simonton: vida a serviço da obra missionária
Todo mundo já ouviu o célebre ditado "o tempo voa". Para a maioria das pessoas, a vida passa sem dar-lhes oportunidades de deixar sua existência marcada neste mundo. Ou, pelo menos, elas se queixam disso. Ao longo da história, não foram muitos os que souberam utilizá-lo como aliado, vivendo cada minuto como se fosse o último. Mas, pessoas assim existiram. O próprio Jesus Cristo deu exemplo: só precisou de três anos para registrar na História uma participação tão marcante que acabou dividindo-a em duas partes, antes e depois dele. Mais tarde, vieram outros, inclusive alguns que, procurando viver à imagem e semelhança do Filho de Deus, fizeram do seu tempo o melhor uso possível, vivendo para divulgar a mensagem do Mestre. O pastor e missionário americano Ashbel Green Simonton pode ser incluído nesta categoria. Em apenas oito anos, ele aprendeu tudo o que podia sobre a Palavra de Deus, viajou para o Brasil, anunciou o Evangelho para pessoas que nunca tinham ouvido falar da salvação em Cristo e morreu deixando como herança uma das maiores igrejas protestantes em território nacional. Hoje, passados 138 anos da chegada de Simonton ao país, a Igreja Presbiteriana do Brasil tem mais de 1.700 igrejas e quase dois mil pastores espalhados pelo país. É o grupo evangélico que mais investiu em educação no Brasil, possuindo até hoje uma grande rede de escolas em todos os níveis de ensino. Isso sem falar nos quase l milhão de fiéis vinculados aos quatro grandes grupos em que se dividem hoje os presbiterianos.
Desde cedo, Simonton, nascido em West Hanover, no estado da Pensilvânia, em 20 de janeiro de 1833, demonstrou interesse incomum pela obra missionária. Assim que concluiu o Seminário Presbiteriano de Princeton e tornou-se pastor, não hesitou em fazer as malas e partir rumo ao Brasil. A decisão, totalmente inusitada, deveu-se a uma revelação que Simonton interpretou como a vontade de Deus na sua vida. Depois de longa viagem de navio, aportou no Rio de Janeiro em 1855 onde logo manteve contato com c médico escocês Robert Kalley. Esse "estágio" com o pioneiro do Evangelho em terras fluminenses foi mais do que providencial: além da comunhão e do aprendizado espiritual. Simonton, que tinha apenas 26 anos. pôde conhecer bastante sobre a sua "terra prometida". Como quase todos os estrangeiros na época, ele pouco mais sabia sobre o Brasil além do fato de aqui haver florestas e muitos índios. Kalley já desenvolvia um trabalho protestante na cidade, apesar das dificuldades culturais e da forte resistência católica. Foi o que bastou para encorajar o jovem missionário.
Escravidão
Não demorou muito e Simonton começou a andar com as próprias pernas, mas sempre pela fé. No dia 19 de maio de 1861, conseguiu sua primeira vitória, Com a ajuda do pastor Alexander Blackford, seu cunhado, o pioneiro alugou uma sala na rua do Ouvidor, no centro da então capital do Império. O preço, 50 mil réis, era bastante salgado na época, mas Simonton contou com a ajuda financeira de um grupo de americanos que ali passaram a realizar culto; em inglês. A iniciativa valeu a pena. De acordo com a historiadora Leila Menezes Duarte, especialista na história do protestantismo no Rio de Janeiro, naquele imóvel realizou-se o primeiro culto ministrado em português realizado em local público. "O âmbito doméstico era a única forma de culto permitida pela constituição do império para os protestantes no Brasil", informa a pesquisadora. Na verdade, o culto tinha o objetivo principal de estudar a Bíblia, e essa primeira reunião contou com apenas duas pessoas. Mas o otimista Simonton teve seus esforços recompensados. Três domingos depois, a sala já ficou cheia de brasileiros interessados em estudar a Palavra de Deus junto com os missionários presbiterianos. Logo as reuniões de estudo bíblico tornaram-se evangelísticas. Os frutos não tardaram e, no dia 12 de janeiro de 1862, Simonton realizou o batismo dos dois primeiros convertidos, um padeiro português chamado Camilo e o brasileiro Serafim, que trabalhava como carpinteiro. Aquela data acabou tornando-se histórica, passando a marcar a fundação da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, a primeira da denominação no Brasil. O crescimento da obra na sala da rua do Ouvidor levou Simonton e seus seguidores a instalar-se num terreno da Travessa da Barreira (atual rua Silva Jardim). O local abriga até hoje a Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro.
A expansão da missão de Simonton logo adaptou-se à realidade brasileira. Inclusive, num ponto polêmico: a escravidão. Apesar de ser fervoroso antiescravista, Simonton não tocava no assunto em suas mensagens. A Junta de Missões Estrangeiras, responsável pela missão no Brasil, temia um confronto com a classe dirigente brasileira, em sua maioria defensora da escravatura, o que poria em risco o apoio político e ideológico conseguido para seus missionários. Tal característica persistiu até a proclamação da República, em 1889, o que originou um fato curioso: não havia representantes das duas classes que compunham a base e o pico da pirâmide social do país - os escravos e a aristocracia - na igreja.
Vencidos os primeiros obstáculos no Rio de Janeiro, Simonton se dirigiu para o Estado de São Paulo, organizando no ano de 1865 a Primeira Igreja Presbiteriana da capital paulista. Preocupado em expandir o protestantismo num país onde o catolicismo perseguia qualquer um que se atrevesse a mudar o discurso religioso, Simonton foi surpreendido pela providência divina. Um ano após a fundação da igreja em São Paulo, nascia uma congregação na cidade de Brotas, no interior paulista. Não haveria nada demais neste fato, exceto que houve a ajuda decisiva de um ex-padre convertido ao protestantismo, José Manoel da Conceição. Sacerdote controvertido, ele já aborrecia os bispos católicos mesmo antes da sua conversão, quando estimulava seus párocos a lerem a Bíblia. Figura fundamental na expansão da igreja, Manoel, além de realizar frequentes cruzadas no Rio e em São Paulo, fazia questão de visitar a população do interior, não passando por nenhuma fazenda ou casa pobre sem orar e ler a Bíblia com os moradores. Através da influência do ex-padre, as antigas paróquias católicas interioranas acabaram se transformando em igrejas evangélicas. O crescimento acelerado, contudo, não pôde ser presenciado pelo pioneiro Simonton, que morreu em 1867, em São Paulo, com apenas 34 anos de idade, vítima da febre amarela - moléstia tropical que fez milhares de vítimas no fim do século 19.
Fé na educação
Com o passar dos anos e a consolidação da denominação em território nacional, os presbiterianos começaram a engajar-se na realidade social brasileira. No início deste século, a maioria da população brasileira era formada por analfabetos. Sob o ponto de vista espiritual, esse fato era um desastre: significava uma multidão de pessoas sem acesso às doutrinas e ensinos bíblicos. Atentos a esse drama que afetava milhões de brasileiros, a igreja resolveu investir maciçamente em educação. A filosofia era simples, mas eficaz, e era traduzida no slogan: "Ao lado de cada igreja, uma escola". O sucesso foi total. "O grande interesse pela educação fez com que os presbiterianos criassem inúmeras  instituições  de  ensino, algumas respeitadíssimas até hoje", diz o professor Cléber Selos, 37 anos, que leciona história da igreja no Seminário Presbiteriano do Rio. Além do Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo, a maior universidade particular da América Latina, os presbiterianos possuem ainda 500 templos-escola, que ministram ensino da pré-escola ao 2- Grau. "Temos desafiado as igrejas a usar os espaços vazios para dar cursos de alfabetização, ou mesmo profissionalizantes para crianças e adultos", conta o pastor Guilhermino Cunha, que há três anos preside o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, a maior das quatro convenções da denominação no país. Além da preocupação em manter a dedicação das igrejas pelo ensino, Guilhermino objetiva uma  reaproximação  com  as outras vertentes da igreja em território  nacional:  Igreja  Presbiteriana Unida (IPU), a Igreja Presbiteriana Independente (IPI) - e Igreja Presbiteriana Conservadora  (IPC),  que juntas representam cerca de 30% do -     total de presbiterianos no país. Mas eles não estão atentos apenas à educação.  O pastor Guilhermino salienta que o objetivo da igreja é implantar pelo menos uma congregação por semana. "Temos conseguido alcançar este alvo, que faz parte da nossa grande meta de dobrar o número de evangélicos presbiterianos no país até o ano 2000." Esse empenho missionário mostra que os ideais de Ashbel Simonton continuam delineando as prioridades  da Igreja Presbiteriana do Brasil até hoje.    

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Fonte:
Revista Vinde. Ano II - Nº 22 - Setembro de 1997. Editora Vinde. Rio de Janeiro, págs. 56-58.

O homem Lutero (Religião)

O homem Lutero

A DESCOBERTA DA BÍBLIA
Quando e em que circunstâncias começou o seu interesse pela Bíblia?
Fazia meu curso universitário em Erfurt quando, com a idade de 20 anos, descobri um exemplar da Bíblia, em latim, na biblioteca da escola. O primeiro trecho que li foi a história de Ana e Samuel. Até então julgava que a Bíblia continha apenas aquilo que era lido nas missas, A partir daí tornei-me um leitor assíduo da Escritura. Já como sacerdote e professor, na Universidade de Wittenberg, a partir de 1508, recebi a incumbência de interpretar a Bíblia. Aprofundei-me no conhecimento dela e foi através de meus estudos bíblicos que redescobri o evangelho primitivo como se encontra em o Novo Testamento.
A Bíblia é a Palavra de Deus?
"A Bíblia é a Palavra de Deus, escrita por inspiração do Espírito Santo; o Velho Testamento pelos santos profetas, e o Novo Testamento pelos santos evangelistas e apóstolos, A inspiração é o ato divino pelo qual Deus Espírito Santo soprou nas almas dos escritores da Bíblia os pensamentos que deviam escrever, bem como as palavras exatas que deviam empregar."
À afixação das 95 teses à porta da Igreja do Castelo e os acontecimentos posteriores têm alguma relação com esse seu apego à Bíblia?
Sim. Propugnei um retorno à Bíblia. Procurei demonstrar que a autoridade das Escrituras é maior que a da igreja. Esta não é dona da Bíblia, mas serva. A tradição da igreja pode ser legítima, porém não infalível; por isso deve ser julgada pela Bíblia. Em outras palavras, preguei que a Palavra de Deus é regra de fé e prática.
O Doutor é a favor de se colocar a Bíblia nas mãos do povo?
Perfeitamente. Eu mesmo traduzi o Novo Testamento do texto grego e o Velho Testamento do texto hebraico para o alemão que todos entendem. Os 5 mil exemplares do Novo Testamento publicado em setembro de 1522 foram vendidos em três meses, de modo que em dezembro já saía uma nova edição. Muitas outras vieram depois.
Tomávamos sempre o cuidado de eliminar erros tipográficos, corrigir erros de tradução ou substituir palavras por outras expressões mais convenientes, Melanchthon, especialista em grego, e Aurogallus, especialista em hebraico, ajudaram-me muito nessas revisões.
O Doutor gosta do nome luterano dado especialmente aos alemães que abraçaram a Reforma?
"Peço que se silencie acerca de meu nome e ninguém se denomine luterano, mas, sim, cristão. Quem é Lutero? A doutrina não é minha e não fui crucificado por ninguém... E como poderia ser que eu, um pobre saco de estrume, tivesse meu nome, o qual nenhuma salvação encerra, dado aos filhos de Cristo? Não deve ser assim, terminemos com esses nomes partidários e denominemo-nos cristãos, pois possuímos a doutrina de Cristo."
O Doutor não exagera quando se diz "um pobre saco de estrume"?
Não estou exagerando nem dando uma aparência de humildade. Na verdade "sou um pobre verme diante da justiça de Deus, sou um pobre servo do Senhor da igreja, sou um aluno das Sagradas Escrituras", O pecador não tem valor   em si mesmo, não tem nada para dar, carece totalmente da glória de Deus.
VIDA FAMILIAR
O Doutor é favorável ao celibato sacerdotal?
"Fazem apenas 400 anos que na Alemanha os sacerdotes foram compelidos a força a deixarem o matrimônio e fazerem voto de castidade. Todos se opuseram a isso com tamanha seriedade e rijeza, que um arcebispo de Mogúncia, o qual publicara o novo edito papal a respeito, quase foi morto no tumulto de uma revolta de todo o corpo sacerdotal. E aquela proibição logo no começo foi efetivada com tanta rapidez e impropriedade, que o papa, ao tempo, não só proibiu o matrimônio de sacerdotes para o futuro, mas ainda rompeu o casamento daqueles que havia muito já estavam nesse estado, o que não é contrário apenas a todo direito, divino, natural e civil, mas também aos cânones estabelecidos pelos próprios papas e aos mais renomados concílios."
Uma vez desobrigado do voto do celibato sacerdotal, em vista de seu rompimento com Roma, como o Doutor encarou a ideia do matrimônio?
Aconselhei que os pastores se casassem. Os sacerdotes que aderiram à Reforma e tinham ligações com mulheres foram exortados a anunciar seu matrimônio com elas. Muitos se casaram com suas próprias cozinheiras, com as quais já viviam e das quais tinham filhos. Por esta razão, nem sempre a esposa pertencia à mesma classe social do marido,
E quanto ao Doutor?
Meus amigos sugeriram-me que eu também me casasse para quebrar o tabu e servir de exemplo. "Meus sentimentos não me pareciam levar a contrair matrimônio, E mesmo não tencionei casar porque esperava diariamente a morte e a punição por heresia". Mas, em 12 de junho de 1525, liguei-me pelos laços do matrimônio a Catarina de Bora, da nobreza rural da Saxônia. Eu estava com 42 anos e ela, com 26. Catarina e mais oito freiras haviam fugido do convento de Nimbsch e moravam em Wittenberg desde 1523. Ela era hóspede do pintor Lucas Cranach. Desde os 10 anos até os 24, minha mulher esteve enclausurada.
Que tal o novo estado?
"Não há ligação mais doce do que a de um matrimônio feliz e não há separação mais amarga do que a de um matrimônio feliz. A isto apenas corresponde a morte de uma criança. A dor que ela nos causa, eu próprio a experimentei, A maior dádiva de Deus é uma esposa piedosa, resoluta, temente a Deus e com dotes domésticos. Graças a Deus, tal me foi concedido. Eu a considero mais do que o reino da   França ou o domínio dos venezianos. Minha Catarina me é mais útil do que eu ousara pensar."
E os filhos?
"Os filhos constituem, no matrimônio, o penhor mais aprazível. Estabelecem e conservam o vínculo do amor." Tivemos três meninas e três rapazes. Isabel faleceu com 8 meses e Madalena, com 14 anos. Margarida veio a casar-se com o vice-governador Kuhnheim. Dos homens, João formou-se em Direito, Martinho é pastor, e Paulo, médico,
O casamento é para sempre?
"O matrimônio é a união vitalícia instituída por Deus e contraída, mediante esponsais legítimos, por um homem e uma mulher para uma só carne".
Algumas pessoas que participam de seu lar em Wittenberg estão passando informações de suas conversas à mesa, no seio da família e no convívio com os numerosos estudantes que moram em sua casa. O Doutor não se preocupa com isso?
Em absoluto. Na verdade eu gosto muito de falar. Nossa casa sempre está cheia — uma tia de Catarina, vários parentes órfãos, estudantes, refugiados, ajudantes e criados moram conosco, como família. À hora da refeição conversamos animadamente sobre problemas teológicos e as novidades mais corriqueiras do dia-a-dia. De vez em quando, recordo alguma experiência passada. Mas nada há para esconder. É tudo aberto e examinado à luz da Escritura.

FE E OBRAS
O Doutor foi acusado de corromper a moral cristã. O que diz sobre isso?
Nada mais falso. Os adversários, baseando-se na doutrina da justificação pela graça perdoadora de Deus, da qual me tornei pregador convicto e entusiasta, não entenderam ou deturparam meu ensino e diziam que eu tornara as boas obras desnecessárias e destituídas de significado, abrindo assim caminho para as más obras, Por outro lado, é provável que algumas pessoas imaturas tenham se valido desta interpretação errônea para se entregarem à devassidão. O que, todavia, a Palavra de Deus ensina e eu custei a descobrir é que "não podemos alcançar remissão dos pecados e justiça diante de Deus por mérito, obra e satisfação nossas, mas pela graça, por causa de Cristo, mediante a fé, quando cremos que Cristo padeceu e nos são dadas justiça e vida eterna". A tremenda verdade da justificação pela fé diz nada mais nada menos que Deus "considera justo o homem que possui a justiça que Ele próprio, Deus, lhe oferece — a justiça de Cristo. Deus a oferece pelo Evangelho de Cristo e o homem a recebe e dela toma posse pela fé, ou seja, quando toma a sério a mensagem e crê na oferta e doação que Deus lhe está fazendo".
"Temos de guardar fielmente o artigo da justificação pela fé em todos os tempos por ser o artigo principal da doutrina cristã, pela qual a igreja de Cristo se distingue de toda religião falsa, sendo dada a glória somente a Deus e constante conforto ao pecador."
Por que o homem não pode alcançar a salvação mediante as obras, por exemplo, da própria Lei de Deus?
"Porque desde a queda no pecado, o homem natural é de todo incapaz para guardar a Lei de Deus e o próprio cristão só a cumpre imperfeitamente."
Então, para que serve a Lei?
"A Lei serve para um fim triplo. Em primeiro lugar, concorre para a manutenção da ordem e da honestidade exterior do mundo, impedindo de certa maneira o desenfreamento grosseiro do pecado. Neste caso a Lei é freio. Em segundo lugar, ensina de modo especial aos homens a reconhecerem verdadeiramente seus pecados. Neste caso a Lei é espelho, Em terceiro lugar, mostra ao regenerado quais são verdadeiramente as boas obras. Neste caso a Lei é norma."
O Doutor poderia situar a fé e as obras na experiência religiosa do homem?
Vamos conceituar primeiro a boa obra. Boa obra é toda obra ordenada por Deus. Se for feita da fé, é boa; se for feita para granjear méritos, é má, "A mais nobre de todas as boas obras é crer em Cristo," Ensinamos que "as boas obras devem e têm de ser feitas não para que nelas se confie a fim de merecer a graça, mas por amor de Deus e em seu louvor". A fé, por sua vez, "é uma confiança viva e ousada na graça de Deus, tão segura, que nela o homem poderia morrer mil vezes. A fé nos torna alegres, ousados e bem dispostos diante de Deus e de todas as criaturas". "Sempre é a f é que apreende a graça e o perdão de pecados, E visto que pela fé é dado o Espírito Santo, o coração também se torna apto para praticar boas obras, porque antes, enquanto está sem o Espírito Santo, é demasiadamente fraco, Além disso, está no poder do diabo, que impele a pobre natureza humana a muitos pecados, como vemos nos filósofos que se lançaram à empresa de viver vida honesta e irrepreensível e contudo não conseguiram realizá-lo, caindo em muitos pecados graves e manifestos.
É o que acontece ao homem quando está sem a verdadeira fé e sem o Espírito Santo, e se governa apenas pela própria força humana. Sem a fé e sem Cristo, a natureza e a capacidade humanas são por demais frágeis para praticar boas obras, invocar a Deus, ter paciência no sofrimento, amar o próximo, exercer com diligência ofícios ordenados, ser obediente, evitar maus desejos etc, Taís obras elevadas e autênticas não podem ser feitas sem o auxílio de Cristo, conforme Ele mesmo diz: 'Sem mim nada podeis fazer' (Jo 15.5)."
A vida crista é estática ou dinâmica?
Não se deve "pensar que a vida de um cristão seja ficar quieto e descansar, mas estar a caminho e partir dos vícios à virtude, de clareza à clareza, de força à força".
A oração é essencial à vida cristã?
"Como o sapateiro faz sapatos e o alfaiate faz roupas, assim deve o cristão orar. Ninguém crê quanto pode a oração senão aquele que o aprendeu pela experiência e o provou pessoalmente.
É grande coisa alguém sentir o aperto e este obrigá-lo a recorrer à oração. Bem sei: todas as vezes que orei de coração, fui ricamente atendido e alcancei mais do que havia pedido. É verdade que por vezes Deus demorou um pouco, mas nem por isso deixou de me atender."


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Fonte:
Revista Ultimato. Ano XXXIII - Nº 262 - Janeiro/Fevereiro de 2000. Editora Ultimato. Viçosa - MG, págs. 27-29.

Os Cristãos e o Plebiscito (Política e Religiosidade)

Os Cristãos e o Plebiscito
Por: Robinson Cavalcanti
O Plebiscito
Os cristãos brasileiros - juntamente com os demais cidadãos - por disposição da Constituição federal de 1988, estão sendo chamados a se pronunciar, no próximo dia 21 de abril, em um plebiscito sobre o sistema de governo (presidencialismo x parlamentarismo), e sobre a forma de governo (monarquia x república) mais adequados ao País. Nessa consulta não estão em discussão nem a forma de Estado (federalismo), nem o regime político (democracia), nem o sistema econômico (capitalimo) ora vigentes.
Há na motivação dos constituintes a busca de legitimidade institucional diante do golpe de Estado militar que derrubou a monarquia e o parlamentarismo em 1880, um julgamento do desempenho histórico da república e do presidencialismo, e a necessidade de um aprofundamento em nossa caminhada democrática antes da ampla revisão constitucional que teremos a partir de outubro próximo.
As mudanças legais não terão implicações materiais imediatas: não aumentarão o pão na mesa do pobre, mas terão um valor de longo alcance: a clareza das regras do jogo democrático. E, nossa posição no plebiscito exige uma consciência cristã informada e responsável.

Os Sistemas de Governo
Os sistemas de governo são modalidades de um regime. No caso da democracia são eles: o colegiado (apenas aplicado na Suíça), o presidencialismo e o parlamentarismo.
a) O presidencialismo
O protótipo do presidencialismo é o modelo dos Estados Unidos: maior separação entre os poderes executivo, legislativo e judiciário, com predominância do executivo, cujo titular o exerce à base de um mandato popular temporário, acumula a Chefia de Estado e a Chefia de Governo e não pode ser destituído por julgamento político, mas apenas por crimes de responsabilidade no instituto do impeachment. O sistema se baseia em uma chefia pessoal forte, que centraliza e agiliza as decisões, jogando os partidos políticos um papel secundário.
A experiência norte-americana, com suas peculiaridades, é a única bem sucedida. O presidencialismo foi adotado nos países sob influência dos Estados Unidos, porém de tradição cultural autoritária (América Latina, Libéria, Filipinas, Coreia) servindo, na maioria das vezes, como mero anteparo legal para o caudilhismo, o populismo e o militarismo.
No Brasil o presidencialismo foi adotado, por influência do positivismo e do liberalismo conservador, a partir da Constituição de 1891. A marca desses 102 anos de nossa história política tem sido a instabilidade (golpes, renúncia, suicídio), com apenas dois presidentes eleitos democraticamente, terminando seus mandatos e passando a faixa para os seus sucessores em igual condição (Dutra e Juscelino), sem que seus antecessores ou sucessores tivessem igual performance. A demasiada soma de poderes tende a criar executivos imperiais, sem sólida base partidária e de traumático processo de remoção.
b) O parlamentarismo
O parlamentarismo se origina na longa experiência política britânica de redução dos poderes dos nobres e aristocratas em favor dos "comuns", por meio de uma casa legislativa representativa fortalecida. Com variações locais, o sistema é adotado na maioria das democracias estáveis atuais. Nele o mandato é conferido ao partido e não aos indivíduos, o conselho de ministros tem que ter base partidária parlamentar e pode ser destituído se não andar bem por meio de simples voto de desconfiança. Pratica-se a fidelidade partidária, os eleitores aprendem a valorizar mais os programas do que o "charme" ou o messianismo das estrelas políticas. Em caso de impasse entre o gabinete e o parlamento, este poderá ser dissolvido pelo chefe de Estado e convocadas novas eleições legislativas.
O mais importante é a separação entre a figura do Chefe de Estado (rei ou presidente), de caráter arbitrai, moderador, simbólico, suprapartidário e o Chefe de Governo (primeiro-ministro), líder do partido ou coalização com maioria, responsável pela condução política e administrativa.
No Brasil o parlamentarismo teve uma experiência positiva no Segundo Reinado (dentro das condições da época) e uma experiência "insincera" (61-63), como forma de se contornar a ameaça de um golpe militar.
As experiências do Japão, Itália, Portugal, Espanha e Grécia demonstram a possibilidade do parlamentarismo dar certo em países de tradição autoritária, e     a experiência da índia comprova que ele  pode funcionar em país pobre. É a experiência parlamentarista que gera uma burocracia técnica e partidos fortes, e não o contrário.
As Formas de Governo
O conceito usado no plebiscito não se refere à distribuição teórica da autoridade de mando, mas às peculiaridades do titular do executivo. O presidencialismo é intrinsecamente republicano, enquanto que o parlamentarismo pode existir tanto com a monarquia (Grã-Bretanha, Suécia, Holanda), quanto com a república (Alemanha, Itália, Áustria). Nesse caso, o parlamentarismo funcionaria de forma idêntica, alterando-se apenas não as funções, mas as características do Chefe de Estado: um rei permanente ou um rei "a prazo fixo" (como já foi denominado o presidente parlamentarista).
No passado a monarquia era associada a regimes autoritários e a república a regimes democráticos. Hoje se vê que essa associação não é procedente: há monarquias democráticas (Espanha) e absolutistas (Arábia Saudita) e repúblicas democráticas (França) e ditatoriais (Haiti).
No Brasil as elites e o estamento militar, por influência do positivismo, possuem convicções republicanas, enquanto a cultura popular (rei do baião, rainha dos baixinhos, roupas "nobres" nas escolas de samba) tem fortes raízes monárquicas. A Casa de Bragança está dividida em um ramo progressista (Petrópolis) e um ramo conservador (Vassouras).
Cremos que a opção parlamentarista - seja ela republicana ou monárquica -representará um salto de qualidade, uma revolução cultural em nossa política, quando as ideias, as propostas e a organização serão mais importantes do que os chefes iluminados. Com figuras paternais (maternais) na chefia do Estado, quem desejar ver Brizola, Maluf, Lula, Covas, Quércia ou ACM na chefia de governo que vote em um deputado do seu partido, para que eles venham a ser primeiros-ministros responsáveis e não magestáticos salvadores da pátria.
Contribuição Cristã
Nenhum segmento da sociedade pode concorrer para a democratização do Estado se não se democratizar internamente. Nem as formas políticas dos tempos bíblicos, nem a busca de chancela celestial para formas de governo eclesiástico autocráticas e historicamente explicáveis, nem a submissão ao autoritatismo de nossas raízes culturais ajudam esse propósito. É preciso conhecer a contribuição dos cristãos para a desconcentração do poder, do saber, da renda e da propriedade. Sem inquisições formais ou informais, mas na prática do pluralismo e no respeito às opiniões divergentes estaremos dando vida ao nosso voto no plebiscito. Uma igreja democrática em um país democrático.


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Fonte:
Revista Ultimato. Ano XXVI - Nº 221 - Março de 1993. Editora Ultimato. Viçosa - MG, págs. 12-13.