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sábado, 30 de julho de 2016

À mesa, com os fenícios

À mesa, com os fenícios
Por: Guta Chaves
Conhecidos por terem sido os inventores do alfabeto, os fenícios se destacaram na história por sua habilidade como navegadores (há quem diga que eles chegaram até a América do Sul e também por sua grande habilidade como comerciantes). Dessa forma, eles foram ao mesmo tempo criadores e propagadores de cultura, fazendo uma espécie de intercâmbio entre os vários lugares por eles visitados.
As colônias fenícias do Ocidente, que incluem Cartago (atual Tunísia), conservavam as tradições gastronômicas da sua metrópole. Como mantinha o controle do comércio do Mediterrâneo, Cartago era a mais expressiva delas e difundiu pela região os costumes alimentícios de sua pátria-mãe. O principal prato era o puls, um cozido de cereais que incluía queijo, mel e ovos. Colocava-se 500 g de farinha na água e dissolvia-se bem, derramava-se numa terrina (forma), juntando ao preparo 1,5 quilo de queijo fresco, 250 g de mel e um ovo. Misturava-se tudo muito bem e levava-se para cozinhar numa panela. O prato foi citado por Catão, o Velho, famoso viajante da época. A alimentação mediterrânea — à base de cereais, hortaliças (couve, alcachofra), legumes, alho, frutas (figos, tâmaras, romãs), avelãs, amêndoas, pistaches, azeite e azeitonas —, adotada por esses povos era rica em nutrientes e incluía também carnes brancas. A pesca, por exemplo, era uma das atividades comerciais, sendo o peixe (dourado, salmonete, esturjão, moreia, linguado, atum —, este último conservado em salinas) outro alimento básico, assim como moluscos e crustáceos. Também comiam galinhas e, em ocasiões especiais, consumiam carnes, como a de carneiro e a de cabra, usando também seu leite e derivados. Os bolos de trigo eram alimentos diários e serviam também em rituais, pois foram encontradas oferendas de bolos decorados e preparados em formas de terracota.


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Fonte:
Revista História Viva. Ano III  - Nº 33 - Julho de 2006. Duetto Editorial. São Paulo, pág.11.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Comidas típicas paulistas

Comidas típicas paulistas
Estas comidas são de uma época tranquila, em que a vida era também tranquila.
Arroz com sua
Um sua de porco despojado das gorduras, cortado em pedaços será temperado com sal, alho, cebola e cheiros verdes. Frita-se o suficiente, ou melhor, até corar levemente e a seguir, na própria panela onde está sendo frito, junta-se água e deixa-se cozinhar até ficar mole. Estando o arroz lavado e pronto para ser cozinhado, ajunta-se ao sua, deixando cozinhar tudo junto, tendo-se o cuidado de deixar o arroz mais ou menos mole. Tendo secado a água, está pronto. E é mais gostoso quando o arroz com sua é feito em panela de barro... recomendava vovó Olímpia Sousa Maynard que nos legou a receita. O arroz mais gostoso é o pilado em pilão caseiro e não o que passou pelas máquinas de beneficiar.
Quibebe
Deve-se escolher uma abóbora bem enxuta e madura. Corta-se a polpa em pedaços, depois de se ter tirado casca e sementes. Ferve-se em pouca água porque a própria abóbora, vertendo suco, terá líquido para ajudar a cozinhar. Quando esta é bastante, escorre-se. Refoga-se com tempero, sal e bastante pimenta do reino. Há um toque bem paulista no quibebe, muito de acordo com o paladar planaltino tradicional, e é o de ajuntar-se uma boa colher de sopa de açúcar, preferivelmente o mascavo.
Buré
Sopa de milho verde onde se coloca cambuquira ou couve rasgada: Rala-se o milho, tempera-se a sopa e depois da primeira fervura, junta-se a cambuquira.
Cambuquira
A ponta da rama da aboboreira é chamada cambuquira. Os paulistas que falaram tupi até o século XVIII, preferem chamá-la de cambuquira e não de ponta de abóbora, que será escolhida, bem lavada. As mais novas poderão medir até dois palmos, as mais velhas somente um, e de todas é necessário tirar-se as fibrilas exteriores.
Prepara-se um refogado numa panela (preferivelmente de barro) onde se coloca água quanto se deseje. Quando estiver fervente ajunta-se-lhe aos poucos, para não empelotar, fubá mimoso, dando à sopa uma consistência bem rala. Ao abrir nova fervura, ajuntam-se as cambuquiras que, bem fervidas se tornam moles e estará pronta a sopa de cambuquira. Há quem engrosse a sopa com farinha de milho; entretanto, típico, tradicional é fazê-la com fubá.
Moqueca de galinha
Mata-se, depena-se e limpa-se a galinha tirando as vísceras e o bico. Uns a cortam em pedaços para moqueá-la na palha de milho, outros a deixam inteira para envolvê-la em folha de bananeira. Coloca-se a galinha numa mistura de farinha de milho, gordura, ovos cozidos, sal e os condimentos de um bom tempero, enrola-se na folha de bananeira e assa-se na brasa. Há os que a assam na panela; entretanto, na brasa fica mais gostosa, assim dizem os que não perderam o paladar de bugre...
Quirera com costeletas
Quando o milho está sendo preparado para canjica, deixa-se que se quebre mais, reduzindo-se a pedaços menores que tenham mais ou menos tamanho do grão de arroz. É a quirera de milho. Tempera-se a quirera como se tempera o arroz.
Fritam-se costeletas de porco até que fiquem bem coradas. Quando a quirera estiver quase no ponto de ser retirada do fogo, mistura-se tudo na panela e deixa-se até secar.
Há os que gostam de misturar assim. Outros preferem separar quirera e costeletas para comê-las desse modo... a nosso ver, prato muito mais saboroso...
Barreado
Prato paulista que se "paranaizou" por ser hoje largamente conhecido no Paraná. Cozinha-se a carne de boi em panela de barro que terá seu testo barreado à panela, ficando esta assim hermeticamente fechada. Esta panela barreada certamente é a avó da atual panela de pressão... O "barreado" era a panelada de carne que o paulista fazia, cozinhando a noite toda, no seu arranchamento. Onde o paulista parava para pernoitar, precisava de um fogo para espantar os bichos do mato... e bem lento para cozinhar por mais de doze horas a boa panela barreada que seria a primeira refeição do dia que viria e a comitiva depois de quebrado o jejum, levantaria acampamento para seguir.
Os paulistas olvidaram a panelada de carne; entretanto, os "paranistas" conservam, mormente os litorâneos, como prato típico, o delicioso "barreado", ajuntando-lhe banana sica, isto é, verdolenga.
Pururuca
Algumas pessoas confundem torresmo com pururuca. São duas coisas distintas: torresmo é um naco de banha de porco que ao ser frito vai deixando escorrer a gordura, restando uma parte consistente. O torresmo é o melhor acompanhamento para um bom virado de feijão, para um virado de couve feito com farinha de milho.
Pururuca é o couro de porco que, bem frito, se torna quebradiço, e ao ser mastigado se desfaz. A pururuca deixou de ser o companheiro inseparável do virado de feijão, hoje, bem salgadinha acompanha os aperitivos quer de palácios... quer dos botequins...


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Fonte:
Folclore Nacional: Ritos, Sabença, Linguagem, Artes e Técnicas, vol. III, por: Alceu Maynard Araújo. Edições Melhoramentos. São Paulo, 1964, págs. 217-219.